Delegado diz que Henry e Jairinho ficaram trancados em quarto

Henry BorelReprodução

O delegado Edson Henrique Damasceno foi a primeira testemunha de acusação ouvida durante o julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e de Monique Medeiros Costa e Silva, acusados pela morte de Henry Borel, de 4 anos, na manhã desta terça-feira (26). 

No depoimento, Damasceno, que era titular da 16.ª DP da Barra da Tijuca no ano do crime, falou sobre os primeiros dias de investigações e afirmou que Jairinho e Henry ficaram sozinhos em um quarto no dia das agressões e que o apartamento passou por limpeza antes da realização da perícia.

À juíza Elizabeth Machado Louro, o delegado relatou que soube da morte de Henry por meio do contato do pai da criança, Leniel Borel de Almeida Junior. Inicialmente, o caso era conduzido como possível acidente doméstico. Contudo, durante as investigações e mediante laudos periciais, a linha de investigação foi modificada. 

Para a magistrada, Edson Henrique Damasceno declarou que, quando a perícia foi realizada no apartamento, o imóvel já havia sofrido alterações. Segundo o delegado, a empregada, identificada como Rosângela, fez uma limpeza no local. 

Jairinho e Henry ficaram trancados no quarto

Durante a oitiva, Damasceno relatou que Henry chegou a ficar trancado em um quarto com Jairo Souza. O episódio é apontado por testemunhas ouvidas pelo delegado como o momento das agressões. 

Ainda de acordo com ele, nesse dia, a babá de Henry, identificada como Thayna, e Monique trocaram mensagens. Damasceno afirma que Thayna relatou que Jairo e Henry ficaram trancados no quarto a partir das 16h30. Contudo, não há informações sobre o tempo que permaneceram no local. 

Na ocasião, a babá chegou a bater na porta, mas não houve resposta. À época, a funcionária teria pedido para que Monique voltasse para casa. Conforme o delegado, a mãe de Henry estava no salão de beleza. Edson Henrique Damasceno acrescentou que a babá teria recebido R$ 100 de Jairinho nesse dia. 

Decisão cabe ao júri

A condenação de Jairinho e Monique depende dos jurados, pessoas escolhidas para compor o Conselho de Sentença. Conforme o cronograma do julgamento, as testemunhas de acusação serão ouvidas no primeiro momento, entre elas o pai de Henry, Leniel Borel.

Ao todo, 26 testemunhas serão ouvidas. Em seguida, haverá escuta de peritos, acareações e, por último, o interrogatório dos acusados. 

Relembre o caso

Henry Borel, na época com 4 anos, foi levado pela mãe, Monique, e pelo padrasto, Jairinho, para um hospital da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, na madrugada de 8 de março de 2021, com manchas roxas em várias partes do corpo.

Imagens divulgadas posteriormente mostram o menino sendo carregado já sem vida no elevador do prédio em que Monique morava com Jairinho. Segundo o laudo de necropsia, Henry sofreu 23 lesões na madrugada em que morreu. 

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