Dólar abre com agenda fraca e incertezas sobre acordo entre EUA e Irã para o fim da guerra


Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abre nesta sexta-feira (19) em um dia de agenda econômica esvaziada, tanto no Brasil quanto no exterior. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começa a ser negociado às 10h.
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▶️ Os preços do petróleo voltaram a subir depois que as negociações previstas entre Estados Unidos e Irã, que ocorreriam na Suíça, foram canceladas. A interrupção das conversas aumentou a cautela dos investidores em relação ao acordo de paz firmado nesta semana entre os dois países.
Na madrugada desta sexta-feira, os contratos futuros do petróleo chegaram a subir, com o Brent avançando 0,3%, para US$ 80,09 por barril, e o WTI, 0,45%, para US$ 76,19. Por volta das 8h34 (horário de Brasília), porém, ambos passaram a cair 0,2%, cotados a US$ 79,69 e US$ 75,85, respectivamente. Apesar da alta do dia, o petróleo caminha para encerrar a semana em baixa.
▶️Com o cancelamento do encontro, seguem pendentes as discussões sobre o futuro do programa nuclear iraniano, a situação no Líbano e as regras para o uso do Estreito de Ormuz. O acordo inicial prevê um prazo de 60 dias para que as partes negociem um entendimento definitivo.
▶️O acordo de paz encerra quase quatro meses de conflito no Oriente Médio. Com o fim da guerra, economistas acompanham quando os mercados e a atividade econômica devem voltar à normalidade. O g1 listou os principais efeitos da guerra sobre a economia. (veja mais abaixo)
▶️Nos EUA, o feriado de Juneteenth, que marca o fim da escravidão no país, mantém os mercados financeiros fechados nesta sexta-feira e reduz a agenda de divulgações econômicas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +2,22%;
Acumulado do mês: +2,61%;
Acumulado do ano: -5,73%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -1,67%;
Acumulado do mês: -3,17%;
Acumulado do ano: +4,44%.
Juros na mira
Brasil
O Copom do Banco Central (BC) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi tomada de forma unânime pelo comitê e veio em linha com o esperado pelo mercado.
Na decisão, o colegiado afirmou que o “ambiente externo permanece incerto”, em meio às incertezas que ainda circundam o acordo de paz no Oriente Médio e aos efeitos do conflito.
“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, diz a nota do BC.
Já em relação ao cenário econômico brasileiro, o BC afirmou que os indicadores apontam para uma aceleração da atividade econômica e um mercado de trabalho ainda aquecido, o que já começa a se refletir nos preços.
“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”, afirmou o Copom.
Segundo analistas da XP Investimentos, a decisão do BC indicou que pode não haver mais espaço para cortes de juros neste ano.
“Ainda assim, o Copom manteve aberta a possibilidade de novos ajustes. Nosso cenário-base antecipa um ajuste final em agosto de 0,25 p.p., o que deixaria a taxa Selic em 14,00% até (pelo menos) o 1º trimestre de 2027. Mas, considerando a deterioração recente do cenário de inflação, uma pausa nos atuais 14,25% também parece bastante provável”, afirmaram em relatório.
EUA
Já nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve as taxas de juros americanas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%. Essa foi a primeira reunião da gestão de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a presidência do Fed.
➡️ O cenário de juros altos nos EUA tem diferentes reflexos no mundo — inclusive no Brasil. Isso porque, com juros mais altos, investidores estrangeiros tendem a realocar recursos para a maior economia do mundo, em busca de rendimentos maiores e maior segurança.
➡️ Com isso, o dólar tende a se valorizar em relação às moedas de outras economias do mundo — incluindo o real — e a bolsa de valores brasileira tende a cair.
➡️ Quando o dólar está mais alto, produtos importados ficam mais caros no Brasil, o que pode pressionar a inflação doméstica, especialmente em itens como combustíveis e eletrônicos. Com preços mais altos por aqui, a tendência é que esse cenário também resulte em juros mais elevados no Brasil, encarecendo o crédito e limitando o crescimento da economia.
Na avaliação de Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora americana Stratton Capital, aponta que um dos pontos mais relevantes foi a decisão de Warsh em não divulgar sua estimativa para os juros no chamado “gráfico de pontos” (“dot plot”) — movimento que considera coerente com as críticas que o dirigente já havia feito a esse mecanismo.
“O gesto reforça que estamos diante de um Fed em transformação, com potenciais mudanças estruturais à frente. O comunicado deixou claro o foco do comitê em entregar estabilidade de preços, e isso deve pautar as próximas decisões”, afirma Flores.
Segundo ele, o texto divulgado pelo banco central americano foi mais inclinado a uma postura de cautela com a inflação do que a uma eventual flexibilização, o que mantém aberta a possibilidade de novas altas de juros nas próximas reuniões.
Na visão do especialista, essa leitura ajuda a explicar a reação dos mercados, com fortalecimento do dólar, pressão sobre os títulos públicos americanos e queda das bolsas. “A economia dos Estados Unidos continua sólida e em expansão, o que reforça uma visão mais favorável a juros mais altos do que à manutenção ou queda das taxas”, diz.
Acordo de paz entre EUA e Irã
Outro destaque fica com o acordo de paz entre os EUA e o Irã. Os dois países assinaram um memorando de entendimento na última quarta-feira (17). (acompanhe os principais acontecimentos)
O texto tem 14 pontos e inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã e uma compensação financeira ao governo iraniano. Além disso, abre um período de 60 dias para que os dois países negociem a questão nuclear.
Com a assinatura do memorando, Estados Unidos e Irã se comprometem a conduzir negociações para alcançar um acordo definitivo em até 60 dias, com prazo prorrogável mediante consentimento mútuo.
O governo suíço anunciou nesta quinta-feira (18) que EUA, Irã, Paquistão e Catar se reunirão na sexta (19) em Bürgenstock, na Suíça, para iniciar as negociações sobre a implementação do acordo de paz. O encontro, que antes serviria para assinar o memorando, chegou a ficar incerto após a assinatura ter sido antecipada.
Esse, no entanto, ainda não é o acordo final, que só será alcançado após novas negociações entre EUA e Irã para tratar da questão nuclear. Ele deverá ser ratificado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.
Enquanto se aguarda o acordo definitivo, EUA e Irã concordam em manter o status quo: o Irã manterá seu programa nuclear, e os EUA não vão impor novas sanções e nem mobilizarão forças militares adicionais no Oriente Médio.
Entenda quais os próximos passos
Mercados globais
Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em alta, conforme investidores avaliavam a decisão de juros do Fed e o acordo para o fim do conflito no Oriente Médio.
O Dow Jones teve alta de 0,14% e o S&P 500 subiu 1,06%, enquanto o Nasdaq Composite registrou ganhos de 1,87%.
Na Europa, os mercados acionários fecharam de forma mista nesta sessão. O índice pan-europeu STOXX 600 encerrou com queda de 0,3%.
Entre os principais mercados, o alemão DAX avançou 0,37% e o francês CAC 40 subiu 0,44%, enquanto o britânico FTSE 100 registrou queda de 1,04%.
Já na Ásia, os índices fecharam mistos nesta quinta-feira, após a agência reguladora do mercado de valores da China indicar que apoia a inovação. O CSI300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, avançou 0,21%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, perdeu 0,43%. Já o Hang Seng teve queda de 1,59%.
No Japão, o Nikkei subiu 1,65%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve valorização de 2,25%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar atinge a segunda maior cotação da história: R$ 5,86
Reprodução/TV Globo

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