
O avanço das Big Techs no mercado global tem sido acompanhado por mudanças estruturais relevantes em seus modelos de negócio, especialmente diante da crescente demanda por inteligência artificial e capacidade computacional. Durante o programa Global Wallet, da BM&C News, o gestor Ângelo Belitardo analisou o cenário atual dessas empresas e destacou um ambiente mais complexo para investidores.
Segundo ele, o mercado está dividido entre companhias com perspectivas de crescimento e outras que já enfrentam projeções mais pessimistas, refletindo o impacto de novos ciclos de investimento. O movimento ocorre em meio a uma reconfiguração do setor, que exige maior volume de capital para sustentar a expansão tecnológica.
“Hoje o cenário das grandes empresas de tecnologia, eles estão muito divididos. A gente tem um grupo de empresas que tem uma perspectiva de melhora já nos níveis de lucro para os próximos anos, enquanto o outro grupo ali já está mais com muitas projeções pessimistas”, afirma Ângelo Belitardo.
Mudança estrutural no modelo das Big Techs
Um dos principais pontos levantados pelo gestor é a transição das Big Techs de um modelo asset-light para um modelo asset-heavy, exigindo investimentos significativos em infraestrutura física. Empresas como Amazon, Microsoft, Meta e Google ampliam seus gastos com data centers e equipamentos.
Esse movimento altera uma característica histórica dessas companhias, que antes se destacavam por alta rentabilidade com baixo uso de ativos físicos. Agora, a necessidade de suportar aplicações de inteligência artificial impõe custos elevados e recorrentes.
“Hoje, Amazon, Microsoft, Meta e Google, principalmente, elas estão deixando de ser empresas asset-light para ser asset-heavy. São empresas que possuem ativos físicos e caros e que se depreciam muito rápido”, explica o gestor.
Pressão de CAPEX e impacto no fluxo de caixa
Os investimentos em CAPEX dessas empresas devem alcançar patamares elevados, podendo ultrapassar US$ 100 bilhões por companhia em 2026. Esse nível de gasto levanta questionamentos sobre a sustentabilidade financeira no médio prazo.
Além do volume, a velocidade de depreciação dos ativos, especialmente GPUs e infraestrutura de data centers, aumenta a pressão sobre margens e fluxo de caixa, o que pode levar a maior volatilidade nos resultados.
“Amazon, Microsoft, Meta e Google estão investindo cada uma ali em casas de 100 a 200 bilhões, cada uma, só em 2026, na construção de novos data centers, na compra de GPUs da NVIDIA, na compra de sistemas elétricos”, destaca Belitardo.
Gargalos de infraestrutura e risco de escassez
Outro fator relevante é a escassez de componentes e infraestrutura necessária para sustentar a expansão da inteligência artificial. Equipamentos elétricos, sistemas de energia e insumos para data centers já apresentam limitações de oferta.
Esse desequilíbrio entre oferta e demanda tende a elevar custos e atrasar projetos, impactando diretamente as projeções de crescimento das empresas do setor.
“A gente está vivendo uma escassez especialmente nos equipamentos elétricos, subestações, e não tem para todo mundo. Se as Big Techs estão querendo consumir infraestrutura de inteligência artificial e não tem para todas, o preço vai ficar muito mais caro”, alerta Ângelo Belitardo.
Impactos para investidores e valuations
Apesar da continuidade operacional das Big Techs, o cenário atual traz incertezas para investidores, especialmente em relação ao valuation dessas empresas. Segundo a análise, os preços das ações ainda refletem expectativas otimistas que podem não se concretizar no curto prazo.
A combinação de aumento de custos, desaceleração de crescimento e possível deterioração de indicadores financeiros tende a pressionar o desempenho dos ativos no mercado.
“O valuation, o preço das ações hoje dessas empresas, está mensurando um cenário muito positivo para elas ainda. Conforme esses resultados são divulgados, o preço da ação vai corrigindo e vai convergindo para um cenário mais pessimista”, pondera o gestor.
Infraestrutura de IA ganha protagonismo
Diante desse contexto, o gestor aponta que as oportunidades de investimento podem estar mais concentradas em setores que dão suporte à expansão das Big Techs, como infraestrutura de inteligência artificial, energia e semicondutores.
Empresas ligadas à construção de data centers, sistemas elétricos e cadeia produtiva de chips tendem a se beneficiar diretamente do aumento de demanda gerado pelas gigantes de tecnologia.
“Hoje, a gente prefere o setor que está alimentando as Big Techs, que é o setor de infraestrutura da inteligência artificial”, ressalta Belitardo.
Crescimento estrutural e perspectiva de longo prazo
O avanço da demanda por data centers e energia reforça uma tendência estrutural de longo prazo, com projeções indicando expansão significativa da capacidade global até 2030. Esse movimento é impulsionado pela digitalização da economia e pelo avanço da inteligência artificial.
Nesse cenário, empresas posicionadas na cadeia produtiva da tecnologia tendem a capturar valor de forma mais consistente, especialmente em um ambiente de transformação acelerada do setor.
“Hoje, os data centers são responsáveis por consumir 5% da energia elétrica total do mundo, e a tendência é que em até 2030 esse valor chegue a mais de 12%”, conclui Ângelo Belitardo.
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