Lula rebate tarifas dos EUA e diz que Brasil é quem deveria taxar

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, interrompe agenda pública em Sergipe e faz declaração sobre taxação nova dos EUARicardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas à nova proposta de taxação comercial do governo americano contra produtos brasileiros. Em discurso realizado no Instituto Federal Goiano (IF-GO), em Catalão (GO), no final da manhã desta terça-feira (02), o chefe do Executivo afirmou que, na ótica da soberania e do equilíbrio comercial, caberia ao Brasil aplicar tarifas em defesa do seu mercado, e não o governo dos Estados Unidos.

Lula se manifestou pouco depois das 11h40, em uma agenda pública voltada à educação, mas que acabou sendo dominada pela pauta da política externa.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), baseado em uma investigação de quase um ano, propôs a imposição de uma taxa de 25% sobre as importações de produtos do Brasil que entram em solo americano. A chamada investigação da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 acusa o mercado brasileira de assumir práticas avaliadas como discriminatórias ou irracionais contra empresas dos EUA.

Críticas diretas

No discurso, o presidente brasileiro elevou o tom sobre a forma como foi conduzida a diplomacia do governo americano. O principal alvo das críticas foi o secretário de Estado de Washington, Marco Rubio, que foi classificado por Lula como uma figura que sempre se mostrou contra aos interesses e desenvolvimento dos países da América Latina.

Segundo o presidente, os motivos nos quais o governo de Donald Trump se baseia para impor travas comerciais são máscaras protecionistas e que prejudicam as relações bilaterais de forma infundada. Além da situação externa, o discurso também ecoou na política interna do Brasil. Lula disse que o grupo que ”trabalha contra o Brasil” é composto por “falsos patriotas”.

O presidente criticou a postura da família Bolsonaro e apontou que o grupo político de oposição adota linha ligada aos interesses dos EUA, em desfavor à indústria brasileira e ao comércio nacional. Para o presidente, a “preservação da economia local é a prioridade brasileira e exige reciprocidade”. Ele ressaltou também uma postura de “firmeza nas negociações, em vez de concessões passivas”.

*Reportagem em atualização

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