No norte de Santa Catarina, entre a Serra do Mar e a Baía da Babitonga, fica a maior cidade do estado, com 616 mil habitantes segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022. Joinville foi colonizada por imigrantes alemães, suíços e noruegueses em 1851, ganhou o nome de um príncipe francês que nunca pisou em suas terras e hoje abriga a única filial do Teatro Bolshoi fora da Rússia.
A colônia que ganhou nome de príncipe e dote de princesa
A história do destino catarinense é uma raridade de cruzamentos entre realezas. As terras faziam parte do dote de casamento da princesa Francisca Carolina de Bragança, irmã de Dom Pedro II, ao se unir em 1843 ao príncipe francês François Ferdinand de Orléans, o Príncipe de Joinville e filho do rei Luís Filipe I da França.
No dia 9 de março de 1851, a barca Colon atracou às margens do rio Cachoeira com 118 imigrantes vindos da atual Alemanha, da Suíça e da Noruega, fundando oficialmente a Colônia Dona Francisca. Em 1852, o povoado adotou o nome do príncipe francês, ainda que ele jamais tenha visitado a colônia. Por curiosidade histórica, a Alemanha só seria unificada em 1871, ou seja, 20 anos depois da chegada dos colonos.

O único Bolshoi fora da Rússia em 224 anos de história
Em 15 de março de 2000, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil abriu as portas no Centreventos Cau Hansen, ocupando 6 mil m² no coração da cidade. É a única filial do Bolshoi fora de Moscou em 224 anos de existência da instituição russa, fundada em 1776.
A escola ensina a metodologia Vaganova, a mesma aplicada na sede original, e concede bolsa integral a todos os alunos selecionados. Em 25 anos de atividade, já formou cerca de 480 bailarinos, vários deles contratados por companhias na Rússia, na Inglaterra e nos Estados Unidos. As visitas guiadas mostram salas de aula, ateliê de figurinos e ensaios das companhias residentes, de segunda a sábado.

Quais atrações compõem o roteiro pela Cidade das Flores?
O destino catarinense reúne herança imperial, ruas centenárias de palmeiras e museus tombados em poucos quilômetros. As principais atrações estão concentradas no centro e em rotas rurais acessíveis em curtas viagens de carro.
- Escola do Teatro Bolshoi no Brasil: única filial da instituição russa fora da Rússia, com visitas guiadas mediante agendamento.
- Alameda Brustlein: também conhecida como Rua das Palmeiras, com palmeiras imperiais plantadas em 1873 que formam um corredor de 80 metros até o museu.
- Museu Nacional de Imigração e Colonização: instalado no antigo Palácio dos Príncipes, casarão de 1870 tombado pelo IPHAN em 1939, com mais de 5 mil peças sobre a saga dos colonos.
- Mirante de Joinville: a cerca de 250 metros de altitude, oferece vista panorâmica da cidade, da Baía da Babitonga e da Serra Dona Francisca.
- Catedral Diocesana São Francisco Xavier: estrutura circular com duas conchas gigantes na avenida Juscelino Kubitschek, com vitrais coloridos no interior.
- Estrada Bonita: rota rural com propriedades coloniais, cervejarias artesanais e paisagens da serra com forte herança germânica.
Quem deseja descobrir como é a experiência de viver ou passear por uma das cidades mais charmosas e vibrantes do Sul do país, vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Num Pulo, que já conta com mais de 96 mil visualizações, onde os apresentadores revelam um roteiro completo de 3 dias repleto de cultura, gastronomia e paisagens surpreendentes em Joinville, Santa Catarina:
A Festa das Flores e o Festival que para a cidade em julho
O calendário cultural do destino catarinense gira em torno de dois grandes eventos. O Festival de Dança de Joinville acontece em julho desde 1983, com duração de 12 a 13 dias, e reúne mais de 7 mil bailarinos diretamente envolvidos em apresentações distribuídas por teatros, praças e centros de convenções, segundo o Joinville e Região Convention & Visitors Bureau (JRCVB). O evento é reconhecido pelo Guinness Book como o maior festival de dança do mundo.
Já em novembro, a Festa das Flores celebra a vocação da Cidade das Flores. Nascida em 1936 como exposição de orquídeas criada por imigrantes apaixonados pela flora nativa, a festa só foi interrompida durante a Segunda Guerra Mundial e na pandemia de Covid-19. Cerca de 30 mil plantas compõem a exposição, com destaque para a Laelia purpurata, orquídea-símbolo de Joinville e de Santa Catarina. O Festival da Primavera de 2016 elevou a cidade à categoria de Capital Nacional da Dança pela Lei 13.314.
Marreco assado, eisbein e cervejas artesanais
A gastronomia local é uma vitrine da herança germânica, com pratos típicos servidos em restaurantes coloniais espalhados pelo centro e pela Estrada Bonita. As cervejarias artesanais formam um polo cervejeiro relevante no estado.
- Marreco assado: prato tradicional da culinária colonial alemã, servido com farofa, repolho roxo e batatas.
- Eisbein: joelho de porco cozido e assado, acompanhado de chucrute e purê de batata.
- Café colonial: mesa farta servida ao fim da tarde com cucas, pães, queijos coloniais e geleias caseiras.
- Cervejas artesanais: produzidas em microcervejarias locais com receitas de inspiração alemã, ideais para acompanhar a culinária típica.
Quando é a melhor época para visitar o destino catarinense?
O clima é subtropical úmido, com chuvas distribuídas o ano todo e umidade elevada característica que rendeu à cidade o apelido informal de Chuville. A média mensal de chuva pode chegar a 111 mm em maio e o frio é mais sentido entre junho e agosto.
| Estação | Meses | Temperatura | Chuva | O que fazer |
|---|---|---|---|---|
| Verão | Dez-Fev | 20-30°C | Alta | Mirante, Estrada Bonita, cervejarias |
| Outono | Mar-Mai | 15-26°C | Média | Museu de Imigração, Bolshoi, Alameda Brustlein |
| Inverno | Jun-Ago | 10-22°C | Média-baixa | Festival de Dança em julho, café colonial |
| Primavera | Set-Nov | 14-26°C | Alta | Festa das Flores em novembro, jardins floridos |
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à maior cidade catarinense?
O destino catarinense fica a 130 km de Curitiba pela BR-101 em cerca de 2 horas de carro, e a 180 km de Florianópolis pela mesma rodovia, em aproximadamente 2h30. O Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola, a 13 km do centro, opera voos diretos para São Paulo e Campinas. O Aeroporto Internacional de Navegantes, a 80 km, oferece mais conexões nacionais. Ônibus rodoviários partem das duas capitais para o terminal da cidade ao longo de todo o dia.
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Conheça a Cidade dos Príncipes
O destino catarinense reúne em poucos quilômetros um pedaço da realeza europeia no Brasil, a única escola do Bolshoi fora da Rússia, palmeiras imperiais plantadas em 1873 e a maior festa de orquídeas do Sul do país. É a parada certa para quem quer ver como herança alemã, francesa e russa se misturaram numa só cidade catarinense.
Você precisa caminhar pela Alameda Brustlein ao fim da tarde e assistir a um espetáculo do Bolshoi ao menos uma vez na vida para entender por que Joinville guarda um capítulo único da cultura brasileira.
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