Ex que matou estudante no Paraguai monitorava redes sociais da vítima e não aceitava novo relacionamento da jovem


Ex que matou estudante no Paraguai se entrega à polícia em São Luís, MA
Vitor Rangel Aguiar, de 27 anos, que confessou ter matado a estudante de medicina Julia Vitória Sobierai Cardoso, no Paraguai, afirmou em depoimento que monitorava as redes sociais da vítima e a matou por não aceitar o novo relacionamento da jovem.
O suspeito se entregou à polícia na manhã de segunda-feira (4), na Casa da Mulher Brasileira, em São Luís, acompanhado de dois advogados. Ele foi ouvido por cerca de três horas e confessou o crime no Departamento de Feminicídio.
O assassinato aconteceu no dia 24 de abril, dentro do apartamento onde Julia morava com uma amiga, em Ciudad del Este, no Paraguai, na fronteira com o Paraná.
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Durante o depoimento, Vitor Rangel afirmou que monitorava as redes sociais de Julia sem ela saber. Além disso, contou que conseguiu, de forma clandestina, a senha do celular dela e, sempre que estava com a jovem, acessava as informações do aparelho, escondido da vítima. O homem ainda relatou que tinha as chaves do apartamento de Julia, também sem o conhecimento dela.
Vitor disse que matou a jovem porque não aceitava o fim do relacionamento que durou seis meses e chegou ao fim em fevereiro deste ano. O homem afirmou, ainda, que estava com ciúmes e desconfiava que Julia já estivesse em outro relacionamento.
“Ele disse que estava com ciúmes, que estava desconfiando de que a vítima já estivesse em outro relacionamento e, alega alguns lapsos de memória, não sabendo esclarecer todo passo a passo do crime. Mas, no final ele confessa”, relatou Wanda Moura, chefe do Departamento de Feminicídio no Maranhão.
A defesa do investigado também alegou que Vitor praticou o crime por Julia estar se relacionando com outra pessoa.
“Esse sentimento de pertencimento, de dono, que é isso o que interfere na relação. Segundo relato dele, ela tinha terminado o relacionamento com ele e estava com um relacionamento com outra pessoa e continuando tendo um contato esporádico com ele”, disse Pedro Jarbas, advogado de Vitor.
Ainda em depoimento, Vitor Rangel relatou que enforcou Julia e a torturou com vários golpes de tesoura de unha e depois a esfaqueou.
“Ele enforcou a vítima, a torturou com vários golpes, mais de 50 golpes de tesoura pequena na região do pescoço e depois a esfaqueou. Então, foram horas de sofrimento infligidas a essa vítima. Mas, pelo menos conseguimos prendê-lo. Isso não vai trazer de volta a vida dessa jovem, que tinha apenas 22 anos de idade, mas isso serve de exemplo que aqui no Maranhão, feminicidas não passarão”, declarou a delegada.
Justiça mantém prisão temporária do investigado
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César Hipólito/TV Mirante
A Justiça do Maranhão manteve, nessa segunda-feira (4), a prisão temporária de Vitor Rangel, durante audiência de custódia. Em seguida, ele foi levado para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís.
Segundo a Polícia Civil, apesar de Vitor Rangel ser natural de São Paulo, o processo contra ele vai tramitar no Maranhão, já que esse foi o último endereço do suspeito no Brasil.
Suspeito vai responder por feminicídio no Brasil
Vítor era considerado foragido desde o dia 24 de abril, data do crime, e tinha um pedido de captura internacional expedido pelas autoridades paraguaias. O suspeito deixou o Paraguai e chegou a São Luís seis dias depois do feminicídio, segundo sua defesa. Como o mandado de prisão da Justiça paraguaia não tem validade no Brasil, a Polícia Civil do Maranhão abriu um novo inquérito e solicitou à Justiça do estado a prisão do suspeito.
“Ao saber que ele havia ingressado no território nacional, mais especificamente em São Luís, comecei a investigar o caso e entrei em contato com as autoridades do Paraguai, que repassaram todas as informações levantadas lá. A partir disso, solicitei um mandado de prisão temporária, que foi decretado”, explicou a delegada Wanda Moura.
A defesa de Vítor informou à Polícia Civil que ele se apresentaria espontaneamente em São Luís. Com isso, o Departamento de Combate ao Feminicídio do Maranhão solicitou a prisão temporária de Vítor, o que foi aceito pela Justiça.
“Desde quinta-feira passada, quando o advogado de Vítor entrou em contato comigo dizendo que ele queria se apresentar, trabalhei o fim de semana todo no caso, buscando obter o mandado de prisão para evitar que ele fosse liberado, já que o mandado de prisão do Paraguai não tinha validade aqui no Brasil”, afirmou Wanda Moura.
A Polícia Civil do Maranhão recebeu todas as informações da investigação realizada no Paraguai. Com isso, Vítor responderá pelo crime no Brasil.
“A investigação agora é nossa, aqui no Departamento de Feminicídio. Ele está preso e será processado e julgado conforme as leis brasileiras”, destacou a delegada.
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O crime
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Julia Vitória foi morta por 58 golpes de tesoura de unha e outros sete de faca, segundo o Ministério Público do Paraguai. O crime aconteceu dentro do apartamento onde a jovem dividia com a amiga, em Cidade del Este, no Paraguai.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Vitor entra no prédio e sobe rapidamente as escadas até o imóvel onde Julia morava (veja acima). Toda a ação dura pouco menos de 30 segundos. Em depoimento à polícia, Vitor contou que tinha as chaves da casa da vítima sem que ela soubesse.
Segundo o promotor Osvaldo Zaracho Romero, da Procuradoria Regional de Ciudad del Este, a autópsia no corpo confirmou que ela também foi estrangulada. A investigação das autoridades paraguaias também apontou que o crime foi motivado pelo fim do relacionamento.
Julia era natural de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, e vivia há anos em Navegantes, no Litoral Norte do estado, com a família. Desde 2025, morava no Paraguai, onde cursava medicina na Universidad de la Integración de las Américas (Unida).
A mudança para o Paraguai foi motivada por um sonho de adolescência: cursar medicina e, depois, se tornar pediatra, segundo a amiga Sara Cazarotto. Julia era descrita por amigos como dedicada e estudiosa.
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