
Com mais de um metro de comprimento, tamanho parecido com o de um cachorro de porte médio, o Praearcturus gigas pode ter sido o maior escorpião já conhecido.
A identidade do animal, que viveu há cerca de 415 milhões de anos, foi confirmada por cientistas do Museu de História Natural do Reino Unido após o estudo de fósseis encontrados no país desde 1870.
O fóssil foi identificado pela primeira vez em 1871 pelo cientista Henry Woodward, que acreditava se tratar de um grande animal marinho, como um crustáceo. Somente nos anos 1980 surgiu a suspeita de que o animal poderia ser um escorpião.
A dificuldade para provar essa teoria estava no estado incompleto dos fósseis. Partes importantes do corpo, principalmente a cauda, não estavam bem preservadas.

Em 2015, a situação começou a mudar quando pesquisadores descobriram no Canadá um fóssil de escorpião muito conservado, chamado Eramoscorpius. A comparação entre os dois animais ajudou os cientistas a chegar a uma conclusão definitiva.
O paleontólogo Richie Howard, principal autor do estudo, explicou que os dois fósseis têm uma estrutura na parte de baixo do corpo com formato triangular, característica comum nos escorpiões. Segundo ele, a presença dessa estrutura confirma que o Praearcturus era, sem dúvida, um escorpião.
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Predador dominava terra e água
Os pesquisadores calculam que as pinças do animal chegavam a 16 centímetros de comprimento, maiores do que o corpo inteiro de muitas espécies de escorpião atuais.
Também foram encontradas marcas nas patas que podem indicar a capacidade de produzir sons ao esfregar partes do corpo umas nas outras, comportamento observado em alguns animais modernos.

Embora fosse um dos principais predadores terrestres de sua época, há sinais de que ele também passava parte da vida na água.
Segundo Howard, o ambiente terrestre ainda era pouco desenvolvido para sustentar animais tão grandes. Por isso, o escorpião provavelmente caçava também na água. Alguns fósseis encontrados no País de Gales ainda mostram estruturas parecidas com pequenas abas laterais, semelhantes às vistas em lagostas e caranguejos.
Evolução da vida na Terra
Na época em que o Praearcturus gigas viveu, durante o período Devoniano, os ambientes terrestres eram dominados por pequenas plantas, fungos e animais de pequeno porte, como insetos e outros parentes dos artrópodes.
Segundo Howard, o escorpião pode ter atingido tamanho tão grande porque ainda não existiam outros grandes predadores em terra para competir com ele.
O paleontólogo Greg Edgecombe, também do Museu de História Natural do Reino Unido, afirmou que o estudo pode ajudar a esclarecer a origem dos escorpiões.
Pesquisas genéticas indicam que eles são parentes próximos das aranhas e de outros aracnídeos que respiram ar. Se essa hipótese estiver correta, o Praearcturus pode representar um caso raro de um animal que voltou a viver na água depois que seus ancestrais passaram a viver em terra firme.
Fragmentos de fósseis encontrados em Portishead, na região de North Somerset, no Reino Unido, ainda sugerem que a espécie pode ter sobrevivido por cerca de 40 milhões de anos a mais do que se imaginava. No entanto, os pesquisadores afirmam que novas descobertas serão necessárias para confirmar essa possibilidade.
