Boletim Focus: mercado eleva inflação de 2026 para 5,04% e mantém Selic em 13,25%

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O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação de 2026. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (25), a estimativa para o IPCA passou de 4,92% para 5,04%, marcando a 11ª semana consecutiva de alta nas expectativas.

O movimento reforça a preocupação com a persistência inflacionária. A nova projeção coloca o IPCA novamente acima do teto da meta, em um cenário que mantém o Banco Central pressionado a conduzir a política monetária com cautela.

Ao mesmo tempo, a expectativa para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu estável em 13,25% ao ano. Para 2027, a projeção também não mudou, ficando em 11,25% ao ano. A leitura é de que o mercado segue enxergando juros elevados por mais tempo, mesmo com alguma melhora pontual nas estimativas de atividade.

A projeção para o crescimento do PIB de 2026 subiu levemente, de 1,85% para 1,89%. Já para 2027, houve revisão para baixo, de 1,77% para 1,70%, sinalizando maior cautela com o ritmo da economia no próximo ano.

Indicador Projeção anterior Projeção atual Movimento
IPCA 2026 4,92% 5,04% Alta
IPCA 2027 4,00% 4,01% Alta marginal
PIB 2026 1,85% 1,89% Alta
PIB 2027 1,77% 1,70% Queda
Selic 2026 13,25% 13,25% Estável
Selic 2027 11,25% 11,25% Estável
Câmbio 2026 R$ 5,20 R$ 5,17 Queda
IGP-M 2026 5,63% 5,91% Alta

Além da inflação medida pelo IPCA, o Focus também mostrou avanço na projeção para o IGP-M de 2026, que passou de 5,63% para 5,91%. O indicador é acompanhado pelo mercado por sua influência em contratos, reajustes e preços no atacado.

Já a estimativa para o câmbio em 2026 recuou de R$ 5,20 para R$ 5,17. Ainda assim, o conjunto dos dados mostra um cenário desafiador: inflação mais alta, juros elevados e crescimento econômico moderado.

Entre os principais pontos do relatório estão:

  • inflação mais pressionada, com o IPCA de 2026 acima de 5%;
  • Selic estável em patamar elevado, indicando juros altos por mais tempo;
  • PIB de 2026 com leve melhora, mas ainda abaixo de 2%;
  • projeção menor para o PIB de 2027, o que sugere perda de fôlego à frente;
  • IGP-M em alta, reforçando atenção a outros indicadores de preços.

O cenário reforça o desafio do Banco Central. A autoridade monetária precisa lidar com expectativas de inflação em deterioração, ao mesmo tempo em que a atividade econômica ainda mostra alguma resistência.

Para o mercado, a combinação de IPCA acima da meta e Selic elevada tende a manter o custo do crédito pressionado. Isso pode afetar investimentos, consumo e a recuperação mais forte da economia ao longo dos próximos trimestres.

Análise de mercado

A leitura do Focus também reforça a atenção do mercado à combinação entre juros elevados, inflação ainda pressionada e crescimento moderado. Para Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, o cenário exige monitoramento de liquidez e risco, já que a manutenção da Selic em patamar alto condiciona o custo do capital e o fluxo de crédito estruturado.

“Para o mercado, a principal atenção deve ser a evolução da inflação nos próximos meses; qualquer desvio poderá gerar necessidade de ajuste nas estratégias de financiamento e na alocação de capital corporativo”, avaliou Assis.

Na mesma linha, João Kepler, CEO da Equity Group, afirma que a leve elevação da inflação projetada indica que o mercado ainda considera possível pressão nos próximos meses, especialmente em serviços e energia.

“Para o Copom, a incerteza sobre a persistência dessas pressões em serviços e energia pode impactar decisões sobre o ritmo de cortes futuros, exigindo que investidores se mantenham atentos à evolução do cenário macro”, destacou Kepler.

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