Porsche e Rolex são o novo brega da Faria Lima

Teve uma época em que ver uma Porsche na rua fazia pescoços virarem. O mesmo acontecia com um Rolex. Eram símbolos de exclusividade. Hoje, em boa parte da Faria Lima, viraram uniforme.

O problema do novo rico é que ele ainda compra símbolos de status que já perderam o status. A Porsche virou acessório de ostentação. O Rolex virou crachá visual de validação social. Não raro, quem exibe os dois não gosta de carro, não entende de relógio e só quer comunicar uma mensagem simples: “eu venci”.

Só que o mercado mudou. O luxo que mais cresce hoje é o chamado quiet luxury, o luxo silencioso, sem logo, sem espetáculo, sem necessidade de aprovação pública.

Quem realmente construiu algo relevante não precisa que um relógio fale por ele. Mark Zuckerberg anda de camiseta. Steve Jobs transformou a roupa repetida em assinatura. O trabalho deles fazia mais barulho do que qualquer símbolo externo.

A verdade é desconfortável. Quando alguém chega tentando impressionar com Porsche e Rolex, muitas vezes produz o efeito contrário. Não comunica poder. Comunica necessidade de parecer poderoso.

E nada é mais brega do que precisar provar que venceu.

*Coluna escrita por Fabrizio Gueratto, especialista em investimentos com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro. Foi sócio do Banco Modal, é professor de MBA em Finanças, autor do livro “De Endividado a Bilionário”, fundador da Gueratto Press e criador do Canal 1Bilhão, que soma quase 21 milhões de visualizações no YouTube.

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