
A reunião da cúpula do G7 nos últimos dias na França, trouxe alívio inédito para a diplomacia mundial. Após meses de clima tenso no Oriente Médio que impactaram severamente a economia mundial, o embaixador do Brasil no Irã, André Veras Guimarães, afirmou na manhã desta quinta-feira (18), uma virada histórica no cenário de guerra entre Estados Unidos (EUA) e Irã, com proximidade real e escalar da paz.
O diplomata destacou em entrevista para a CNN, estar otimista com o acordo temporário firmado entre os países. Segundo ele, “o mundo nunca esteve tão perto da paz”. A afirmação de Guimarães é em cima de um memorando acordado entre EUA e Irã que interrompeu a última ofensiva militar no Oriente Médio.
A conquista diplomática foi o cessar-fogo efetivo estabelecido em documento oficial, mesmo que temporariamente por 60 dias, porém atrelado a uma promessa forte das duas potências globais: um fundo internacional de US$ 300 bilhões (R$ 1,5 tri) de será viabilizado e direcionado para a reconstrução do Irã e também, para estabilizar toda política regional.

Efeitos do acordo na economia
Segundo o embaixador, o alívio se estende ao mercado internacional que respira mais otimista com a paz à vista ante a concordância do governo norte-americano em encerrar o severo bloqueio militar nos portos do Irã, imposta nos últimos meses. Isso somado a contrapartida do governo iraniano que se comprometeu a reabrir o Estreito de Ormuz, principal artéria do mercado mundial de petróleo.
Essa importante via estava com fluxo interrompido, nenhuma embarcação passava neste período, salvo os poucos dias de trégua entre os países. Esse bloqueio refletiu diretamente nas exportações do combustível, estragulando o mercado global e forçando a inflação de vários países, gerando um efeito dominó.
Na entrevista, o embaixador afirmou que diante dessas tratativas e retirada de sanções do Irã e EUA, o cenário internacional mudou de rota: pararam de planejar uma guerra mais ofensiva e paralelamente, os líderes do G7 assumiram a cadeira de mediadores e passaram a costurar com os países, um acordo de paz definitivo.

O recuo de Trump e o estado de alerta do Brasil
E essa mudança da tônica do presidente americano, Donald Trump, encaixou no xadrez geopolítico internacional. Nas reuniões do G7, Trump explicou que o recuo do país foi estratégico e afirmou que via a necessidade de evitar uma “catástrofe econômica”.
O presidente norte-americano ressaltou ainda que os efeitos de um confronto militar prolongado seria insustentável às economias globais e que o empenho é em abrir o caminho para que a diplomacia se fortalecesse.

Segundo Veras, a embaixada brasileira acompanha as tensões de perto e que nas últimas semanas, dada a incerteza aguda em Teerã, chegou a rever protocolos de segurança do Brasil.
Veras aponta que partindo desta trégua de dois meses formalizada na mesa da reunião do G7, o movimento global passa a se voltar volta para modificar este cessar-fogo em um trato definitivo, o que envolve debates complexos futuros que incluem penalidades econômicas e a “castração” do programa nuclear iraniano.
