Caso Marco Aurélio: chefe dos escoteiros faz revelações inéditas

Marco Aurélio Simon desapareceu em 1985 no Pico dos Marins, em Piquete (SP)Arquivo pessoal

O desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio Simon no Pico dos Marins, em Piquete, no interior de São Paulo, completou 41 anos no último dia 8 de junho. O mistério ainda causa dor e agonia aos familiares do jovem.

O caso aconteceu em 8 de junho de 1985, durante uma expedição de um grupo de escoteiros de São Paulo ao Pico dos Marins.

A trilha fica localizada na divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais.

Marco Aurélio Simon, de 15 anos, subiu o pico acompanhado do grupo Olivetano de Escoteiros, de São Paulo, que era liderado por Juan Bernabeu.

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Após um dos colegas se machucar, o grupo decidiu desistir da aventura e retornar à base do acampamento.

Foi quando Juan pediu que Marco Aurélio seguisse na frente, abrindo caminho para o retorno, enquanto os outros carregavam o outro jovem que havia se ferido na trilha.

Marco Aurélio se separou dos demais e, desde então, nunca mais foi encontrado.

Em material exclusivo do jornal OVale, o chefe dos escoteiros fez revelações inéditas do caso.

Os relatos foram feitos por meio do livro ‘Pico dos Marins e o escoteiro desaparecido’, escrito por Juan e jamais publicado.

O chefe do Grupo Olivetano dá detalhes dos dias que antecederam o desaparecimento, da subida ao Pico dos Marins, do desaparecimento de Marco Aurélio e das buscas pelo escoteiro.

Cartaz de ‘procura-se’ divulgado na época do desaparecimentoRodrigo Nunes

O livro

De acordo com o documento obtido pelo OVale, a expedição teve início no dia 6 de junho, dois dias antes do desaparecimento de Marco Aurélio.

Segundo o livro, o grupo passava por problemas internos e um dos objetivos da excursão era “pôr a casa em dia.”

Após partirem de São Paulo no início do dia, por volta das 13h, os escoteiros definem o local do acampamento, que foi o quintal do Senhor Afonso, um guia da região.

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Na primeira noite, Juan Bernabeu disse que o acampamento foi atacado. Segundo ele, o filho do Sr. Afonso, que sofria de problemas mentais, não gostou da presença do grupo e atacou o acampamento.

Antiga casa do Sr. Afonso Xavier, ponto de apoio no Pico dos Marins onde começaram as primeiras buscas por Marco Aurélio em 1985Pedro Hauck

O outro dia, 7 de junho de 1985, é marcado como a última noite em que Marco Aurélia estava com o grupo. O ataque às barracas foi comentado entre eles. O dia também foi de uma pequena exploração ao local, de muitas conversas e paisagens bonitas, de acordo com os relatos de Juan.

No dia do desaparecimento, o grupo iniciou a subida de 2.420 metros rumo ao Pico dos Marins por volta das 9h.

Porém, no meio do caminho, por volta das 14h, a 1.700 metros, um dos garotos torceu o pé. Foi então que Juan pediu que Marco Aurélio seguisse na frente, abrindo caminho para o retorno, enquanto os outros carregavam o outro jovem que havia se ferido na trilha.

Marco Aurélio também buscava ajuda para o amigo machucado.

Em entrevista exclusiva ao jornal OVale, o pai de Marco Aurélio Simon, Ivo Simon, afirmou que o chefe da tropa cometeu uma série de erros graves, que teriam sido premeditados.

Ainda na entrevista, Ivo diz acreditar que Juan é responsável pela morte do filho. Ele acusa diretamente o escoteiro.

No livro, Juan explicou que os integrantes do grupo possuíam treinamento compatível com atividades de campo e montanha, incluindo Marco Aurélio.

O ex-chefe escoteiro ainda nega qualquer envolvimento no desaparecimento do jovem. Para ele, o caso foi resultado de circunstâncias que jamais puderam ser completamente esclarecidas, e não de uma ação criminosa praticada por ele.

Ivo Simon (à esquerda) e Marco Antônio (à direita), gêmeo de Marco Aurélio na serra, local em que o escoteiro desapareceuRodrigo Nunes
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