Fundada em 1733 e a 68 km de Curitiba: a cidade da Serra do Mar onde o barreado virou Indicação Geográfica do Paraná

Fundada em 1733 e a 68 km de Curitiba: a cidade da Serra do Mar onde o barreado virou Indicação Geográfica do Paraná

Encaixada entre os picos da Serra do Mar e a Baía de Paranaguá, uma vila histórica de cerca de 16 mil habitantes preserva o ritmo dos tropeiros do século XVIII. Morretes nasceu como ponto de parada de mineradores e viajantes que desciam a serra rumo ao litoral paranaense e hoje é o destino certo para quem quer combinar barreado, casarões coloniais e um dos passeios de trem mais celebrados do Brasil.

O município que prosperou com a erva-mate e a chegada do trem

A cidade foi fundada em 31 de outubro de 1733 por Rafael Pires Pardinho, no fundo do vale do Rio Nhundiaquara. O nome vem dos morros que cercam o povoado, e a região serviu como ponto de apoio durante o ciclo do ouro e, depois, no comércio da erva-mate processada nos engenhos do entorno do porto de Paranaguá.

A inauguração da ferrovia Paranaguá-Curitiba, em 1885, mudou a vida da vila. O trem encurtou a viagem da serra ao litoral e tirou o protagonismo comercial da cidade, que se voltou ao turismo. Hoje, a antiga ponte ferroviária sobre o Nhundiaquara segue de pé, como testemunha desse passado de tropeiros e máquinas a vapor.

Morretes, Paraná // Créditos: Wikipedia

O barreado que entrou para a lista de produtos com Indicação Geográfica

De origem açoriana, o barreado é o prato que define o destino paranaense. A carne bovina cozinha lentamente por cerca de 12 horas em panela de barro lacrada com farinha de mandioca e água, até desmanchar no caldo. Em 2024, o prato recebeu a Indicação Geográfica (IG) do Governo do Paraná, tornando-se o 100º produto brasileiro a obter o registro.

Os restaurantes do centro histórico disputam variações da receita secular. Segundo a Associação de Restaurantes da cidade, os estabelecimentos associados servem entre 2,5 mil e 3 mil pratos por fim de semana. O ritual de misturar a farinha ao caldo fervente, acompanhar com banana e dar a primeira garfada é parte essencial da experiência.

Morretes, Paraná // Créditos: Wikimedia Commons

Quais atrações não podem ficar de fora do roteiro?

O destino paranaense combina centro histórico compacto e natureza preservada nos arredores. Vale reservar pelo menos um dia inteiro para conhecer com calma.

  • Centro histórico: ruas de paralelepípedo à beira do Rio Nhundiaquara, com casarões coloniais que abrigam restaurantes e ateliês.
  • Igreja Nossa Senhora do Porto Menino Deus: templo barroco de 1769, com sino que marca o ritmo da cidade.
  • Igreja de São Benedito: cuja Irmandade foi fundada na vila em 1760.
  • Parque Estadual Pico do Marumbi: criado em 1990, abriga o pico de 1.539 metros, principal destino de montanhismo do estado.
  • Rio Nhundiaquara: corta a cidade e oferece boia-cross, caiaque e banhos refrescantes nas margens.
  • Estrada da Graciosa: 40 km de rodovia atravessando o trecho mais preservado de Mata Atlântica do país.

Quem deseja planejar a viagem perfeita para o paraíso das águas cristalinas e da história colonial vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal viajando barato, que conta com mais de 5 mil visualizações, onde é apresentado um roteiro completo com praias, passeios e dicas do que fazer em Morretes, Paraná:

Uma das estradas mais bonitas do Brasil leva o nome certo

A Estrada da Graciosa (PR-410) liga Curitiba ao litoral paranaense atravessando a Serra do Mar. Foi construída entre 1854 e 1873, na época da emancipação da Província do Paraná, e ainda preserva 8 km de paralelepípedo original. Em 1993, o trecho serrano foi declarado Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Cachoeiras, riachos, hortênsias e mirantes panorâmicos pontuam o caminho. Para o pico do Marumbi, o acesso pode ser feito pela Graciosa ou diretamente pela ferrovia, conforme o Instituto Água e Terra (IAT), autarquia ambiental do estado.

Quando é a melhor época para descer a serra?

O clima é subtropical úmido, com chuvas concentradas no verão. O inverno seco e fresco é considerado a melhor temporada para o passeio de trem, com céu limpo e visibilidade longa na Serra do Mar.

🍲
Verão
Dezembro a Fevereiro
22°C a 28°C

Clima quente e bastante chuvoso na base da serra paranaense. Estação ideal para praticar o emocionante boia-cross no rio Nhundiaquara e saborear o barreado.
☔ CHUVA ALTA

🏛
Outono
Março a Maio
17°C a 27°C

As pancadas tropicais reduzem consideravelmente o ritmo. Aproveite as temperaturas amenas para fazer trilhas no Pico Marumbi e caminhar pelo centro histórico.
🌤 CHUVA MÉDIA

🚂
Inverno
Junho a Agosto
14°C a 22°C

A janela de ouro e melhor época turística da região! Céu limpo e seco propício para o fascinante passeio de trem com céu aberto e visibilidade longa na Graciosa.
⭐ VISIBILIDADE ALTA

🌊
Primavera
Setembro a Novembro
16°C a 26°C

Os termômetros voltam a subir acompanhados por umidade regular. Janela muito convidativa e florida para registrar cachoeiras e praticar o montanhismo.
🌸 CHUVA MÉDIA

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar saindo de Curitiba?

O destino fica a cerca de 68 km da capital paranaense pela BR-277, com acesso pela PR-408, em trajeto rápido de aproximadamente 1h de carro. A alternativa cênica é a Estrada da Graciosa, mais sinuosa, que sai pela BR-116. O passeio de trem da Serra Verde Express parte da Rodoferroviária de Curitiba às 8h15 e leva cerca de 2h até a cidade, atravessando pontes, túneis e a Mata Atlântica preservada.

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Conheça a cidade onde o barreado virou patrimônio

O destino paranaense reúne história colonial, gastronomia de panela de barro e uma das paisagens de serra mais marcantes do Brasil. É um daqueles lugares que cabem num bate e volta, mas pedem mais tempo para serem realmente sentidos.

Você precisa descer a Graciosa devagar, sentar à beira do Nhundiaquara e provar o barreado para entender por que Morretes conquistou um lugar definitivo nos roteiros do sul do país.

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