Morte de CEO do OnlyFans levanta suspeitas de colapso do site

Leonid Radvinsky, CEO do OnlyfansReprodução/redes sociais

Criada em 2016, a plataforma de conteúdo adulto OnlyFans revolucionou o mercado. Menos de dez anos após sua criação, em 2024, o site registrou US$ 7,2 bilhões (R$ 35,7 bilhões) em receita bruta, US$ 1,4 bilhão (R$ 6,9 bilhões) em receita líquida e lucro operacional de US$ 666 milhões (R$ 3,3 bilhões).

Com mais de 377,5 milhões de usuários e 4,6 milhões de criadores, a plataforma, majoritariamente composta por conteúdo adulto, também abriga produtores de conteúdo nas áreas de beleza, gastronomia e estilo de vida.

O OnlyFans arrecada dinheiro ao cobrar uma taxa de 20% sobre assinaturas e conteúdos vendidos no site. Os criadores ficam com os 80% restantes da receita.

Estima-se que o CEO da empresa, Leonid Radvinsky, tenha faturado mais de US$ 1,8 bilhão (R$ 8,9 bilhões) com a plataforma desde 2021.

Apesar do sucesso financeiro, após a morte de Radvinsky, em março deste ano, a empresa pode enfrentar instabilidade.

Venda bilionária enfrenta barreiras

Em 2025, Radvinsky iniciou a tentativa de venda do OnlyFans e percebeu que, mesmo com o faturamento elevado, cerca de US$ 2 milhões (R$ 9,9 milhões) por dia em 2024, o processo seria mais difícil do que o esperado.

Em negociações desse porte, muitos investidores institucionais operam sob cláusulas de restrição que os impedem de investir em setores como conteúdo adulto, tabaco, jogos de azar e armas.

Além disso, há riscos operacionais. Empresas de processamento de pagamento, como Visa e Mastercard, já sinalizaram que poderiam restringir serviços para plataformas adultas. Como o OnlyFans depende de assinaturas, utiliza intermediários que cobram entre 5% e 10%, além das taxas adicionais de 2% a 3% dessas bandeiras, valores considerados elevados.

Outro fator relevante é a resistência de empresas e investidores em associar suas marcas a conteúdos adultos.

Em 2025, Radvinsky chegou a anunciar a venda da empresa por US$ 8 bilhões (R$ 39,7 bilhões), mas não encontrou compradores interessados.

A empresa que surgiu como possível compradora foi a Architect Capital, fundo de investimento com sede em São Francisco, fundado em 2020 e conhecido por atuar com startups latino-americanas e por se envolver em negócios considerados controversos.

O fundador da Architect, James Sagan, é apontado como um dos principais investidores da Juul Labs, empresa americana de cigarros eletrônicos. Para o OnlyFans, Sagan pretende diversificar a plataforma, ampliando conteúdos convencionais e reduzindo a dependência do material adulto.

Informações recentes da imprensa internacional indicam que o OnlyFans estaria em negociações preliminares para vender 60% da empresa à Architect Capital, em um acordo que poderia avaliar a plataforma em US$ 5,5 bilhões, incluindo cerca de US$ 2 bilhões em dívidas.

A urgência para fechar o negócio estaria relacionada ao diagnóstico de câncer terminal de Radvinsky. Com a morte do empresário, a situação se tornou ainda mais incerta, deixando o futuro da plataforma em aberto.

Criação do OnlyFans

A plataforma foi criada em 2016 por Timothy Stokely, empresário britânico que já havia lançado outros sites de conteúdo por assinatura.

Inicialmente, o OnlyFans não era voltado exclusivamente ao conteúdo adulto. A proposta era permitir que criadores monetizassem conteúdos diversos, com acesso pago pelos usuários.

Em 2018, durante um período de dificuldades relacionadas a processadores de pagamento, Stokely decidiu vender o negócio. Nesse mesmo ano, a plataforma foi adquirida majoritariamente por Leonid Radvinsky, proprietário do site de sexo ao vivo MyFreeCams e da empresa controladora Fenix International Ltd.

A partir disso, o OnlyFans passou a focar no conteúdo adulto, consolidando-se como uma das principais plataformas do setor.

Quem foi Leonid Radvinsky

Leonid Radvinsky nasceu em Odessa, na Ucrânia, em 1982, e se mudou ainda criança para Chicago, nos Estados Unidos.

Formado em economia pela Universidade Northwestern, construiu carreira no setor digital e se tornou um dos principais nomes por trás da expansão do OnlyFans, apesar de manter uma vida pessoal discreta.

Ele vivia em uma propriedade avaliada em US$ 19 milhões, em Miami.

Radvinsky morreu em 23 de março deste ano, aos 43 anos, em decorrência de um câncer.

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