
A confirmação de um caso da mosca-da-bicheira em um cachorro no estado do Novo México reacendeu o alerta das autoridades sanitárias dos Estados Unidos para o avanço de um parasita considerado uma grave ameaça ao gado, animais de estimação, fauna silvestre e, em situações raras, até seres humanos.
Segundo informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o cachorro vive no Condado de Lea, no Novo México. Inicialmente, o caso havia sido registrado no Condado de Andrews, no Texas, mas uma investigação epidemiológica confirmou que o cachorro residia no estado vizinho, tornando-se o primeiro registro da praga em território do Novo México.
Com a nova confirmação, os Estados Unidos somam ao menos quatro casos recentes da mosca-varejeira-do-novo-mundo, também conhecida como mosca-da-bicheira. Antes do caso do cachorro, o USDA já havia confirmado infestações em dois bezerros no Texas e em uma cabra no Condado de Gillespie.
As autoridades americanas investigam se o cachorro foi exposto à praga durante deslocamentos recentes ou se a infestação ocorreu na região onde vive. Equipes estaduais e federais realizam inspeções em outros animais da propriedade, além de reforçar a vigilância local.
A preocupação é elevada porque a mosca-da-bicheira havia sido erradicada dos Estados Unidos décadas atrás. No entanto, nos últimos anos, a praga voltou a avançar pela América Central e pelo México, aproximando-se novamente da fronteira americana e levando o governo a ampliar medidas preventivas e de monitoramento.
O que é a mosca-da-bicheira
A mosca-varejeira-do-novo-mundo (Cochliomyia hominivorax) é considerada um dos parasitas mais destrutivos para a pecuária. Diferentemente de outras moscas que depositam ovos em tecidos mortos, ela coloca seus ovos em feridas abertas ou regiões sensíveis dos animais.
Após a eclosão, as larvas passam a se alimentar de tecido vivo, provocando lesões profundas, infecções, sofrimento intenso e, em casos graves, a morte do hospedeiro. O parasita pode atingir bovinos, equinos, caprinos, ovinos, animais domésticos e espécies silvestres. Em situações raras, também pode infectar seres humanos.
Segundo o USDA, a praga representa não apenas um problema sanitário, mas também econômico. Infestações podem causar prejuízos significativos à pecuária por meio da perda de animais, redução da produtividade, gastos veterinários e restrições comerciais impostas a regiões afetadas.
As autoridades ressaltam que a mosca-da-bicheira não afeta alimentos já processados. O abastecimento de carne, ovos e outros produtos continua considerado seguro, uma vez que animais infectados são identificados durante os processos de inspeção sanitária.
Como os EUA tentam conter a praga
Para impedir que a infestação se espalhe, o governo americano colocou em prática uma série de medidas emergenciais.
Entre as ações estão a criação de zonas de quarentena de 20 quilômetros ao redor dos focos detectados, restrições à movimentação de animais, ampliação da captura de moscas e monitoramento reforçado em propriedades rurais.
Uma das principais estratégias é a liberação de milhões de moscas estéreis. Os insetos são soltos por via aérea e também por meio de câmaras instaladas em solo. Ao cruzarem com moscas selvagens, impedem a reprodução da espécie e ajudam a interromper seu ciclo de vida.
O USDA informou ainda que equipes especializadas foram enviadas ao Texas e ao Novo México para realizar investigações, coletar amostras e orientar produtores rurais, veterinários e moradores sobre como identificar possíveis infestações.
As autoridades recomendam que proprietários de animais observem diariamente a presença de feridas que aumentam de tamanho, secreções incomuns, massas de ovos, larvas e sinais de desconforto. Casos suspeitos devem ser comunicados imediatamente aos serviços veterinários.
