Agrishow: Tecnologia que mede ‘suor’ das plantas ajuda a salvar colheitas; entenda


Seca e calor: tecnologia que mede ‘suor’ das plantas ajuda a salvar colheitas
Em um cenário de mudanças climáticas com problemas como estresse hídrico, ondas de calor e maior risco de pragas, tecnologias que ajudam a entender o comportamento da planta em tempo real ganham protagonismo ao auxiliar o produtor na tomada de decisões.
🌱Uma delas mede algo invisível a olho nu, o “suor” das plantas, como explica Júlio César Hollenbach, CEO da Sigma Sensors.
“A evapotranspiração é todo o balanço hídrico do solo. Se eu sei quanto choveu, quanto ficou no solo e quanto está indo para a atmosfera, eu consigo entender exatamente o que a planta absorveu”, explica.
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A novidade estará presente na Agrishow, maior evento de tecnologia agrícola do país, que acontece em Ribeirão Preto (SP) até 1º de maio.
Sensor mede ‘suor’ das plantas e pode a salvar colheitas
Sigma Sensors/Divulgação
Como funciona na prática
🔎A chamada evapotranspiração é o processo pelo qual a água passa do solo para a atmosfera, seja pela evaporação ou pela transpiração das plantas.
E entender esse fluxo é essencial para saber se a lavoura está recebendo água suficiente. Sensores mais modernos conseguem medir esse processo diretamente no ambiente, com alto nível de precisão.
“Esse sensor mede a quantidade de vapor de água no ar a partir de comprimento de onda. Ele emite um sinal e consegue identificar com muita exatidão quanto vapor está presente naquela massa de ar”, afirma Hollenbach.
📈Além disso, a tecnologia capta o movimento do ar, identificando se a umidade está subindo ou descendo. Com esses dados, é possível calcular o fluxo real de evapotranspiração, gerando uma medição mais real na lavoura.
“O clima é um fator que o produtor não controla. Por isso, ele precisa se proteger com estratégias que reduzam o impacto financeiro quando o problema acontece”, afirma o professor Vinicius Cambaúva, da Harven School.
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Sensor faz leitura do comportamento da planta em tempo real na lavoura
Sigma Sensors/Divulgação
Decisão no momento certo
A partir dos dados coletados com o sensor, o produtor consegue tomar decisões críticas e fundamentais durante todo o plantio, especialmente em relação à irrigação.
“Ele consegue entender se precisa irrigar mais ou menos. Se exagerar na água, pode até estressar a planta. Se faltar, perde produtividade. Então o equilíbrio é tudo”, afirma Hollenbach.
O grande ganho, segundo o CEO, está na precisão dos dados. Antigamente, com a maior regularidade do clima, o produtor se guiava a partir das estações de determinada região, mas com as mudanças climáticas é preciso buscar dados confiáveis para garantir a colheita.
“Os dados vão para a nuvem e podem ser acessados no celular ou no computador. O produtor consegue ver naquele momento o que está acontecendo na lavoura. Se eu acompanho em tempo real, consigo entender se está faltando água e agir antes que o problema vire um prejuízo grande”, explica.
Apesar dos benefícios, o uso da tecnologia exige conhecimento técnico para transformar os dados em decisões adequadas para cada tipo de cultivo. Segundo o CEO, o principal desafio está justamente na falta de mão de obra qualificada para interpretar essas informações e aplicá-las corretamente no campo.
Lavoura de soja irrigada em Guaíra, SP irrigação plantação agricultura
Luciano Tolentino/EPTV
Investimento e gestão de risco
💲Sensores de alta precisão ainda têm custo elevado no Brasil, o que limita o acesso. Segundo Hollenbach, a adoção é mais comum entre grandes produtores. Equipamentos confiáveis custam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, de acordo com ele.
“É um investimento alto, principalmente por conta dos impostos. Geralmente são os maiores que procuram. Eles têm escala e conseguem diluir melhor esse custo”, comenta o CEO.
Nesse cenário, Cambaúva ressalta que, além dos riscos ligados as mudanças climáticas, o produtor precisa de um planejamento financeiro adequado para conseguir mitigar os riscos de maneira que não comprometa todos seus recursos.
“O dado melhora a tomada de decisão, mas precisa estar integrado a uma estratégia maior de gestão”, diz.
As raízes da planta funcionam como ‘bombas’ que puxam água e sais minerais do solo
Vereda Comunica
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