
Encontros, viagens e nomeações: elo pessoal entre Castro e Vorcaro facilitou aporte de R$ 3,7 bi no Master pelo Rioprevidência, diz PF
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (27), as operações “Zehirut” e “Charitzut” para investigar suspeitas de irregularidades em aplicações financeiras feitas por fundos de previdência dos municípios de Angélica e Fátima do Sul, em Mato Grosso do Sul. A PF apura aplicações de R$ 9 milhões feitas por regimes próprios de previdência municipal.
Ao todo, estão sendo cumpridos 15 mandados de busca e apreensão: sete em Angélica, seis em Fátima do Sul e dois em São Paulo. A Justiça também determinou o afastamento cautelar de alguns investigados de funções públicas. Os nomes não foram divulgados.
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Segundo a PF, a investigação apura investimentos realizados em 2024 em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Em nota, o prefeito de Angélica, Edison Cassuci Ferreira, afirmou que o Instituto de Previdência de Angélica (IPA) é uma autarquia independente, sem vínculo direto com a prefeitura. Segundo ele, cerca de R$ 2 milhões haviam sido investidos no Banco Master, mas o valor foi resgatado antes da intervenção na instituição financeira.
Já a Prefeitura de Fátima do Sul informou que a previdência municipal também é administrada por uma autarquia responsável pela gestão dos recursos, enquanto o município faz apenas o repasse das contribuições.
A administração de Fátima do Sul afirmou ainda que os investimentos no banco privado foram feitos na gestão anterior e que possíveis irregularidades identificadas nas contas foram denunciadas ao Tribunal de Contas. A prefeitura disse apoiar a operação da Polícia Federal e afirmou que colabora com as investigações.
Municípios de MS aplicaram R$ 15,7 milhões
Operação da PF mira fundos de previdência de cidades de MS após investimentos suspeitos
Polícia Federal
Dados do Sistema Cadprev, plataforma do Ministério da Previdência Social, mostram que cinco municípios de Mato Grosso do Sul aplicaram juntos R$ 15,7 milhões em títulos ligados ao Banco Master.
Veja os valores declarados:
Fátima do Sul: R$ 7 milhões
São Gabriel do Oeste: R$ 3 milhões
Jateí: R$ 2,5 milhões
Angélica: R$ 2 milhões
Campo Grande: R$ 1,2 milhão
As aplicações foram realizadas entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, segundo o ministério.
Ministério diz que prefeituras terão de garantir aposentadorias
Após a repercussão do caso, o Ministério da Previdência Social informou que estados e municípios são responsáveis por garantir o pagamento de aposentadorias e pensões, mesmo em caso de prejuízos nos fundos previdenciários.
A obrigação está prevista na Lei nº 9.717/1998, que define os entes públicos como garantidores finais dos regimes próprios de previdência social.
Na prática, caso faltem recursos para pagar aposentados e pensionistas, as prefeituras e governos estaduais terão de usar dinheiro próprio para cobrir os valores.
Investigação no Rio aumentou pressão sobre caso
As investigações envolvendo o Banco Master ganharam força após a divulgação, na terça-feira (26), da decisão judicial que derrubou o sigilo de uma investigação da Polícia Federal sobre aplicações bilionárias do RioPrevidência, fundo dos servidores do estado do Rio de Janeiro.
Segundo a decisão, a PF apura suspeitas de irregularidades em investimentos de cerca de R$ 3,7 bilhões feitos no Banco Master. O documento cita indícios de favorecimento político, ausência de análises técnicas e concentração excessiva de risco.
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi alvo de busca e apreensão e teve celulares recolhidos pela PF. A investigação também aponta uma relação próxima entre Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O Banco Master nega irregularidades.
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
