Nova Serra das Araras: veja o que já mudou na obra

Obras na Serra das Araras, na Via DutraDivulgação/Motiva CCR-RioSP

As obras da nova Serra das Araras, na Via Dutra (BR-116), já passaram 70% do total e devem ser terminadas ainda em 2027, dois anos antes do prazo previsto.

A reforma das pistas começou em abril de 2024 e tem investimento de R$ 1,5 bilhão para renovar o trecho que foi construído em 1928 por novas pistas com quatro faixas em cada sentido, acostamentos e velocidade máxima aumentada para 80 km/h. O trecho da rodovia terá oito quilômetros em cada um dos sentidos.

Como a obra avançou

Desde o início da duplicação, cerca de dois mil trabalhadores atuam em 25 áreas da rodovia. Durante a obra, a expectativa é gerar até cinco mil empregos diretos e indiretos.

Em abril de 2025, a obra registrava cerca de 25% de execução. Em maio de 2025, a concessionária entregou o primeiro dos 24 viadutos previstos no projeto. A estrutura, que fica em Paracambi (RJ) no sentido São Paulo, tem 50 metros no total e foi liberada um mês antes do previsto.

Serra das ArarasDivulgação/CCR-Motiva

Em outubro de 2025, as obras chegaram à marca de 50%. Já em janeiro de 2026, o avanço foi estimado em 60%, enquanto, em abril, a obra ultrapassou 65%. 

Nesta segunda-feira (22), o projeto atingiu 70% de execução com a entrega do primeiro pedaço da nova pista de subida, no sentido São Paulo (SP). Essa parte da serra tem quatro quilômetros de extensão na região de Paracambi (RJ) e já conta com quatro faixas de rolamento, acostamento, iluminação em todo o percurso e oito novos viadutos. O trecho também possui faixas de segurança pela rodovia. A cerimônia de abertura teve a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de outras autoridades.

Outro ponto importante são as detonações de rochas, essenciais para a abertura das novas pistas. Os trabalhos acontecem com bloqueios programados, de segunda a quinta-feira, das 13h às 15h, e começaram também aos sábados, das 16h às 18h, para acelerar o ritmo das obras. Até abril de 2026, já haviam sido realizados 275 desmontes de rocha.

Parte do material retirado durante as explosões está sendo reaproveitada na própria obra. Segundo a concessionária, cerca de 350 mil metros cúbicos de rocha foram transformados em pedra brita e pó de pedra para uso na própria construção.

A obra completa terá a construção de 24 viadutos, três passarelas para pedestres, duas rampas de escape para caminhões na descida da serra, 93 contenções de encostas e oito pontos de ônibus.

Trecho da Via Dutra (BR-116) na Serra das Araras em abril de 2024Márcio Ferreira/Ministério dos Transportes

A concessionária deve entregar mais oito viadutos da pista de subida ainda no primeiro semestre deste ano. A expectativa é terminar primeiro toda a nova pista de subida e, na sequência, concluir a pista de descida.

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Mudanças para os motoristas

Enquanto as obras continuam, quem utiliza a Serra das Araras tem convivido com alterações na rotina de viagem. Entre 2024 e 2025, motoristas relataram congestionamentos, atrasos e muita espera causados pelas intervenções, bloqueios e até acidentes que foram registrados no trecho.

Em grupos de trânsito e redes sociais, usuários relataram viagens que levaram muito mais tempo do que o normal na serra, que é conhecida por ser “perigosa“, como descrevem os motoristas. Houve relatos de trajetos que normalmente levariam apenas algumas horas, mas que tomaram até 10 ou 11 horas. “Cheguei no trânsito 16h30 e cheguei no Rio 2h da manhã“, escreveu um usuário.

Alguns motoristas afirmaram ter saído de Volta Redonda (RJ) durante a tarde e chegado ao Rio de Janeiro (RJ) só na madrugada seguinte. “Um absurdo levar 10 horas para chegar no Rio. Minha filha saiu de Volta Redonda às 17h e chegou no Rio às 3h da manhã“, relatou uma pessoa  nas redes sociais.

Trecho em expansão das pistas na Serra das Araras Motiva Rodovias

Também houve relatos de atrasos que atravessaram a madrugada. “Cheguei agora pouco em Nova Iguaçu, ficamos parados na Serra desde as 10h da manhã“, afirmou uma motorista. Outra mulher reclamou do impacto na rotina de trabalho. “Perdi o dia de serviço no Rio por causa dessa moleza da concessionária em resolver. Cobrar pedágio caro é fácil“, escreveu.

As reclamações ainda envolvem a quantidade de caminhões passando pelas pistas da serra e a capacidade pequena enquanto as obras não terminam. Acidentes envolvendo veículos de carga estiveram entre os problemas mais comentados pelos motoristas durante o período de obras. Comentários como “muita carreta para pouca pista” se tornaram frequentes nas redes sociais.

Como anda e a importância da obra na Via DutraGerado por IA

Em fevereiro deste ano, um trabalhador morreu após ser atingido por um carro que saiu da pista e caiu na área de construção no km 230, sentido São Paulo. Segundo a concessionária, o veículo bateu com uma carreta antes de perder o controle e atingir a área das obras. 

Por outro lado, alguns usuários defenderam que o respeito aos limites de velocidade na descida da serra pode contribuir para diminuir esses acidentes em um trecho já marcado por diversos episódios envolvendo as carretas.

O que deve mudar após a conclusão

Segundo a concessionária, a nova Serra das Araras deve diminuir em 25% o tempo das viagens na subida e 50% na descida.

Atualmente, cerca de 390 mil veículos usam o trecho por mês, sendo 36% caminhões e veículos de carga, porque a rodovia é considerada estratégica para o transporte de mercadorias no país. Segundo o Ministério dos Transportes, a Via Dutra é responsável pelo transporte de mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O cronograma planeja que a entrega da nova pista de subida será feita em 2028 e da descida em 2029, mas a concessionária diz que trabalha para terminar toda a obra ainda no ano de 2027.

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