Produtores apostam em chuvas da primavera para impulsionar plantio no interior de SP


Plantação de amendoim em Regente Feijó (SP)
Helder Lamberti/Arquivo pessoal
A primavera começa oficialmente na segunda-feira (22), às 15h19 (horário de Brasília), e a estação deve beneficiar os agricultores do Oeste Paulista que aguardam as chuvas para começar o plantio.
Este é o caso de Helder Lamberti, de 30 anos, produtor e empresário de Regente Feijó (SP), que cultiva amendoim em uma área entre 700 e 800 hectares. “Agora, com a chegada da primavera, que é a época de plantio no estado de São Paulo, estamos aguardando as chuvas, que estão marcadas para o domingo (21) e segunda-feira (22)”.
“Alguns produtores podem começar a plantar e nós, provavelmente, vamos começar a colocar alguma semente no chão. O plantio começa geralmente agora, do final de setembro para outubro, com a chegada das chuvas”, destacou.
Segundo o especialista em meteorologia agrícola, Alexandrius de Moraes Barbosa, professor da Unoeste, a previsão é que as condições climáticas realmente estejam favoráveis, com chuvas e temperaturas pouco mais baixas em comparação aos anos anteriores.
“De maneira geral, os modelos de previsão indicam condições climáticas para a primavera de 2025 em relação aos últimos anos (2023 e 2024), com chuvas dentro da normalidade e principalmente, temperaturas pouco mais baixas do que as observadas em nos últimos anos”, afirmou o especialista.
Expectativa para a produção
A produção de amendoim na família de Helder começou pelo pai, produtor há quase 20 anos, enquanto o empresário começou há oito anos. “A gente planta aqui na casa dos 700 hectares, vamos falar que a gente produz anualmente 3 mil toneladas de amendoim em casca”.
Já a colheita está prevista para a partir de fevereiro ou março de 2026, em que o ciclo do amendoim leva aproximadamente 130 dias. Entretanto, se o calor permanecer, pode dificultar a produção, segundo Helder.
“Nessa onda de calor que está vindo, do dia 18 até dia 22/09, não vai afetar muito a gente. A terra resseca, então se vier a chuva, a gente planta. Agora se continuar um calor desse, tirar a umidade do solo dessa forma e não chover, a gente tem que aguardar mais chuvas para poder dar início ou sequência no plantio”, reforçou.
O plantio de amendoim tem diversos destinos, desde mercado interno, até a exportação. “Vai para indústria de doce, pasta de amendoim, ração animal, em forma de farelo, óleo de amendoim, agora estão buscando introduzir na ração de pets, então vai para exportação, mercado interno, paçoca, pé de moleque, tem inúmeras utilidades”, destacou o produtor.
Plantação de amendoim em Regente Feijó (SP)
Helder Lamberti/Arquivo pessoal
Além da questão climática, que pode influenciar no plantio, os produtores ainda precisam lidar com a possibilidade de diminuir a safra ente 20% e 30%, em comparação com a safra anterior.
“O motivo da diminuição de área são alguns fatores que impactam. O primeiro de todos é a rentabilidade do produtor. O preço do saco do amendoim caiu mais de 40% dos últimos 2, 3 anos para cá”, alertou Helder.
Isso aconteceu devido à área plantada de amendoim ter expandindo para outros estados. “Coincidiu com os outros grandes países produtores terem safras muito boas, grandes e cheias, sem nenhum problema climático. Então ficou um volume muito grande de amendoim ofertado no mundo inteiro”.
Segundo o produtor, o Brasil é um dos pilares na produção de amendoim e com a concorrência, isso afeta na rentabilidade do produtor. “A gente vem para o custeio, para a próxima safra, muitos produtores não estão conseguindo custeio e acaba diminuindo muito o plantio para a próxima safra”, reforçou.
Outras culturas
Na cultura de mandioca e milho, Marcos Xavier de Almeida Passos, de 57 anos, produtor de Martinópolis (SP), vive a expectativa de que a chegada das chuvas previstas ajude a recuperar a produção.
“Aqui na nossa região está com seca elevada e pouca umidade, com isso, algumas atitudes tiveram que ser tomadas, tais como a parada da colheita de mandioca, por conta que o maquinário não adentra o solo e quando consegue adentrar, acaba prejudicando as raízes”, destacou.
A estiagem dos últimos meses também atrasou o plantio, que poderia ter começado em agosto. “No cultivo, eu sou pioneiro! São 72,6 hectares de mandioca, para indústria, e 33,5 hectares de milho, para silagem.”
No caso da mandioca, Marcos produz de 40 a 55 toneladas por alqueire — equivalente a 2,42 hectares — em um período de 12 meses. Já o milho, dependendo do tempo, leva cerca de 90 dias para a produção, com aproximadamente 80 toneladas por alqueire.
Alexandrius de Moraes Barbosa, professor de Agrometeorologia do centro Unoeste Clima, em Presidente Prudente, reforçou que o início da primavera caracteriza o plantio da safra verão, principalmente das culturas da soja, amendoim, milho, batata-doce, etc.
“A primavera é caracterizada pelo período de transição da estação seca (inverna) para a chuvosa (verão). Nessa estação ocorre o aumento do comprimento do dia, da radiação solar, da temperatura e do retorno das chuvas”, finalizou.
Plantação de mandioca e milho em Martinópolis (SP)
Marcos Xavier/Arquivo pessoal
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