Wellhub: como o bem-estar corporativo virou estratégia de crescimento nas empresas

O avanço do bem-estar corporativo como estratégia empresarial tem ganhado espaço no Brasil, impulsionado por mudanças culturais e pela busca crescente por qualidade de vida. No programa REP CAST, Ricardo Guerra, líder da Wellhub no Brasil, detalhou como esse movimento deixou de ser um benefício periférico para se tornar um ativo relevante na gestão de pessoas e na performance organizacional.

Segundo ele, a transformação do setor está diretamente ligada a uma mudança estrutural no comportamento dos profissionais, que passaram a priorizar equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Essa tendência cria novas dinâmicas no mercado e amplia a demanda por soluções integradas de saúde dentro das empresas.

“A nova riqueza é você ter qualidade de vida, felicidade e tempo, né? Assim, não é mais dinheiro a qualquer custo, crescimento a qualquer custo”, afirma Ricardo Guerra.

Bem-estar corporativo como vetor de crescimento

A estratégia da Wellhub foi construída a partir da identificação de um mercado historicamente pouco inovador, inicialmente focado em academias e atividade física. A proposta era ampliar o acesso e estimular novos hábitos, criando uma nova frente de consumo dentro do segmento.

Com o tempo, o modelo evoluiu ao integrar empresas ao ecossistema, transformando o produto em uma solução B2B. Esse movimento permitiu escala, redução de custos e uma mudança relevante na dinâmica de crescimento do negócio.

“E aí eu consegui junto às academias falar: ‘Olha, a gente não tem aqui o mercado B2C, a gente tem o B2B, deixa eu ser a sua plataforma corporativa’”, explica Ricardo Guerra.

Engajamento e mudança cultural nas empresas

O papel das áreas de recursos humanos foi determinante para a expansão da plataforma, ao viabilizar a comunicação com colaboradores e incentivar a adesão aos programas. A integração com empresas permitiu não apenas ampliar o alcance, mas também influenciar a cultura organizacional.

De acordo com Guerra, esse processo gerou um efeito multiplicador, elevando significativamente a prática de atividades físicas entre os usuários, com índices superiores aos de países desenvolvidos.

“Quando a gente pensa nas microculturas, que são hoje os clientes do Brasil do Wellhub, esse número chega a quase 40%”, destaca Ricardo Guerra.

Expansão do conceito para além da atividade física

A pandemia representou um ponto de inflexão no modelo de negócio ao interromper o acesso físico às academias e acelerar a digitalização dos serviços. A empresa passou a incorporar soluções voltadas para saúde mental, sono, nutrição e mindfulness.

Essa ampliação reflete uma visão mais abrangente do conceito de bem-estar, alinhada às novas demandas do mercado e ao aumento da preocupação com saúde emocional nas organizações.

“A gente viu nisso uma oportunidade, falou: ‘Olha, a gente sabe fazer engajamento, vamos expandir para todos os serviços ligados a bem-estar’”, avalia Ricardo Guerra.

Reposicionamento de marca e estratégia global

A mudança de Gympass para Wellhub marcou a transição de um produto focado em academias para uma plataforma completa de bem-estar corporativo. Apesar do desafio de abandonar uma marca consolidada, a alteração foi considerada necessária para sustentar a expansão internacional.

O reposicionamento também buscou eliminar limitações na percepção do mercado, especialmente em países onde o nome anterior restringia o entendimento do escopo da empresa.

“Era uma questão global. Talvez se fosse só o Brasil a gente teria mantido o nome”, pondera Ricardo Guerra.

Internacionalização e demanda de clientes globais

A expansão internacional da Wellhub foi impulsionada principalmente por demandas de clientes multinacionais, que buscavam replicar o modelo em outros países. A empresa iniciou sua atuação fora do Brasil pelo México e posteriormente avançou para Europa e Estados Unidos.

A estratégia combinou talentos locais e brasileiros, permitindo adaptação cultural e maior eficiência na operação global, além de aquisições estratégicas para acelerar a presença internacional.

“Os clientes falavam: ‘Olha, lá no México, na Espanha, nos Estados Unidos, não temos nada parecido’”, relata Ricardo Guerra.

Cultura interna e performance organizacional

Internamente, a empresa busca equilibrar alta performance com qualidade de vida, alinhando discurso e prática. A cultura corporativa é orientada por metas ambiciosas, mas também por flexibilidade e autonomia dos colaboradores.

Esse modelo, segundo Guerra, permite maior eficiência e engajamento dos times, ao priorizar resultados em vez de controle de jornada e horas trabalhadas.

“Performance não é sobre o tempo trabalhado, é a qualidade do tempo que você trabalha”, reforça Ricardo Guerra.

Reputação e consistência no longo prazo

Ao final da entrevista, Guerra destacou a importância da consistência como elemento central da reputação, tanto para empresas quanto para lideranças. A construção de confiança ao longo do tempo é vista como fator determinante para relações duradouras e crescimento sustentável.

Nesse contexto, a reputação deixa de ser apenas um atributo intangível e passa a atuar como um ativo estratégico, influenciando diretamente a capacidade de execução e expansão dos negócios.

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