Os competentes que não sabem se comunicar vão ficar para trás

O balanço dos dois primeiros dias da Brazilian Week MONEY REPORT não poderia ser melhor: em todos os eventos, casa cheia, nível altíssimo de convidados e conteúdo de primeira. Clima de confraternização e empresários totalmente abertos para as aproximações que ocorrem nesses momentos. É interessante ver que pessoas normalmente assediadas e arredias no dia a dia parecem leves e receptivas a abordagens de estranhos nos eventos realizados em Nova York. Não é por outra razão que o índice de negócios feitos por metro quadrado é enorme nos encontros promovidos nesta semana.

No meio de um dos seminários que participei, diante de uma performace mediana de um speaker, percebi que a maior preocupação de todo o moderador de debates e palestras é verificar o nível de atenção da audiência. A concentração da plateia, nos dias de hoje, é muito pequena. Basta um tom de voz monocórdio ou um tema desinteressante e voilá! A tela do smartphone é destravada, o participante desliga-se do evento e entra no mundo virtual, acessando notícias e assistindo vídeo.

Em todos os painéis de nossos eventos, vi os celulares serem acionados com frequência apenas uma vez: foi o caso de um palestrante, muito técnico, que falava baixo e não modulava sua voz. Em um determinado momento das exposições, mais da metade da plateia estava absorta pelo conteúdo de seus celulares. Felizmente, este painel foi curto e os dois seguintes mostraram grande agilidade e mantiveram a atenção em alta.

Cada vez mais, a capacidade de comunicação de um palestrante (ou debatedor) é levada em consideração por quem realiza eventos. Neste caso específico, ocorrido em Nova York, não havia como fazer esse ‘background check’, pois quem fez o speech era americano e não tinha registro de explanações em vídeo. Mesmo assim, é bom reforçar: o conteúdo era muito bom; a forma é que deixou a desejar.

Durante muito tempo, as contratações nas empresas levavam em consideração prioritariamente a capacidade técnica dos candidatos a uma determinada vaga. Em um futuro próximo, no entanto, haverá a premissa de que tecnicamente os candidatos terão o mesmo nível (a Inteligência Artificial pode nivelar o conhecimento dos profissionais). O que faria a maior diferença para os postulantes a uma vaga? A capacidade de comunicação.

Nos Estados Unidos, é muito comum encontrar no currículo do ensino médio matérias que ensinam oratória ou debates. Esse tipo de treinamento pode colocar uma carreira nos trilhos. Mas quem não se comunica bem dificilmente terá uma trajetória de sucesso daqui para frente.

Esse é um pacote que envolve todas as redes sociais, do TikTok ao Instagram, do LinkedIn ao Substack. Recrutadores olham essas redes para entenderem não apenas o lado técnico dos candidatos, mas também o que eles fazem e pensam em seus momentos de lazer. E como comunicam essas ideias e atos do dia a dia.

A movimentação desses dias em Nova York mostra que reputação técnica abre caminho, mas é a maneira de se colocar diante dos outros que sustenta relações e oportunidades. A audiência corporativa o já percebeu que conhecimento se replica com facilidade, mas carisma, não. A diferença entre avançar e ficar para trás está na capacidade de transformar ideias em discurso claro e convincente, seja no palco, seja nas redes. Quem domina essa linguagem circula com naturalidade. Quem não domina descobre, pouco a pouco, que competência silenciosa perdeu espaço.

*Coluna escrita por Aluizio Falcão Filho, é jornalista, articulista e publisher do portal Money Report. Foi diretor de redação da revista Época e diretor editorial da Editora Globo, com passagens por veículos como Veja, Gazeta Mercantil, Forbes e a vice-presidência no Brasil da agência de publicidade Grey Worldwide

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