
Figurantes que participaram do longa-metragem Dark Horse (2026) relatam maus-tratos, assédio e cachês de R$ 100. De acordo com um relatório que reúne denúncias registradas pelo canal do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED-SP), nos bastidores da produção, as condições de trabalho eram abusivas, com relatos de comida estragada, assédio moral recorrente e agressão física.
Condutas abusivas e comida estragada
Entre as denúncias recebidas, segundo o documento, também está a realização de revista íntima. Conforme o dossiê da SATED/SP, figurantes brasileiros eram submetidos, logo pela manhã, a revistas pessoais realizadas por seguranças de produção. De acordo com os relatos coletados, a ação foi classificada como “abusiva, invasiva e humilhante”.
Além disso, os trabalhadores relataram tratamento diferenciado, que destoava “das condições mínimas normalmente asseguradas em produções audiovisuais de porte semelhante”, e fornecimento de comida estragada.
- Flávio recebeu R$ 61 mi de Vorcaro para filme sobre Bolsonaro
Cachês baixos
Os valores pagos para os figurantes também foram alvos de denúncia. Segundo o documento, a agência responsável pelo recrutamento desses trabalhadores ofertava R$ 100 para figurantes e R$ 170 para elenco de apoio.
A SATED/SP recebeu uma gravação de áudio de suposto aliciamento de figurantes brasileiros, com cobrança de R$ 10 pelo transporte até as locações de filmagem. Esse valor seria cobrado à vista ou descontado diretamente do cachê da diária, no final do dia de gravação.
O iG entrou em contato com a produtora GOUP Entertainment, contudo, não tivemos retorno. O espaço segue aberto.
Sobre o longa
O filme Dark Horse é inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro (PL). A produção reúne atores de Hollywood e artistas conhecidos da televisão brasileira para interpretar personagens ligados ao ex-presidente e à eleição de 2018.
O filme voltou aos holofotes com a divulgação de um áudio, pelo Intercept Brasil, de Flávio Bolsonaro (PL) cobrando de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pagamento de aproximadamente R$ 61 milhões em parcelas atrasadas para financiar o filme biográfico.

Com estreia prevista para 11 de setembro de 2026, segundo publicação do ator Jim Caviezel no Instagram, o filme foi gravado principalmente em São Paulo.
O longa foi produzido em inglês, com financiamento privado e direção de Cyrus Nowrasteh. O roteiro foi escrito por Cyrus, Mark Nowrasteh e pelo ex-secretário especial da Cultura Mário Frias (PL), que também atua como produtor executivo e interpreta um dos médicos responsáveis pela cirurgia de Bolsonaro após o ataque a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018.
