
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu e enviou ao Ministério Público o inquérito que investigou o desaparecimento da família Aguiar, ocorrido na cidade de Cachoeirinha, Região Metropolitana de Porto Alegre. Silvana Aguiar, de 48 anos, e os pais dela, Isail, 69, e Dalmira, de 70, estão sumidos desde janeiro. A investigação indiciou Cristiano Domingues Rodrigues, ex-marido de Silvana e policial militar, por feminicídio, duplo homicídio triplamente qualificado e mais crimes. Outros cinco foram indiciados por colaboração no pós-crime.
A divulgação foi realizada nesta sexta-feira (17), em coletiva para imprensa com os delegados que atuaram no caso. Apesar dos corpos não terem sido encontrados, a polícia afirma ter provas suficientes para conclusão dos crimes e acredita que todos estejam mortos, com os cadáveres ocultados. As buscas pelos corpos não se encerram mesmo com o inquérito concluído.
Cristiano foi indiciado por feminicídio, duplo homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, abandono de incapaz, falsidade ideológica, furto qualificado, fraude processual, participação em falso testemunho e associação criminosa.
Segundo a PCRS, ele também teria inventado uma história sobre o desaparecimento, na qual a vítima teria ido viajar para a Serra Gaúcha e se acidentado. Segundo os investigadores, o PM utilizou o celular pessoal de Silvana para sustentar a versão do desaparecimento.
O PM também teria feito uso de Inteligência Artifical para clonagem da voz da vítima com objetivo de atrair os pais dela. A polícia classificou estas ações como dissimulação dos fatos e chamou de “teatro”, que teria sido arquitetado para realizar o feminicídio.
A esposa de Cristiano, o irmão dele, a mãe, a sogra e um amigo próximo foram indiciados por ocultação de cadáveres, fraude processual, falsos testemunho, dentre outros esforços contra a investigação. O policial militar está preso desde o dia 10 de fevereiro.
Durante a coletiva, a polícia ainda afirmou que o caso foi um dos mais complexos já investigados pela corporação. O inquérito terminou com mais de 20 mil páginas e 10 terabytes de dados extraídos de dispositivos dos envolvidos.
A nível de comparação, o caso da Boate Kiss resultou em 13 mil páginas dentre depoimentos, diligências, relatórios e extração de dados.
O iG tentou localizar a defesa dos seis indiciados, mas ainda não conseguiu. Mesmo assim, a reportagem deixa o espaço aberto para manifestações.
Relembre o caso
O caso da família Aguiar começou como um episódio de desaparecimento de três pessoas de uma família na cidade de Cachoeirinha, localizada na Região Metropolitana de Porto Alegre.
A Polícia Civil rapidamente passou a tratar o ocorrido como feminicídio seguido de duplo homicídio, com a principal suspeita de envolvimento do ex‑marido de uma das vítimas, o policial militar, Cristiano Domingues Francisco.
Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, ex-esposa de Cristiano, teria desaparecido no dia 24 de janeiro. Ela cuidava do filho com Cristiano, de 11 anos, e a polícia aponta que questões ligadas à guarda da criança teriam sido uns dos motivos dos crimes.
O próprio PM, suspeito principal do caso e ex-companheiro de Silvana, registrou o desaparecimento dela no dia 27. Em primeira versão dada à polícia, Silvana teria possivelmente sofrido um acidente, pois teria viajado à Serra Gaúcha naquele final de semana.
No entanto, um texto foi publicado no nome de Silvana nas redes sociais no mesmo dia, 24, relatando o suposto acidente que ela teria sofrido. A polícia diz que não há nenhuma ocorrência registrada e aponta que o celular de Silvana foi localizado no dia 26 de janeiro no posto de trabalho de Cristiano, sugerindo que o PM utilizou o aparelho dela para sustentar o suposto desaparecimento.
Os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, de 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70, desapareceram no dia seguinte, 25 de janeiro. Isail tentou registrar ocorrência do suposto acidente da filha neste dia, mas encontrou a 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha fechada (por volta do meio-dia).
Em torno das 16h da tarde, Isail foi à casa de Silvana, onde foi visto pela útlima vez. Segundo a polícia, Cristiano teria utilizado clonagem de voz por meio de Inteligência Artificial para atrair o ex-sogro.
Por fim, a Polícia Civil acredita que a clonagem de voz foi utilizada novamente para entrar na casa de Dalmira, mãe de Silvana. Diante destes indícios, a corporação acredita que o crime complexo foi totalmente planejado.
Cronologia dos fatos:
Segundo a Polícia Civil, o carro Volkswagen Fox Vermelho seria de posse de Cristiano, enquanto o Ford KA branco, de Silvana.
A polícia expôs os seguintes fatos sobre o crime, cronologicamente:
