Vira-latismo por foto com Trump mostra quem manda e quem obedece

Flávio Bolsonaro e Donald Trump, no Salão Oval da Casa BrancaFoto: Reprodução

O presidente Lula (PT) não alavancou a popularidade, no auge da crise do tarifaço, no ano passado, porque conseguiu uma foto com Donald Trump. Alavancou porque sentou para conversar com o urso alaranjado que prometia devorar a economia brasileira se não tivesse o desejo atendido. O desejo, no caso, era a libertação de Jair Bolsonaro, preposto dos interesses do republicano na América do Sul.

Lula disse: “Isso não posso fazer, moço, a Justiça do meu país é independente. Mas, se quiser, podemos falar sobre negócios”. Logo depois, parte do tarifaço foi removida, a posição em relação a metais de terras-raras foi reafirmada e, de um dia para o outro, Lula tinha um discurso em defesa da soberania para chamar de seu.

Mais que isso, ficou evidente, naquele episódio, quem eram os alunos do fundão que colocaram a bomba na privada da escola. Eram Eduardo Bolsonaro e o sócio na conspiração junto a autoridades norte-americanas, Paulo Figueiredo.

O saldo, para a dupla, foi um processo no STF por coação à Justiça. Afinal, eles usaram o braço amigo de Trump para apontar uma bazuca em direção aos ministros da Corte e dizer “libertem o Bolsonaro, se não…” Por vias indiretas, o encontro forçado entre Lula e Trump resultou em uma química que serviria como base para ajustes mais detalhados na relação bilateral entre os dois países, discutidos no encontro oficial dos dois chefes de Estado na Casa Branca, no início de maio.

A ciumeira que a cena provocou virou tempestade uma perfeita na horta de Flávio Bolsonaro, que pode ser incluído no inquérito sobre a conspiração contra o Brasil por pegar dinheiro de um bandido e enviar a um fundo ligado a Eduardo. Dizem que o dinheiro era para o filme-propaganda do pai, Jair, mas até agora nem a polícia nem os investigados provaram que a grana financiou qualquer take de “Dark Horse”. Nem que foi usada para bancar o vidão do deputado cassado por lá. Mas as más línguas…

Flávio também tinha contas a acertar nos Estados Unidos, mas precisava sair da lona e mostrar para a turma que bate continência à bandeira estadunidense que o amigo de Trump era ele. Em caso de dúvida, a foto com o anfitrião deixou claro quem vai mandar no Brasil caso Flávio seja eleito em outubro. Uma vergonha, mas que serviu para tirar o senador das cordas.

A imagem era tudo o que os bolsonaristas querian, a se observar o nível de excitação captado por especialistas em grupos de mensagens instantâneas e nas redes sociais.

Os apoiadores da extrema-direita acharam podre de chique seu candidato favorito ser recebido na Casa Branca, ainda que o chefe da coisa toda não tenha se dignado a levantar e alargar o sorriso diante das visitas.

Não importa: a síndrome do vira-lata que estava encapsulada junto ao voto convicto e orgulhoso em um investigado por rachadinhas e afins saiu do armário.

Flávio deu uma aula de submissão. E os apoiadores não parecem nada incomodados com isso. Nem com a avalanche de suspeitas contra ele desde que o caso “Dark Horse” veio à tona. Se tudo for para libertar o Brasil dos brasileiros, já está valendo

Adicionar aos favoritos o Link permanente.