CPI dos EUA: Inflação americana acelera para 4,2% em maio com pressão do petróleo

CPI ESTADOS UNIDOS

A inflação dos Estados Unidos voltou a ganhar força em maio. O índice de preços ao consumidor, o CPI divulgado nesta quarta-feira (10) acelerou para 4,2% em 12 meses, após registrar 3,8% em abril. O principal fator de pressão veio da energia, em meio à alta dos combustíveis e às tensões no Oriente Médio. O movimento já era esperado pelo mercado e reforça a preocupação com os impactos do petróleo sobre a inflação global. Apesar da aceleração do índice cheio, o relatório mostrou que a maior parte da pressão continua concentrada em energia.

Núcleo do CPI mostra comportamento moderado

O núcleo da inflação americana, indicador que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia, apresentou alta moderada em maio. O avanço foi menor do que o observado no mês anterior e reforçou a avaliação de que a aceleração do índice cheio está concentrada no choque de energia.

Os preços ligados à moradia continuaram desacelerando, enquanto alguns segmentos de bens registraram estabilidade ou queda. O resultado sugere que não houve uma disseminação ampla das pressões inflacionárias pela economia americana.

Impacto nas decisões do Federal Reserve

Os preços de alimentos tiveram avanço moderado e os demais grupos apresentaram comportamento mais estável. O dado será acompanhado de perto pelo Federal Reserve nas próximas decisões sobre juros. A leitura deve alimentar o debate dentro do Federal Reserve sobre até que ponto a alta recente da inflação reflete um choque temporário provocado pelo petróleo ou uma tendência mais persistente dos preços.

A composição do índice será determinante para os próximos passos da política monetária americana.

Análise do especialista

Na avaliação de Gustavo Cruz, estrategista, a aceleração da inflação americana em maio reflete principalmente o impacto da guerra sobre os preços de energia. Segundo ele, o índice atingiu o maior patamar desde 2023, pressionado pela alta de 23% da energia em 12 meses e pelo avanço mais forte dos itens ligados a commodities, como a gasolina, que subiu 40% no acumulado anual e 7% apenas em maio.

“Esse quadro reduz o espaço para o Federal Reserve discutir cortes de juros no curto prazo, mesmo diante de sinais mais favoráveis em outros componentes do índice, como moradia, que desacelerou na comparação mensal e anual”, avalia.

O estrategista avalia que, sem uma resolução do conflito e a normalização das rotas de abastecimento, a pressão sobre commodities pode seguir como obstáculo para a política monetária americana e gerar preocupação adicional para setores como automotivo e aviação.

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