Pesquisadores acham a 3.000 metros no Pacífico uma “estrada de tijolos amarelos” que tem 145 milhões de anos

Você já imaginou que uma “estrada de tijolos amarelos” pudesse existir no fundo do oceano? Em 2022, pesquisadores do navio E/V Nautilus encontraram uma formação rochosa a 3.000 metros de profundidade no Pacífico que parece um caminho de tijolos dourados. Ela está lá há cerca de 145 milhões de anos, e o vídeo do momento da descoberta já foi visto mais de 5 milhões de vezes.

Onde fica a “estrada de tijolos amarelos” no fundo do oceano Pacífico?

A formação está localizada no cume do Monte Submarino Nootka, parte da Cordilheira Liliʻuokalani, no Monumento Marinho Nacional Papahānaumokuākea (PMNM), ao norte das Ilhas Havaianas.

O PMNM é uma das principais áreas de conservação marinha do mundo, maior do que todos os parques nacionais dos Estados Unidos somados. Apesar da dimensão, apenas cerca de 3% do seu fundo marinho foi explorado visualmente até hoje, tornando cada expedição ali uma abertura para o desconhecido.

Quando fragmentos de lava se resfriam rapidamente ao entrar em contato com a água, eles se depositam no fundo do mar, formando camadas densas e quebradiças

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Como a expedição chegou até essa formação no fundo do oceano?

A missão que revelou a formação foi chamada Luʻuaeaahikiikekumu e representou o primeiro levantamento visual da cadeia de montes submarinos Liliʻuokalani. Ela foi viabilizada por um mapeamento sonar realizado em 2021, que identificou as regiões prioritárias para a exploração seguinte.

A reação da equipe ao avistar a formação foi transmitida ao vivo e capturou a surpresa genuína dos pesquisadores. “Isso é o caminho para a Atlântida”, disse um deles. Outro respondeu imediatamente: “A estrada de tijolos amarelos?”. O momento tornou-se um dos registros mais comentados da expedição.

O canal EVNautilus, com mais de 669 mil inscritos no YouTube, publicou o vídeo completo da descoberta, que acumula mais de 5,1 milhões de visualizações. As imagens mostram a sequência de coleta de amostras e o exato instante em que a equipe avista a “estrada” no leito submarino:

O que é, de fato, a estrada de tijolos amarelos encontrada no Pacífico?

A formação não tem nada de artificial. Trata-se de um fluxo fraturado de rocha hialoclastita, um tipo de rocha vulcânica originada em erupções de alta energia. Quando fragmentos de lava se resfriam rapidamente ao entrar em contato com a água, eles se depositam no fundo do mar, formando camadas densas e quebradiças.

As fraturas em ângulo reto que criam o efeito visual de tijolos resultam do estresse provocado por ciclos repetidos de aquecimento e resfriamento em múltiplas erupções sucessivas nessa margem. Os pesquisadores descreveram a superfície ao vivo como uma “crosta assada” que parecia poder ser descascada com as mãos.

Além da “estrada”, a equipe coletou amostras de basaltos cobertos por crostas de ferromanganês em diferentes profundidades e pedaços de pedra-pomes com aparência esponjosa, materiais que alimentam estudos sobre comunidades microbianas que habitam as superfícies rochosas desses montes.

Qual é a idade geológica da cordilheira Liliʻuokalani?

Os montes submarinos da cordilheira Liliʻuokalani pertencem ao período Cretáceo, com idade estimada entre 66 e 145 milhões de anos. Para ter uma referência: os dinossauros não avianos se extinguiram há cerca de 66 milhões de anos, ou seja, parte dessas formações é anterior ao fim do Mesozoico.

As crostas de ferromanganês que revestem os basaltos crescem na ordem de poucos milímetros por milhão de anos, o que permite aos cientistas rastrear variações químicas do oceano ao longo de eras geológicas. Cada amostra coletada é, na prática, um arquivo geológico de alto valor.

A tabela abaixo reúne os principais dados técnicos da formação e do contexto em que foi encontrada, para facilitar a leitura comparativa das informações da expedição:

Característica Dado
Profundidade da formação Aproximadamente 3.000 metros
Idade geológica estimada Entre 66 e 145 milhões de anos (Cretáceo)
Tipo de rocha Hialoclastita fraturada
Localização Monte Submarino Nootka, Cordilheira Liliʻuokalani
Área protegida Monumento Marinho Nacional Papahānaumokuākea (PMNM)
Ano da descoberta visual 2022 (expedição Luʻuaeaahikiikekumu)

A estrada de tijolos amarelos é um recorte do quanto o oceano ainda guarda

Uma formação com 145 milhões de anos que remete a um filme do século XX só foi vista pela primeira vez em 2022. Isso resume, com precisão, o estado atual do conhecimento humano sobre o fundo do oceano profundo.

Enquanto o espaço recebe missões bilionárias e câmeras em tempo real, mais de 99,99% do leito marinho profundo permanece fora do alcance visual da ciência. A “estrada de tijolos amarelos” não é uma curiosidade isolada; é um recorte do quanto ainda resta por mapear, nomear e entender nas profundezas do planeta.

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