Trump ameaça voltar a atacar Irã se acordo não for respeitado

Donald Trump, presidente dos Estados UnidosReprodução/Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (17) que seu governo poderá voltar a realizar ataques contra o Irã caso o país não cumpra os termos do acordo que deve ser assinado na próxima sexta-feira (19), na Suíça. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa realizada no âmbito da cúpula do Grupo dos Sete, grupo que reúne algumas das principais economias do mundo, em Evian, na França.

Segundo Trump, o entendimento representa uma oportunidade para encerrar o conflito que se arrasta há meses no Oriente Médio, mas os Estados Unidos manterão a pressão caso o governo iraniano deixe de cumprir os compromissos assumidos.

“Se eles não se comportarem, voltaremos imediatamente a agir”, afirmou o presidente norte-americano ao comentar as negociações em andamento.

Trump também voltou a criticar a postura adotada pelo governo iraniano ao longo das últimas décadas e disse acreditar que o acordo poderá inaugurar uma nova fase de estabilidade na região, desde que os termos sejam respeitados por ambas as partes.

A declaração ocorre às vésperas da assinatura de um acordo preliminar entre Washington e Teerã, apontado por líderes internacionais como um passo importante para o fim das hostilidades e para a retomada das negociações diplomáticas.

Guerra contra o Irã e bloqueio no Estreito de Ormuz

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã teve início no fim de fevereiro deste ano, após uma escalada das tensões na região. Nas primeiras semanas do conflito, uma série de ataques aéreos atingiu instalações militares e centros de comando iranianos.

Entre as mortes anunciadas durante a ofensiva está a do líder supremo do país, Ali Khamenei, além de outros integrantes da cúpula política e militar iraniana, fato que marcou uma mudança significativa no equilíbrio de forças no Oriente Médio.

Pouco depois do agravamento dos confrontos, o governo iraniano anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo e uma parcela importante do gás natural liquefeito comercializado internacionalmente. A medida foi apresentada por Teerã como uma resposta aos ataques sofridos.

Durante o período de bloqueio, que durou várias semanas, autoridades iranianas advertiram que embarcações ligadas aos Estados Unidos e a países aliados poderiam ser atacadas caso tentassem atravessar a região. A ameaça levou empresas de navegação a suspenderem rotas, enquanto diversos petroleiros permaneceram ancorados aguardando melhores condições de segurança.

O fechamento da passagem provocou forte repercussão internacional, elevando os preços do petróleo e aumentando o temor de uma crise no abastecimento global de energia. Apenas após o avanço das negociações diplomáticas entre Washington e Teerã o tráfego marítimo começou a ser restabelecido gradualmente, com a retomada da circulação de navios na segunda-feira (15).

Essa reabertura do Estreito de Ormuz é considerada um dos principais resultados do entendimento alcançado entre os dois países e antecede a assinatura do acordo preliminar de paz.

Acordo de paz será assinado na sexta-feira

O acordo que será assinado na sexta-feira, na Suíça, é tratado pelas autoridades como um primeiro passo para encerrar oficialmente a guerra. O documento funcionará como um memorando de entendimento e estabelecerá princípios que deverão nortear as negociações de um pacto definitivo entre os dois países.

Após a assinatura, representantes dos Estados Unidos e do Irã deverão iniciar uma nova rodada de conversas, com duração estimada de 60 dias. Entre os temas que serão discutidos estão o programa nuclear iraniano, mecanismos de monitoramento internacional e garantias de segurança para ambas as partes.

A expectativa da comunidade internacional é que o entendimento reduza as tensões no Oriente Médio e consolide o cessar-fogo alcançado nos últimos meses, evitando uma nova escalada militar em uma das regiões mais estratégicas do mundo.

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