
O Rock in Rio decidiu mudar o foco da comunicação e colocar os bastidores no centro do palco. Em vez de começar pelo line-up ou pelas atrações musicais, o festival abriu as portas da própria engrenagem criativa na campanha “Rock in Rio. O lugar que quero estar”, criada pelo Rockers — hub do Grupo Dreamers responsável pela comunicação do festival, do The Town e do Lollapalooza Brasil.
A peça inaugura o conceito “Fábrica dos Sonhos” e aposta em uma narrativa inspirada nos grandes musicais para mostrar o que acontece antes da Cidade do Rock ganhar vida. O filme, desenvolvido ao longo de nove meses, apresenta equipes, cenários, coreografias e processos criativos como parte da experiência que sustenta o festival há mais de quatro décadas.
A mudança estratégica da campanha
A estratégia marca uma mudança importante na comunicação do Rock in Rio. Em vez de concentrar a campanha apenas nas atrações confirmadas, a marca passa a trabalhar o entretenimento como experiência contínua e reforça a construção emocional que existe em torno do festival.
Segundo Ana Deccache, diretora de marketing da Rock World, a ideia foi mostrar que a grandiosidade do evento começa muito antes da abertura dos portões.
Por que a linguagem dos musicais?
A escolha pela linguagem dos musicais também não aconteceu por acaso. O formato ajuda a transformar o processo criativo em espetáculo e aproxima a campanha da sensação coletiva que o festival tenta provocar. “O Rock in Rio já é, por essência, uma experiência coreografada de emoções, encontros e energia”, explica Gustavo Tirre, diretor-executivo do Rockers.
O movimento acompanha uma tendência crescente do entretenimento: transformar bastidores em conteúdo e ampliar o vínculo do público com as marcas para além do produto final. Mais do que vender ingressos, festivais passaram a disputar atenção pela capacidade de criar universos narrativos próprios — que vivem antes, durante e depois do evento.
Próximos passos
Nos próximos meses, a campanha terá desdobramentos em ativações urbanas, conteúdos digitais, ações com influenciadores, fandoms e marcas parceiras. A expectativa é manter o Rock in Rio presente no cotidiano do público até setembro, quando o festival volta a ocupar a Cidade do Rock, no Rio de Janeiro.
Ao transformar planejamento, operação e criatividade em narrativa, o Rock in Rio reforça uma percepção cada vez mais forte no mercado: hoje, grandes festivais não vendem apenas shows — vendem pertencimento, experiência e memória coletiva.
