
A D1 Capital concluiu a aquisição de 100% da TRC Engenharia de Sistemas, empresa especializada em soluções de comunicação para missão crítica. Com a operação, a plataforma formada por Alcon e Kofre passa a incorporar a TRC e adota uma nova marca: Aldak.
Os valores da transação não foram divulgados. A empresa também não abre detalhes sobre a estrutura da operação. Segundo informações da companhia, a compra já foi concluída e faz parte de uma estratégia de consolidação no mercado de conectividade e comunicação crítica no Brasil.
Com a integração das três operações, a Aldak projeta receita líquida anual de R$ 520 milhões em 2026. Em 2025, o faturamento combinado do grupo foi de R$ 400 milhões. A companhia também informa ter 2 mil clientes ativos e backlog de receitas contratadas de R$ 1,2 bilhão.
O que é comunicação crítica?
A comunicação crítica reúne tecnologias usadas em operações nas quais falhas de conexão podem afetar segurança, produtividade e continuidade dos serviços. Esse tipo de solução é aplicado em setores como energia, mineração, óleo e gás, aeroportos, logística, infraestrutura, utilities, indústria e papel e celulose.
Na prática, são sistemas que conectam equipes em campo, centros de controle, ativos industriais, equipamentos e operações remotas. O portfólio pode incluir radiocomunicação, redes privativas, videomonitoramento, IoT industrial, dispositivos robustos, serviços gerenciados e suporte técnico.
A tese da D1 Capital é montar uma plataforma nacional com escala, capacidade técnica e portfólio ampliado para atender empresas que operam ambientes de alta complexidade.
Aquisição amplia presença em setores estratégicos
A compra da TRC é a segunda aquisição do grupo em um ano. Com a transação, a Aldak reforça sua atuação em papel e celulose e amplia presença em verticais como energia, mineração, óleo e gás, logística, municipalidades, indústria, infraestrutura e utilities.
A empresa afirma atender 16 das 20 maiores mineradoras do país, 8 dos 10 maiores aeroportos e 2 das 3 maiores produtoras de papel e celulose do Brasil. A companhia também informa contar com a maior rede de assistência técnica do país dentro de sua área de atuação.
“Nosso foco é destravar valor por meio do crescimento orgânico. No nosso primeiro ano de operação na Kofre, por exemplo, crescemos 43% organicamente. Ao mesmo tempo, seguimos atentos a oportunidades de aquisição, como foi o caso da TRC. Essa combinação de crescimento orgânico com inorgânico permitiu multiplicar a receita em 5,7 vezes e o EBITDA em 7,0 vezes em três anos”, afirma Felipe Pereira, CEO da Aldak.
Grupo aposta em redes privadas, 5G e IoT industrial
A consolidação da Aldak ocorre em um momento em que empresas de infraestrutura e setores regulados ampliam investimentos em conectividade privada, automação e digitalização de operações críticas.
Em janeiro, o grupo venceu uma concessão para atender a Cemig em um contrato que prevê a implantação da maior rede 4G privada do Brasil, segundo a companhia. A empresa também fechou, no primeiro trimestre, dois contratos com a Petrobras voltados ao fornecimento de dispositivos robustos, tablets, smartphones e crachás inteligentes para apoiar a segurança de equipes em plataformas e refinarias.
“Estamos executando uma tese de consolidação rigorosa: ser o parceiro único e definitivo para empresas que operam em ambientes de missão crítica. O contrato com a Cemig é a prova de que nossa escala e competência técnica já nos colocam em um novo patamar de entrega”, afirma Matheus Silva, COO da Aldak.
A estrutura combinada da Aldak terá 725 colaboradores, presença em todas as regiões do país e capacidade para executar projetos de alta complexidade. A companhia também passa a ter uma base instalada de 150 mil equipamentos e sistemas, além de contratos de longo prazo com empresas que operam infraestruturas críticas.
Rebranding marca nova fase da plataforma
A criação da Aldak também representa a reorganização da identidade corporativa do grupo. A nova marca passa a reunir Alcon, Kofre e TRC sob uma mesma estrutura, sem alteração imediata nos contratos, canais de atendimento, equipes responsáveis ou compromissos assumidos com clientes.
Segundo a companhia, a transição será gradual. O objetivo é preservar a continuidade dos serviços enquanto a empresa amplia capacidade técnica, escala nacional e atuação em novas tecnologias, como LTE privado, 5G e IoT industrial.
“A Aldak nasce da combinação de empresas com trajetórias complementares e forte presença em campo. Nosso foco é preservar a continuidade dos serviços, ampliar a capacidade técnica e oferecer uma estrutura ainda mais robusta para clientes que operam em ambientes onde falhas de comunicação podem gerar impactos relevantes de segurança e produtividade”, afirma Matheus Silva.
Consolidação mira infraestrutura essencial
A operação mostra como fundos e plataformas de investimento têm buscado consolidar mercados fragmentados ligados à infraestrutura essencial. No caso da Aldak, a aposta está em um segmento pouco visível para o consumidor final, mas central para empresas que dependem de comunicação estável, segura e contínua.
Com a compra da TRC, a D1 Capital amplia sua presença em um mercado associado à digitalização de ativos industriais, conectividade privada e segurança operacional. A meta de receita líquida de R$ 520 milhões em 2026 indica crescimento de 30% em relação ao faturamento combinado de R$ 400 milhões registrado em 2025.
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