
Como ‘Rainha do Café’ se envolveu em história de assassinato em Ribeirão Preto, SP
Há 106 anos, o assassinato do francês Alphonse Deforge, genro de Iria Alves Ferreira, conhecida como a Rainha do Café, mobilizou autoridades e chocou a população de Ribeirão Preto (SP).
O crime aconteceu na noite de 21 de maio de 1920, na Fazenda Pau Alto, e colocou uma das mulheres mais influentes do interior paulista no centro de uma investigação que ganhou repercussão e se tornou um dos casos policiais mais comentados da cidade.
Esta reportagem faz parte da série ‘Histórias Escondidas’, uma produção especial da EPTV, afiliada da TV Globo, para celebrar os 170 anos de Ribeirão Preto, comemorados em 19 de junho. Curiosidades, personagens marcantes e fatos que pouca gente conhece ajudam a entender a trajetória de uma das cidades mais importantes do estado de São Paulo.
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Iria e Alphonse Deforge se conheceram por meio da filha da ‘Rainha do Café’, Sinhazinha Junqueira, que se casou com o homem na França. O relacionamento dos dois, no entanto, foi interrompido após a morte precoce da jovem, ainda na Europa.
Viúvo, Deforge decidiu se mudar para o Brasil e passou a viver próximo da família da esposa. Pouco tempo depois, ele foi assassinado.
O crime
Alphonse Deforge foi morto a facadas enquanto dormia em um dos cômodos da Fazenda Pau Alto, localizada na região de Ribeirão Preto e que, mais tarde, daria origem ao distrito de Bonfim Paulista.
O caso teve grande repercussão e foi acompanhado pela imprensa da época, incluindo o jornal ‘O Parafuso’, que publicou diversas reportagens sobre a investigação.
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Uma das hipóteses para o crime é a de que Deforge teria pedido parte da herança da família Junqueira. Outra versão apontava possíveis conflitos familiares relacionados ao casamento dele com a filha de Iria. Apesar das suspeitas, nenhuma motivação foi comprovada de forma definitiva.
Durante as investigações, Iria foi apontada como possível mandante do assassinato. Porém, ao longo do julgamento não foram encontradas provas que a ligassem diretamente ao crime. Ela acabou inocentada pela Justiça e os executores do assassinato foram condenados e presos.
Capa do jornal ‘O Parafuso’ da época
Arquivo Histórico de Ribeirão Preto
Queda da rainha
A Fazenda Pau Alto era uma das maiores propriedades cafeeiras da região. Segundo o artigo “Um Coronel de saias no interior paulista”, do historiador Rafael Cardoso de Mello, o local fazia parte do conjunto de fazendas que impulsionaram a economia de Ribeirão Preto.
A proprietária era Iria, a ‘Rainha do Café’, uma das maiores negociantes do município e que acumulou prestígio político em uma época dominada por homens.
Retrato de Iria e seu túmulo no Cemitério da Saudade em Ribeirão Preto (SP)
Arquivo Histórico de Ribeirão Preto/Rafael Cardoso de Mello
Entre essas conexões, estavam personalidades de destaque da Primeira República. Registros históricos apontam a proximidade de Iria com figuras ligadas ao então governador Washington Luís. Ela também era amiga do irmão do presidente Hermes da Fonseca.
Mesmo absolvida do crime contra o genro, a acusação de assassinato abalou a reputação de Iria e fez com que parte da imprensa passasse a tratá-la de forma negativa. Ela deixou Ribeirão Preto e passou a viver em São Paulo (SP).
Em 1927, a ‘Rainha do Café’ morreu longe da cidade onde construiu a própria fortuna e teve influência política, mas até hoje segue marcada com uma rua com o nome dela em Bonfim Paulista.
Rua com o nome de Iria Alves Ferreira em Bonfim Paulista
Rafael Cardoso de Mello
*Sob a supervisão de Flávia Santucci
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