Há 313 anos, bandeirantes se fixaram num arraial cravado na Serra do Espinhaço, no Vale do Jequitinhonha, atrás de ouro e acabaram encontrando outra fortuna. Diamantina, antigo Arraial do Tejuco, foi a maior lavra de diamantes do mundo ocidental no século 18 e até hoje guarda esse legado nas ruas de pedra.
Como o Arraial do Tejuco virou a capital dos diamantes
O povoado começou em 1713, quando bandeirantes que buscavam ouro nos rios Pururuca e Grande ergueram uma capela dedicada a Santo Antônio nas encostas da Serra da Lapa. De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), os primeiros povoadores se fixaram na atual Rua do Burgalhau e formaram o núcleo do que viria a ser uma das cidades mais ricas do Brasil Colônia.
A virada veio em 1720, quando Bernardo da Fonseca Lobo descobriu diamantes na região. A pedra preciosa transformou o pequeno arraial num lugar de luxo e disputa, com regras próprias instituídas pela Coroa Portuguesa. Um código severo, conhecido como Livro da Capa Verde, controlava a vida dos garimpeiros. Foi nesse cenário que viveu Francisca da Silva de Oliveira, a Chica da Silva, escrava alforriada que se casou com o contratador João Fernandes de Oliveira. O Tejuco virou vila com o nome Diamantina em 1831 e cidade em 1838.

Por que a cidade ganhou título da UNESCO em 1999?
Diamantina foi tombada pelo IPHAN em 1938 e, em dezembro de 1999, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O conjunto arquitetônico colonial está entre os mais bem preservados do Brasil, com fachadas geometrizadas, ruas estreitas e os raros muxarabis, treliças de madeira de influência árabe quase inexistentes em outras cidades brasileiras.
O município ocupa 3.891,659 km² na Serra do Espinhaço, a 1.114 metros de altitude e 292 km de Belo Horizonte, com 47.702 habitantes pelo Censo 2022 e estimados 49.493 em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A altitude garante noites frescas mesmo no verão e justifica o apelido tupi original do arraial: Ybyty’ro’y, ou montanha fria.

O que visitar entre casarões coloniais e cachoeiras da Serra?
O centro histórico cabe num passeio a pé e o entorno guarda algumas das paisagens mais bonitas do Vale do Jequitinhonha. Veja paradas que resumem a cidade:
- Casa da Chica da Silva: residência do século 18 onde viveu a alforriada mais famosa do Brasil colonial, hoje museu com mais de 30 mil peças arqueológicas escavadas no terreno.
- Casa de Juscelino Kubitschek: museu instalado na residência de pau a pique onde JK viveu a infância e adolescência, com objetos pessoais e documentos.
- Passadiço da Casa da Glória: cartão-postal mais fotografado da cidade, dois sobrados ligados por uma passarela azul, hoje sede do Centro de Geologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
- Mercado Velho dos Tropeiros: estrutura de madeira em arco construída em 1835, com influência árabe e venda de produtos típicos do Vale.
- Catedral Metropolitana de Santo Antônio: marco religioso central, em estilo neogótico, dominando a Praça Conselheiro Mata.
- Parque Estadual do Biribiri: 16.999 hectares de Cerrado e Mata Atlântica criados em 1998, com cachoeiras, pinturas rupestres e o histórico vilarejo de Biribiri.
Quer conhecer Diamantina, cidade de riquezas no interior de Minas Gerais? Vai curtir esse vídeo do canal Boa Sorte Viajante, onde Matheus Boa Sorte mostra o destino:
A Vesperata e o som que sai das sacadas
Em algumas noites de sábado, entre abril e outubro, a Rua da Quitanda fecha para o trânsito e o público se acomoda no calçamento de pedra. Músicos sobem para as sacadas dos casarões coloniais e, sob regência de um maestro posicionado no meio da rua, tocam clássicos da música mineira e popular brasileira. Conforme o Instituto Estrada Real, a Vesperata é o evento mais singular da cidade e foi reconhecida como Patrimônio Cultural de Minas Gerais.
A musicalidade segue forte em outras manifestações. As serestas percorrem as ladeiras de pedra com violões e cavaquinhos, o Carnaval mantém blocos tradicionais e o Festival de Inverno da UFMG, em julho, leva oficinas, shows e exposições para casarões coloniais. A gastronomia mineira completa a experiência com tutu de feijão, frango com quiabo, ora-pro-nóbis e doce de leite cremoso servido em caldeirões de cobre.
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Quando ir e como é o clima em Diamantina?
O clima é tropical de altitude, com verões úmidos e invernos secos e amenos. Os 1.280 metros de altitude no centro histórico explicam as noites frescas mesmo em janeiro e o frio cortante de julho. Veja como cada estação se comporta:

Verão
17°C a 26°C
Estação marcada por verões úmidos e precipitações constantes. Busque roteiros cobertos explorando os museus e casarões do centro histórico.
CHUVA ALTA
Outono
14°C a 25°C
O clima de transição favorece passeios mistos. Assista à famosa Vesperata à noite e visite as cachoeiras de Biribiri.
CLIMA AMENO
Inverno
9°C a 23°C
Enfrente o frio cortante para participar do Festival de Inverno. Época perfeita para realizar trilhas com baixa chance de chuva.
MELHOR ÉPOCA
Primavera
13°C a 26°C
Aproveite a elevação dos termômetros para degustar a gastronomia local e acompanhar os diversos concertos realizados ao ar livre.
TEMPO ESTÁVEL
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Vale a pena conhecer a Cidade dos Diamantes
Diamantina é o tipo de lugar que parou no tempo da pedra preciosa. As ruas de pedra, os casarões com muxarabis árabes e a Vesperata fazem dessa cidade do Vale do Jequitinhonha uma das experiências culturais mais singulares de Minas Gerais.
Você precisa subir a Serra do Espinhaço num sábado de outono e ouvir uma orquestra tocar das sacadas iluminadas por velas, com o público parado no meio da rua de pedra.
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