EUA cobram “oferta séria” do Irã após novos ataques

Embarcação interceptada pelo IrãReprodução/redes sociais

Os Estados Unidos esperam receber ainda nesta sexta-feira (08) uma resposta do Irã à proposta apresentada por Washington para encerrar os confrontos entre os dois países no Oriente Médio. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a Casa Branca quer uma “oferta séria” de Teerã enquanto tenta preservar o cessar-fogo anunciado pelo presidente Donald Trump.

A negociação ocorre em meio a novos episódios de confrontos, de pequena escala, no Estreito de Ormuz, principal rota marítima para o transporte global de petróleo.

Nesta sexta (08), o Comando Central dos EUA informou que forças estadunidenses atacaram dois petroleiros de bandeira iraniana que tentavam furar o bloqueio imposto por Washington no Golfo de Omã.

Segundo os militares, caças F/A-18 Super Hornet dispararam munições de precisão contra as embarcações Sea Star III e Sevda, atingindo as chaminés dos navios e impedindo que eles chegassem a um porto iraniano. Na quarta-feira (06), outro petroleiro iraniano já havia sido interceptado.

Os ataques ocorreram um dia depois de os EUA bombardearem instalações militares iranianas que, segundo Washington, estavam ligadas a ofensivas contra navios americanos no Estreito de Ormuz. O Irã afirma que áreas civis foram atingidas. O ministro das Relações Exteriores iraniano classificou a operação americana como uma “aventura militar imprudente”.

Apesar da escalada, Trump afirmou na quinta-feira (07) que o cessar-fogo “permanece em vigor”.

Ameaças no Estreito de Ormuz

A tensão aumentou após a CNN obter uma gravação atribuída à Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. No áudio, uma voz orienta embarcações comerciais a se manterem a pelo menos 16 quilômetros de navios de guerra estadunidenses.

“Às vezes precisamos dar uma lição aos ianques com mísseis e drones”, afirma a gravação transmitida pelo canal internacional de emergência marítima.

Fontes do setor naval relataram à emissora que houve “intensos tiroteios” na região na quinta-feira (07). Segundo essas fontes, embarcações que estavam na parte norte do estreito receberam ordens iranianas para seguir em direção a Dubai.

O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) afirmou que o tráfego no Estreito de Ormuz continua “significativamente reduzido”. O órgão também alertou que operar na região segue sendo “de alto risco” diante dos ataques recentes e das ações de fiscalização ligadas ao bloqueio naval.

Pressão sobre o cessar-fogo

A crise também provocou novos episódios de violência fora do território iraniano. Três pessoas ficaram feridas nos Emirados Árabes Unidos após ataques lançados a partir do Irã, segundo autoridades locais.

No Líbano, bombardeios israelenses mataram ao menos 12 pessoas na quinta-feira (07), informou o Ministério da Saúde libanês.

O medo dos governos agora é que a rodada de negociações fracasse e abra espaço para uma guerra regional mais ampla, com impacto direto no preço do petróleo e no transporte marítimo internacional.

Uma fonte ligada ao setor marítimo iraniano afirmou à CNN que as chances de uma “resolução amigável” continuam baixas.

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