Caso Henry Borel: julgamento será retomado nesta manhã de terça

Julgamento caso Henry Borel Tomaz Silva/Agência Brasil

O julgamento de Jairinho e Monique Medeiros pela morte de Henry Borel será retomado às 9h desta terça-feira (26), no Fórum Central do Rio de Janeiro. Depois de um primeiro dia de disputas processuais e tentativas de adiamento, o júri deve finalmente começar a ouvir as testemunhas do caso.

A expectativa da acusação está concentrada nos depoimentos dos delegados que conduziram a investigação, dos peritos responsáveis pelos laudos e do médico-legista que analisou a causa da morte do menino de 4 anos. São testemunhas consideradas decisivas para sustentar a versão apresentada pelo Ministério Público ao longo dos últimos cinco anos.

A sessão desta segunda-feira (25) terminou sem que nenhuma delas fosse chamada ao plenário.

Logo na abertura dos trabalhos, a defesa do ex-vereador apresentou novos pedidos para suspender o julgamento. Houve discussão sobre a ausência do advogado Fabiano Lopes, que sofreu um infarto no fim de semana, além de uma sequência de requerimentos para anular trechos do processo ou interromper o júri.

Foram mais de vinte pedidos rejeitados pela juíza Elizabeth Machado Louro.

  • OUTRA DENÚNCIA: Pai de Henry Borel diz que Jairinho queimou outra criança

Em determinado momento, Jairinho chegou a dispensar os próprios advogados e afirmou que não tinha condições de prosseguir sem o defensor afastado. Horas depois, voltou atrás e recompôs a banca.

Com isso, o Conselho de Sentença foi formado, mas os trabalhos acabaram encerrados no fim da tarde sem avanço na fase de depoimentos.

O que deve acontecer nesta terça

Entre os primeiros convocados estão o delegado Edson Henrique Damasceno, responsável pelo inquérito, e a delegada Ana Carolina Lemos Medeiros de Caldas, que participou das diligências do caso.

Também devem falar o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva e o perito criminal Luiz Carlos Leal Prestes.

As oitivas devem girar em torno de três pontos centrais: a causa da morte de Henry, a origem das lesões encontradas no corpo da criança e o comportamento de Jairinho e Monique antes e depois da chegada ao hospital.

Desde o início do processo, a acusação sustenta que Henry foi vítima de agressões. A defesa do ex-vereador contesta essa conclusão e argumenta que as lesões podem ter sido provocadas por um acidente doméstico ou por procedimentos médicos realizados durante a tentativa de reanimação.

É justamente nesse embate que os depoimentos técnicos ganham peso.

Os laudos produzidos durante a investigação apontaram que os ferimentos identificados no corpo do menino não eram compatíveis com uma queda acidental nem com manobras médicas de emergência.

Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o julgamento deve avançar pelos próximos dias.

Ao todo, 26 testemunhas ainda precisam ser ouvidas antes da fase de interrogatório dos réus e dos debates finais entre acusação e defesa.

A decisão caberá aos sete jurados que compõem o Conselho de Sentença.

Relembre o caso

Henry Borel, menino morto com diversas lesões no corpoReprodução/ Correio Braziliense

Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março de 2021, após ser levado ao Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca.

O caso inicialmente foi tratado como um mal súbito, mas exames realizados nas horas seguintes apontaram múltiplas lesões pelo corpo da criança.

A investigação da Polícia Civil concluiu que Henry vinha sofrendo agressões antes da morte.

Jairinho e Monique foram presos em abril daquele ano. O Ministério Público acusa o ex-vereador de homicídio qualificado e tortura. Monique responde por homicídio qualificado, sob a acusação de não ter impedido as agressões contra o filho.

Os dois negam os crimes.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.