Corpo de maranhense encontrada morta em Portugal chega no Maranhão nesta quinta-feira (7)


Polícia de Portugal investiga desaparecimento de maranhense há 20 dias
Arquivo Pessoal
O corpo da maranhense Francisca Maria dos Santos, de 44 anos, encontrada morta em fevereiro deste ano em Viseu, em Portugal, após passar oito meses desaparecida, deve chegar ao fim da tarde desta quinta-feira (7) em São Bernardo, cidade a 380 km de São Luís, cidade natal da vítima.
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Segundo familiares, o corpo da maranhense chegou ao Brasil nesta quinta-feira (7), em um voo que pousou no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza (CE).
O velório da vítima estava previsto para ocorrer ao longo do dia. No entanto, devido a problemas na liberação do corpo pela Receita Federal, a cerimônia deve acontecer apenas à noite. O enterro está previsto na sexta-feira (8).
Após mobilização, família fez traslado
Familiares da maranhense informaram ao g1, na sexta-feira (1º), que conseguiram arrecadar a quantia necessária para fazer o traslado do corpo ao Brasil. Segundo Antônio José, irmão da vítima, como a família não tinha reunido recursos suficientes para o traslado, chegou a cogitar o sepultamento dela em Portugal.
No entanto, após arrecadar a quantia por meio de vaquinhas e rifas organizadas por amigos e parentes que vivem no Brasil e na Alemanha, os trâmites para trazer o corpo foram iniciados ainda na tarde de quinta-feira (30).
Família relata falta de assistência
Antônio José também demonstrou indignação com a atuação das autoridades portuguesas e com o Governo Brasileiro pela falta de apoio à família durante o período em que Francisca esteve desaparecida.
Segundo ele, os parentes só foram informados muito depois da imprensa sobre a localização do corpo da irmã e não receberam a assistência necessária para lidar com os trâmites burocráticos ao longo do processo.
“Foi um processo muito difícil, por exemplo, só ficamos sabendo que o corpo dela havia sido localizado muito tempo depois. Aqui no Maranhão, tentamos de tudo, enviei muitos e-mails, falamos com o embaixador, o Itamaraty, com políticos locais, mas ninguém conseguiu nos ajudar. Não é todo dia que morre um brasileiro lá fora nessas circunstâncias. Isso é muito revoltante”, disse o artista plástico.
Últimos registros
Polícia de Portugal investiga se corpo em Viseu é de maranhense desaparecida
Francisca foi vista pela última vez em 20 de junho, nas proximidades da casa onde morava, em Tabuaço, município do distrito de Viseu, local onde os restos mortais foram encontrados. Próximo ao corpo, segundo informações divulgadas pela imprensa local, estavam chaves e um par de tênis.
No dia do desaparecimento, a vítima teria saído de casa à noite para jogar o lixo em uma lixeira pública. De acordo com o irmão, Francisca tinha viagem programada para visitar a família no Maranhão.
Após o desaparecimento, Antônio viajou para Portugal para acompanhar as investigações. Ele chegou a criticar a demora inicial nas respostas e a condução das primeiras buscas.
Vida em Portugal
Francisca Maria dos Santos, de 44 anos, foi encontrada morta em fevereiro deste ano em Viseu, em Portugal, após passar oito meses desaparecida.
Reprodução/Redes Sociais
Natural do povoado Nova Esperança, no município de São Bernardo, no Maranhão, Francisca morava havia cerca de quatro anos em Portugal, na cidade de Tabuaço.
Segundo o irmão, Francisca informou à família que faria a viagem ao Brasil acompanhada do namorado. Após o relato, a Polícia Judiciária chegou a realizar buscas na casa do companheiro.
Francisca trabalhava como cozinheira em um restaurante e, segundo a família, estava bem integrada à cidade. No dia do desaparecimento, a televisão e as luzes da casa ficaram ligadas, o que levantou a suspeita de que ela possa ter saído às pressas.
O desaparecimento foi comunicado no dia seguinte pelo namorado, identificado apenas como Luis, que acionou a polícia portuguesa. O patrão da vítima também percebeu a ausência quando ela não compareceu ao trabalho.
Segundo Antônio, Francisca mantinha contato diário com a família por videochamadas e demonstrava estar feliz com a nova fase da vida em Portugal. O último contato com a família ocorreu em 20 de junho do ano passado.
O que diz o Ministério das Relações Exteriores
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa está ciente do caso e segue em contato com a família, oferecendo a devida assistência consular. Informou ainda que o “traslado de restos mortais de brasileiros falecidos no exterior realiza-se apenas em situações excepcionais e devidamente motivadas”. Leia a nota na íntegra.
“Prezados/as,
O Ministério das Relações Exteriores, por intermédio do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, tem conhecimento do caso e permanece em contato com a família da nacional, a quem tem sido prestada a assistência consular devida.
O atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família. A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional. Para conhecer as atribuições das repartições consulares do Brasil, recomenda-se consulta à seguinte seção do Portal Consular do Itamaraty.
O traslado de restos mortais de brasileiros falecidos no exterior realiza-se apenas em situações excepcionais e devidamente motivadas. As ações deste Ministério se fundamentam no disposto no art. 257 do Decreto nº 9.199/2017 e no Decreto nº 12.535/2025.
As solicitações feitas são analisadas à luz da legislação mencionada e o resultado da análise é comunicado diretamente à família.
Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros.
Atenciosamente”.
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