Vazamento de gás em Manaus faz escolas, PAC e empresas do Distrito Industrial suspenderem atividades


Imagem aérea registra vapores de gás estireno durante resfriamento nesta quinta (16)
Três escolas estaduais, uma unidade do Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) do Studio 5 suspenderam as atividades nesta quinta-feira (16) após o vazamento de estireno, substância inflamável e tóxica, registrado em uma fábrica do Distrito Industrial, na Zona Sul de Manaus. A medida foi adotada por segurança devido ao odor do produto químico percebido na região.
🔎 O estireno é um produto químico usado na fabricação de plásticos e borrachas. A substância pode evaporar quando aquecida e formar vapores com odor forte. A exposição pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dor de cabeça, tontura e náusea.
O vazamento ocorreu no fim da tarde de quarta-feira (15), em um dos tanques de armazenamento de monômero de estireno da empresa Innova, no Distrito Industrial de Manaus. Nesta quinta (16), equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) seguiam no local para resfriar os tanques. Segundo os bombeiros, ainda havia liberação de vapores, em menor intensidade, durante o processo de controle da temperatura do material.
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A Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar informou que as Escolas Estaduais Antônio Lucena Bittencourt, Antovila Mourão Vieira e Bom Pastor passarão por sanitização. As aulas serão retomadas normalmente nesta sexta-feira (17).
O Serviço Social da Indústria (Sesi) também informou que suspendeu as atividades escolares nesta quinta-feira devido ao forte odor provocado pelo vazamento de gás. Segundo a instituição, o funcionamento será normalizado na sexta-feira (17).
O PAC do Studio 5, coordenado pela Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), também teve o atendimento suspenso nesta quinta-feira. Segundo a secretaria, a decisão seguiu orientações dos órgãos competentes e teve como objetivo preservar a segurança de servidores e usuários.
A Sejusc informou que os cidadãos que tinham atendimento agendado e foram afetados pela suspensão poderão procurar a unidade a partir desta sexta-feira (17).
Empresas liberam funcionários
Até a publicação desta reportagem, 18 empresas localizadas no Distrito Industrial adotaram medidas preventivas após a ocorrência. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), as companhias liberaram funcionários para retornar às residências nesta quinta-feira (16).
Entre as empresas que dispensaram os colaboradores estão Positivo, Boardtec, Prefeitura de Manaus (PMM), Oriente, Compal, PST, Costa Brasil, RLX Fluidos Refrigerantes, LG, Boreo, Yamaha, Honda, Venttos, Engie, Electrolux, PCE, Digboard e P&G.
Segundo o presidente da Fieam, Antônio Silva, as equipes do Corpo de Bombeiros continuam atuando no controle da situação e realizando o resfriamento dos tanques.
“Acredito que em 24 horas mais nós teremos uma situação mais normalizada do que está agora”, afirmou Antônio Silva.
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Atuação dos bombeiros
Desde o início da ocorrência, militares do Grupamento de Biossegurança e Produtos Perigosos atuam no local. Ao todo, cerca de 35 bombeiros, dez viaturas e quatro canhões de água foram empregados no atendimento.
O Corpo de Bombeiros informou que o trabalho de resfriamento continua até que as equipes tenham segurança de que a temperatura dos tanques está estabilizada.
Evacuação e impactos
Após o incidente, a área foi isolada com apoio da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM). A fábrica onde ocorreu a ocorrência e empresas do entorno foram evacuadas por medida de segurança.
Trechos da Avenida Buriti também foram interditados para facilitar o acesso das equipes de emergência.
Vídeos gravados por trabalhadores logo após o início do vazamento e que circulam nas redes sociais mostram a gravidade da situação. Nas imagens, é possível ver uma densa nuvem de fumaça branca saindo da área dos tanques e se espalhando rapidamente pelo pátio da empresa. A intensidade do vapor assustou os funcionários que estavam no local e em fábricas vizinhas. (veja abaixo).
Segundo apuração da Rede Amazônica, o forte odor do produto químico ainda era percebido na região na manhã desta quinta-feira. Trabalhadores que chegavam para o expediente estavam sendo liberados por algumas empresas próximas ao local.
Vídeos mostram momento de vazamento de monômero de estireno em Manaus
Empresa diz que situação foi controlada
Em nota, a Innova informou que a ocorrência foi controlada conforme os protocolos de emergência da companhia e que todo o resíduo gerado foi armazenado para tratamento adequado.
A empresa afirmou ainda que não houve incêndio, vazamento de produto líquido para fora da área de contenção nem registro de vítimas.
“A situação foi prontamente contida de acordo com os procedimentos de emergência estabelecidos pela Companhia”, informou a empresa.
A Innova também declarou que não há risco de desabastecimento para clientes e que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Em nota, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que acompanha a ocorrência e solicitou informações detalhadas sobre as medidas de contenção adotadas pela empresa.
O órgão ressaltou que a operação segura das instalações é responsabilidade da companhia e que a apuração das causas e dos impactos ambientais, sanitários e à saúde dos trabalhadores será realizada pelos órgãos competentes. A autarquia também manifestou solidariedade às pessoas afetadas pelo incidente.
O g1 também procurou o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) para saber se houve orientação às empresas do entorno sobre a liberação de funcionários após o incidente, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Orientações de saúde
A chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, explicou ao g1 que o estireno evapora com facilidade quando aquecido.
“Ele tem odor forte e adocicado. A exposição ao gás estireno pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dores de cabeça, tontura e fadiga. Em concentrações elevadas, pode levar a náuseas e problemas respiratórios. O recomendado é usar a máscara P2, também conhecida como N95”.
A Defesa Civil orienta que a população permaneça em locais abertos e bem ventilados, mantenha portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e desligue aparelhos que captem ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação.
A SES-AM recomenda que pessoas expostas ao produto procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como irritação nos olhos ou na pele, tontura, dor de cabeça, náusea, sonolência, confusão mental, dificuldade para respirar ou perda de consciência.
Imagem aérea registra vapores de gás estireno durante resfriamento nesta quinta (16)
William Duarte/Rede Amazônica
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