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Ale-RR/Reprodução/Arquivo
O engenheiro civil Edilson Damião (União Brasil) deixou o governo de Roraima nesta quinta-feira (30), após ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a saída, ele entra para a história como a pessoa que comandou o estado pelo menor tempo: pouco mais de um mês – exatos 34 dias.
Damião assumiu o governo no dia 27 de março após a renúncia de Antonio Denarium (Republicanos). A cassação está ligada às eleições de 2022, quando ele era vice-governador de Denarium. Foram 6 votos favoráveis e um contra.
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Enquanto esteve no governo, Damião fez ao menos 11 trocas no alto escalão, promoveu eventos como o “Domingo no Parque” e participou da formalização de um acordo com a União para o repasse de R$ 115 milhões a Roraima, destinado a compensar gastos extraordinários do estado com o atendimento a migrantes venezuelanos.
“Os fatos ocorridos até o presente momento não me desanimam, pelo contrário, me dão força para continuar, em outra oportunidade, a missão de cuidar de forma direta do povo roraimense. Toda minha equipe estará a disposição para colaborar com o processo de transição para o governo interino”, disse ele.
Nova eleição
Nesta quinta-feira (30), com o resultado oficial da cassação de Damião o TSE determinou a realização de eleições diretas, ou seja, quando a população vai às urnas para escolher um representante.
Edilson Damião é o segundo governador de Roraima a ter o diploma cassado pela Corte Superior. Antes dele foi Flamarion Portela, em 2004.
Mandatos cassados no TRE
No TRE-RR, o número de cassações de governadores chega a quatro. Além de Flamarion, foram atingidos pelos processos Anchieta Júnior, que perdeu o mandato duas vezes em 2011, Chico Rodrigues, em 2014, e Antonio Denarium, cassado quatro vezes entre 2023 e 2024. Quando Damião teve mandato cassado no TRE, ele ainda era vice-governador. Todos eles foram cassados por crimes eleitorais.
À época da cassação de Flamarion, Ottomar Pinto era o segundo colocado e assumiu o governo do estado pouco depois. Não teve eleição suplementar.
As cassações de Anchieta ocorreram em fevereiro e dezembro de 2011. Ele ficou no cargo por meio de liminar até abril de 2014, quando deixou a função para disputar uma vaga no Senado Federal.
Chico Rodrigues, que é atual senador por Roraima, também conseguiu uma liminar e permaneceu no cargo até o fim do mandato.
Denarium teve o mandato cassado quatro vezes pelo TRE-RR, sendo duas delas em conjunto com Edilson Damião. Ele recorreu das decisões ao TSE e permaneceu no cargo até março de 2026, quando renunciou para disputar o Senado.
LEIA TAMBÉM:
1ª cassação
2ª cassação
3ª cassação (esta é a que iniciou o julgamento no TSE – relembre)
4ª cassação
Quem é Edilson Damião
Engenheiro Edilson Damião em 27 de março de 2026, quando tomou posse como governador de Roraima
Ale-RR/Divulgação
Edilson Damião Lima nasceu em Curitiba (PR). Filho de Cosmo Bessa Lima e Maria do Rosário Damião Lima, mudou-se com a família para Roraima em 1986. De família Católica, ele é casado com Gizely Damião, secretária de Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes), e tem três filhos.
Damião estudou em escola pública e concluiu o ensino médio na Escola Estadual Gonçalves Dias, em Boa Vista. Em 2003, formou-se em engenharia civil pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). Após se formar, trabalhou em empresas e construtoras da iniciativa privada.
Na área pública, integrou a Secretaria Municipal de Obras (SMO) de Boa Vista. Em 2004, foi aprovado em concurso da Secretaria Estadual de Infraestrutura de Roraima (Seinf), onde ocupou cargos de chefia. Entre 2010 e 2014, comandou o Departamento de Estradas e Transportes (Deit).
Entre 2016 e o segundo semestre de 2018, atuou em Brasília (DF) como assessor técnico no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e no Ministério dos Transportes. Nesse período, se especializou em infraestrutura de transportes.
No fim de 2018, aceitou convite do então interventor federal e governador eleito, Antonio Denarium, para assumir a Secretaria Estadual de Infraestrutura. Em 2022, pelo Republicanos, disputou a primeira eleição e foi eleito vice-governador em primeiro turno, com 56,47% dos votos válidos.
Também foi nomeado mais uma vez como secretário de Infraestrutura do estado. Ele deixou o cargo em fevereiro de 2026 para assumir o governo.
Ele voltou a comandar a Secretaria de Infraestrutura e deixou o cargo em fevereiro de 2026 para assumir o governo. Menos de um mês depois, em 17 de março, deixou o Republicanos e se filiou ao União Brasil. Também assumiu a presidência do partido em Roraima.
Em 2026, um relatório da Polícia Federal apontou o então governador como chefe do “braço operacional” de uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e desviar recursos públicos da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf), quando ele era secretário titular da pasta e vice-governador.
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