A Usina de Itaipu completa nesta terça-feira (5), 42 anos desde o início da operação de sua primeira unidade geradora, em 1984. Localizada no Rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai, a usina se tornou um dos maiores símbolos da engenharia e da integração energética da América do Sul.
Mais de quatro décadas depois, no entanto, Itaipu segue no centro de uma discussão que vai além da geração de energia: o custo da eletricidade, a divisão da produção e o peso estratégico da hidrelétrica para os dois países.
Usina de Itaipu: a criação
Criada a partir de uma parceria entre os governos brasileiro e paraguaio, a Itaipu Binacional começou a ser estruturada na década de 1970. A empresa foi formada para construir e operar a hidrelétrica, que, na época, era a maior do mundo. A usina tem 20 unidades geradoras, com 700 megawatts cada, totalizando 14 mil megawatts de potência instalada. Pela regra binacional, Brasil e Paraguai têm direito a metade da energia produzida.
Apesar da divisão igualitária, a dependência energética dos dois países é diferente. O Paraguai consome uma parcela menor da energia a que tem direito e vende o excedente ao Brasil. Esse ponto está no centro das negociações sobre o futuro da usina, especialmente após a quitação da dívida de construção e a necessidade de revisão do chamado Anexo C do Tratado de Itaipu, que define as bases financeiras e as regras de prestação dos serviços de eletricidade.
Energia, tarifa e conta de luz
A discussão sobre Itaipu tem impacto direto no setor elétrico brasileiro. A energia gerada pela hidrelétrica entra no sistema nacional e abastece parte da demanda do país. Por isso, qualquer mudança nas regras de tarifa, comercialização ou repasse pode influenciar o custo da energia para distribuidoras e consumidores.
O Tratado de Itaipu, firmado em 1973, previa que, após 50 anos, haveria uma revisão do Anexo C. O ponto central é como ficará a nova modelagem tarifária da usina. Do lado paraguaio, há interesse em ampliar a remuneração pela energia que o país não consome. Do lado brasileiro, o foco é reduzir o custo da energia e garantir modicidade tarifária ao consumidor.
Atualmente, a tarifa de Itaipu ainda passa por um regime de transição. Segundo a Agência Brasil, o Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade de Itaipu para o período de 2024 a 2026 foi definido em US$ 19,28 por kW/mês, enquanto a tarifa comercializada pelo lado brasileiro está em US$ 17,66 por kW/mês, viabilizada por aporte extra da própria usina. A definição para os próximos anos deve ser resultado das negociações entre os dois países.
O peso de Itaipu para Brasil e Paraguai
A relevância de Itaipu não se mede apenas pela capacidade instalada. A usina é uma das maiores produtoras de energia limpa e renovável do mundo e, historicamente, ocupa papel relevante no abastecimento de Brasil e Paraguai. O peso, porém, é mais significativo para o Paraguai, onde a hidrelétrica representa parcela central da energia consumida no país. No Brasil, a participação é menor em termos percentuais, mas relevante para o sistema elétrico nacional.
Essa diferença explica parte da tensão nas negociações. Para o Paraguai, Itaipu é fonte de energia, receita e desenvolvimento. Para o Brasil, a usina é um ativo estratégico para garantir oferta energética, previsibilidade contratual e custo competitivo para consumidores e empresas.
A polêmica ambiental e social
A história de Itaipu também carrega um debate ambiental e social. A formação do reservatório alterou a paisagem da região, alagou áreas e marcou o desaparecimento das Sete Quedas, um patrimônio natural que ficava no Rio Paraná. O avanço da obra também provocou deslocamento de comunidades e mudanças profundas na dinâmica econômica e territorial da fronteira.
Esse legado faz com que o aniversário de Itaipu seja lembrado não apenas como marco de infraestrutura, mas também como um ponto de reflexão sobre os custos ambientais e sociais de grandes projetos energéticos.
O futuro da usina de Itaipu
Além da discussão tarifária, Itaipu passa por um processo de atualização tecnológica. O plano começou em 2022, tem previsão de 14 anos de implementação e deve seguir até 2035, com investimentos estimados em cerca de US$ 900 milhões. A modernização envolve equipamentos eletrônicos, sistemas computacionais, centro de controle e estruturas de operação da hidrelétrica.
A agenda mostra que Itaipu continua sendo uma peça estratégica para o setor elétrico. Aos 42 anos de geração, a usina permanece no centro de temas que envolvem energia limpa, diplomacia, custo da eletricidade, integração regional e segurança no fornecimento.
Mais do que uma obra de engenharia, Itaipu é um ativo econômico e político para Brasil e Paraguai. O desafio agora é definir como essa energia será precificada, dividida e utilizada em um momento em que o custo da eletricidade se tornou um tema sensível para consumidores, empresas e governos.
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