Nunes diz que prefeitura ‘não tem nada a ver’ com suspeita de uso de verba de wi-fi em filme sobre Bolsonaro


Operação investiga se dinheiro da Prefeitura de SP foi desviado para filme sobre Bolsonaro
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que a gestão municipal não tem responsabilidade caso a polícia confirme que recursos pagos para a instalação de pontos de wi-fi gratuito nas periferias da cidade tenham sido usados posteriormente para a produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
“O que é que eu tenho a ver com isso? Se eventualmente usou [dinheiro do contrato de wi-fi livre para produzir o filme], o que a Prefeitura de São Paulo tem a ver com isso? Nós não temos nada a ver com isso, não temos nem como saber se isso foi feito”, declarou Nunes nesta terça-feira (2), após inauguração de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na Vila Joaniza, Zona Sul da capital.
A declaração à imprensa tem como pano de fundo uma investigação da Polícia Civil sobre possíveis irregularidades em contrato de R$ 108 milhões firmado entre a prefeitura e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), de propriedade da empresária Karina Ferreira da Gama, também ligada à produção do longa-metragem.
Prefeito Ricardo Nunes durante inauguração de Unidade Básica de Saúde na Zona Sul de São Paulo
Leonardo Zvarick/g1
“As pessoas, eu acho, não estão refletindo sobre o fato como deve ser. Se eventualmente essa Karina usou algum dinheiro, o que é que tem a ver o meu contrato, que passou pelo Tribunal de Contas?”, questionou o prefeito.
O prefeito também afirmou que a denúncia que originou a investigação pode ter conotação “mais política do que verídica dos fatos” por ter sido apresentada por um membro do Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio Grande do Sul.
Nunes ainda criticou o que considerou uma reprodução acrítica das acusações por autoridades. “A denúncia maldosa foi copiada e colada pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério Público estadual e pelo delegado da Polícia Civil de São Paulo”, declarou.
“Um delegado não pode fazer cópia e cola de uma denúncia. Como vamos ter estado democrático de direito sem levar em consideração a reputação das pessoas?”, questionou o prefeito.
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O prefeito também afirmou que a administração municipal seguirá colaborando com as investigações e que tomará providências se alguma irregularidade for identificada.
Nesta segunda (1º), uma operação policial teve entre os alvos a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e a ONG Instituto Conhecer Brasil, investigado por suspeita de fraude no contrato para fornecimento de internet gratuita nas periferias da cidade.
Segundo a polícia, o valor do contrato subiu para R$ 157,1 milhões com aditivos assinados pela gestão Nunes. O delegado responsável também afirma que a prefeitura desembolsou R$ 26 milhões a mais por serviços não prestados.
O ator norte-americano Jim Caviezel interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme ‘Dark Horse’
Reprodução
Durante a coletiva, o prefeito negou irregularidades e afirmou que não houve aumento de valores, mas apenas prorrogação de prazos. Ele também rebateu suspeitas de pagamento antecipado afirmando que a prática é comum em contratos com organizações da sociedade civil.
Ainda segundo o prefeito, a gestão municipal decidiu reduzir, por falta de recursos, a quantidade de pontos de wi-fi livre prevista no contrato. Segundo ele, embora estivessem previstos 5 mil pontos de conexão, apenas 3,2 mil foram efetivamente entregues e pagos pela prefeitura.
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