Fed decide juros nesta semana e pode redefinir expectativas para o Copom

A reunião do Federal Reserve volta a colocar a política monetária no centro das atenções dos mercados nesta semana. A expectativa principal é de manutenção dos juros nos Estados Unidos, mas o comunicado e as declarações da autoridade monetária serão acompanhados em busca de indicações sobre os próximos passos.

Desta vez, não haverá uma “superquarta”. A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto, o Fomc, será divulgada antes da reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, marcada para a primeira semana de agosto.

Para parte dos investidores, setembro pode voltar a ser uma data relevante para uma eventual elevação dos juros americanos. O debate ganhou força diante da inflação ainda resistente e dos efeitos econômicos do conflito no Oriente Médio.

A pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã reduz parte da pressão sobre o petróleo, mas ainda não deve ser suficiente para alterar a postura conservadora do banco central americano. O Fed deverá avaliar se o recuo da commodity será sustentado ou se novas tensões podem voltar a pressionar os preços.

Além Federal Reserve: Copom pode cortar Selic, mas mercado discute pausa

A decisão do Fed tem potencial para influenciar as expectativas para a política monetária brasileira. A maioria do mercado ainda trabalha com a possibilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião de agosto.

A principal dúvida está nos passos seguintes. Investidores querem saber se o Banco Central poderá sinalizar uma pausa no ciclo de calibração dos juros diante do cenário externo incerto e da resistência da inflação doméstica.

Durante participação em um evento do mercado financeiro na sexta-feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, evitou antecipar as decisões da autoridade monetária. O dirigente voltou a defender o acompanhamento dos dados econômicos para a definição da política de juros.

O ambiente externo também será considerado. Juros mais elevados nos Estados Unidos podem fortalecer o dólar, reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes e limitar o espaço para cortes adicionais da Selic.

Focus reduz IPCA de 2026, mas eleva projeções seguintes

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira mostrou uma nova redução da estimativa de inflação para 2026. A projeção para o IPCA passou de 5,15% para 5,12%.

Para os anos seguintes, no entanto, as expectativas voltaram a subir. A projeção para 2027 passou de 4,20% para 4,22%, enquanto a estimativa para 2028 avançou de 3,78% para 3,80%.

A diferença entre a queda da previsão de curto prazo e a alta das projeções mais longas reforça a atenção do Banco Central sobre a desancoragem das expectativas. Mesmo com uma melhora marginal para este ano, o mercado ainda prevê inflação acima do centro da meta nos próximos períodos.

A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 foi mantida em 1,99%. Para 2027, a projeção recuou de 1,65% para 1,60%.

No câmbio, a previsão para o fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20. Para 2027, passou de R$ 5,28 para R$ 5,29.

A projeção para a Selic continuou em 14% ao final de 2026, 12% em 2027 e 10,50% em 2028. Os números indicam que o mercado ainda prevê juros elevados durante um período prolongado.

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