Geleiras da Groenlândia geram quatro vezes mais icebergs devido ao aquecimento global

Copenhaga, 11 Jun 2026 (AFP) – As geleiras da Groenlândia liberam quatro vezes mais icebergs do que há 25 anos devido à mudança climática, um fenômeno que afeta o tráfego marítimo e os ecossistemas marinhos, segundo um estudo divulgado nesta quinta-feira (11) pela Universidade Técnica da Dinamarca (DTU).
Os icebergs tranportam grandes quantidades de rochas e sedimentos ao longo de várias centenas de quilômetros mar adentro, antes de afundarem e transformarem a vida no fundo do mar.
Além disso, à medida que a diminuição do gelo marinho abre novas rotas marítimas, aumenta o risco de navios se depararem com icebergs com mais frequência em suas travessias.
“Nossos resultados indicam uma relação direta, provocada pelo clima, entre as mudanças na superfície das geleiras, a intensificação do deslocamento de icebergs e o aumento da disponibilidade de substratos duros no fundo das águas profundas”, aponta o estudo publicado pela revista científica Nature.
O desprendimento acelerado das geleiras afeta os ambientes costeiros, mas tem repercussões em todo o sistema, para além do Ártico.
“Sabemos, graças às medições e observações por satélite, que as grandes geleiras do nordeste da Groenlândia perderam estabilidade nas últimas décadas”, explicou Shfaqat Abbas Khan, um dos autores do relatório, citado em um comunicado da DTU.
No Estreito de Fram, entre o nordeste da Groenlândia e o arquipélago norueguês de Svalbard, “a presença de icebergs quadruplicou desde o ano 2000”, detalha a nota.
Enquanto isso, a proporção de grupos de blocos de gelo – originários da Groenlândia, mas também do Ártico russo, e que compreendem mais de cinco icebergs individuais – aumentou 4,5% por década desde o início do século.
“As consequências não se limitam ao aumento do nível do mar, mas afetam diretamente os ecossistemas das águas profundas, longe das geleiras”, ressalta Khan.
cbw/ef/mmy/hgs/rm/aa
Adicionar aos favoritos o Link permanente.