CAP RATE E DY, o que seriam?

No mundo dos investimentos imobiliários, dois termos vivem aparecendo nas conversas de quem quer renda passiva: Cap Rate e Dividend Yield. À primeira vista, parecem a mesma coisa. Afinal, ambos mostram quanto um ativo paga em relação ao valor investido. Mas, apesar da semelhança matemática, cada um nasce em um universo diferente, e entender isso faz toda a diferença na hora de comparar.

Cap Rate: o termômetro

Cap Rate é a abreviação de capitalization rate, ou taxa de capitalização. Também no mercado imobiliário tradicional, ele funciona como um “raio-X” rápido da rentabilidade de um imóvel para locação.
A conta é direta:

Aluguel anual com sua receita líquida, considerando os aluguéis recebidos no ano, já descontando o IR e as despesas operacionais, quando houver, como IPTU, seguro, manutenção e taxas de administração, conhecido como Lucro Operacional Líquido (NOI). O resultado é um percentual que mostra quanto aquele imóvel pode render por ano, considerando apenas a renda.

Exemplo didático: se um imóvel custou R$ 20 milhões e gera R$ 1,2 milhão por ano de receita líquida, o cap rate é de 6%. Isso significa que, naquele momento, o imóvel entrega um retorno anual equivalente a 6% do seu valor. Obs.: essas contas sobre imóveis comerciais possuem dinâmicas diferentes das de imóveis residenciais, principalmente de médio e baixo valor.

O cap rate não considera valorização do imóvel, períodos de vacância, inadimplência, custos extraordinários e muito menos a forma como o investidor financiou a compra. Ou seja, ele é um indicador poderoso para comparação rápida, mas não substitui uma análise mais profunda.

Um desses exemplos de análise seria observar o Cash-on-Cash Return, ou retorno sobre o capital investido, também conhecido como CoC. Essa é a métrica financeira que mede o rendimento anual de um investimento imobiliário em relação ao custo da dívida sobre o capital efetivamente desembolsado à vista.

Ele é a métrica mais realista para quem investe usando financiamento, pois ignora o valor total do imóvel e foca apenas no seu desembolso real. Possui um conceito descomplicado, depois que se entende. Em um exemplo didático, se você compra um imóvel de R$ 500.000, mas dá R$ 100.000 de entrada e financia o restante, o seu capital investido é de R$ 100.000. O CoC vai calcular o retorno sobre esses R$ 100.000, descontando todas as despesas e a prestação da dívida.

Então, vamos aos cálculos do CoC: imóvel comprado com sinal de R$ 100.000 (alavancagem).

Capital desembolsado (sinal): R$ 100.000 x valor financiado: R$ 400.000

Custo da dívida (parcelas do ano): R$ 28.000 x fluxo de caixa anual líquido: R$ 8.000 (R$ 36.000 de aluguel – R$ 28.000 do banco)

Cálculo: 8.000 / 100.000 x 100% = Cash-on-Cash Return: 8,0% ao ano.

Muito usado por grandes investidores imobiliários, que muitas vezes possuem o valor do financiamento e, com isso, têm a tranquilidade de garantir os pagamentos da alavancagem e ainda fazem o saldo rentabilizar a operação.

DY ou Dividend Yield: o lucro

Já o Dividend Yield é o indicador queridinho do mercado financeiro. No universo dos Fundos Imobiliários (FIIs), o Dividend Yield mostra quanto a cota está pagando de rendimentos em relação ao seu preço negociado na bolsa. De forma didática, se um ativo distribuiu R$ 1,20 por cota no ano e a cota é negociada, no dia do cálculo de referência, a R$ 100, então o yield fica em 1,2%.

E tem outro não menos importante , que na verdade seria o que sempre oriento que deve ser o mais observado na carteira do investidor.
Por isso que acho pertinente incluir um adendo nessa parte do assunto, que seria o YOC (yield on cost), pois é um indicador que diz o % real do dividendo em relação ao custo de aquisição/ PM (preço médio). Portanto cada investidor tem o seu YOC , ou até podemos dizer assim, que é seu Yield pessoal e real.

Bom, mas voltando ao tema Dividend Yield x Cap Rate: há algumas semelhanças, com matemática parecida, mas o contexto muda tudo.

Afinal, qual é a diferença didática?

A diferença entre Cap Rate e Dividend Yield é mais conceitual do que matemática.

Cap Rate é usado para analisar a projeção de retorno do investimento.

Dividend Yield é usado para demonstrar o retorno consolidado do investimento.

No caso dos FIIs, por serem classes de ativos mais democráticas aos CPFs, muito investidor incauto acha que o cap rate de uma operação “na prática” é o próprio dividend yield do FII. Mas se esquece de que, dentro do portfólio do fundo, houve outras operações com cap rates diferentes que, ao se juntarem, podem melhorar ou piorar o fundo.

O cuidado que quase ninguém tem

Aqui entra o ponto que separa o investidor incauto do experiente: olhar só para o percentual geralmente pode enganar.

Um cap rate muito alto pode indicar risco elevado, imóvel mal localizado ou problemas de liquidez. Da mesma forma, um dividend yield muito acima da média pode estar inflado por receitas não recorrentes, venda de ativos ou distribuições extraordinárias. Por isso, comparar apenas números frios é perigoso. É essencial analisar:

Vacância e inadimplência, no caso de imóveis;

Regularidade dos rendimentos;

Perspectiva de valorização;

Contexto econômico;

Qualidade da gestão, no caso de FIIs. Em ativos de bolsa, a gestão, sim, a gestão faz muuuuita diferença.

Não é só sobre porcentagem

Nenhum deles, sozinho, conta uma história inteira. Um investimento imobiliário, seja físico ou via bolsa, sempre envolve principalmente um ciclo econômico. Depois vêm localização, gestão, crédito e estratégia. Olhar apenas o rendimento atual pode fazer você ignorar riscos escondidos ou, infelizmente, perder boas oportunidades.

No fim das contas, Cap Rate e Dividend Yield ajudam, mas não substituem a leitura completa e fundamentalista de outras métricas. Lembrando o que digo há tantos anos nas mídias de mercado: quem lê mais de um indicador costuma tomar decisões bem melhores.

*Coluna escrita por Rui das Neves, administrador de empresas, investidor e possui vasta experiência no como incorporador imobiliário.

*As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

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