Zema assumiu risco ao cutucar Gilmar. Mas está levando a melhor

Gilmar Mendes é retratado como fantoche em vídeo postado por Romeu ZemaReprodução

Romeu Zema jogou a casca de banana do outro lado da rua. Gilmar Mendes viu a fruta estatelada com casca e tudo correu para tropeçar. Fez isso ao mostrar que pegou febre ao se ver retratado como um boneco corporativista que salva a pele do colega Dias Toffoli no caso Master em uma série de vídeos produzidos por Inteligência Artificial e postados nas redes do ex-governador de Minas Gerais.

Mineiro que é, Zema comeu pelas beiradas e mirou o decano do Supremo Tribunal Federal. Conseguiu ganhar moral com uma turma que costuma centralizar o ódio a outro ministro da Corte, Alexandre de Moraes.

Gilmar não quis saber de mastigar os marimbondos, e foi logo soltando o verbo. Pediu a Alexandre de Moraes que Zema fosse incluído no inquérito das fake news. A alegação é que o conteúdo “vilipendia” a sua biografia e a honra do STF. 

Até aí, direito dele. O problema foi quando ele decidiu dar uma entrevista ao portal “Metrópoles” e tentou explicar o incômodo. O decano do STF queria mostrar que deveria haver limites para críticas. Mas saiu isso aqui: “Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?”. 

Alertado da declaração catastrófica, Mendes foi às redes sociais admitir o erro e pedir desculpas. Era tarde.

“O que você não pode fazer é comparar homossexual com ladrão. Sério que você acha que é a mesma coisa chamar alguém de ‘homossexual’ ou de ‘ladrão’? Aí você mostrou todo seu mais puro preconceito para o Brasil”, tripudiou Zema.

Sob o ponto de vista jurídico, o pré-candidato do Novo à Presidência pode ter se dado mal. Criado em 2019, o inquérito das fake news é um alçapão por onde muita gente foi dragada e indiciada por ataques às instituições. Cabe agora a Moraes dizer se um enredo com fantoches é razão suficiente para algemar o criador da afronta.

Mas, para quem queria um lugar ao Sol numa disputa cheia de “candidatos a candidatos” anti-sistema (sic), Zema ganhou seus 15 minutos de glória ao pautar o noticiário, jogar o nome de Gilmar nos trending topics e levar a melhor em um bate-boca público. Fez do seu curta-metragem um sucesso de público apenas brigando com a pessoa certa. E, com um novo capítulo da série, recém-postado, avisou que se o ministro reclamar vai ter mais.

Gilmar, sem querer, deu munição para o próprio fantoche, agora retratado como medroso e autoritário.

“Digníssimo, manda tirar isso do ar agora. Esses ‘Intocáveis’, do Zema. E prende esse ‘Chico Bento’ mineiro. Você não tem aquele inquérito das fake news? Que já está aberto há sete anos, onde você coloca tudo que não te agrada, te irrita ou te contraria emocionalmente?”, diz o personagem.

O que Zema ganha com isso? Saberemos mais perto da eleição, quando pode levantar o dedo e dizer que está no jogo ou que, como possível aliado, tem mais a oferecer além das bananas com casca que costuma mastigar nas redes sociais.

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