
Uma investigação da Polícia Civil de Minas Gerais levou à prisão preventiva de um homem e uma mulher, de idades não informadas, suspeitos de aplicar um golpe que teria causado prejuízo de aproximadamente R$ 1 milhão a uma moradora de Inhapim, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a vítima teria sido convencida a entregar dinheiro, bens e realizar empréstimos após ser submetida a um longo processo de manipulação psicológica envolvendo supostas orientações espirituais.
Os mandados de prisão foram cumpridos durante a Operação Stelios. Além das prisões, a Justiça autorizou buscas e apreensões, bloqueio de ativos financeiros e outras medidas para preservar provas e tentar recuperar parte dos valores perdidos pela vítima.
De acordo com o MPMG, a denúncia formal contra os investigados deverá ser apresentada nas próximas semanas, após a conclusão das investigações finais.
Supostas ameaças sobrenaturais
As investigações da polícia apontam que a vítima foi levada a acreditar que enfrentaria problemas de saúde, dificuldades familiares e outros problemas caso não seguisse as orientações dadas pelos suspeitos.
Segundo a apuração, os investigados utilizavam alegações relacionadas a consequências espirituais e sobrenaturais para convencer a mulher a realizar sucessivos pagamentos e transferências. A prática teria ocorrido ao longo de vários meses.
Ainda conforme os elementos reunidos pela Polícia Civil, a vítima acreditava que os repasses eram necessários para afastar situações negativas que lhe eram apresentadas pelos suspeitos.
Empréstimos, Pix e compra de bens
Durante o período investigado, a mulher teria realizado empréstimos bancários, financiamentos e transferências via Pix. Também foram identificadas compras de veículos, aparelhos celulares, joias, móveis, eletrodomésticos e diversos outros bens que, segundo a investigação, beneficiaram os suspeitos.
O caso ganhou contornos ainda mais graves quando a Polícia Militar foi acionada após uma tentativa de suicídio da vítima. Conforme relatado ao Ministério Público, ela sofreu forte abalo emocional ao descobrir a extensão das perdas financeiras acumuladas.
Para os investigadores, o episódio reforçou a gravidade dos danos causados pelo suposto esquema.
Investigação apura movimentação de patrimônio
Segundo o Ministério Público, as apurações também indicam que, após a descoberta dos fatos, os investigados teriam deixado o imóvel onde residiam e transferido bens para outros endereços.
Essa movimentação foi um dos fatores que contribuíram para o pedido de prisão preventiva e para a adoção de medidas cautelares patrimoniais.
A Justiça também autorizou a obtenção de provas digitais, incluindo o acesso a dados telemáticos considerados importantes para esclarecer a dinâmica dos fatos, identificar possíveis colaboradores e rastrear a movimentação financeira ligada ao caso.
Os dois investigados permanecem à disposição da Justiça. O Ministério Público afirma que segue acompanhando o caso e trabalhando para responsabilizar os envolvidos e recuperar valores.
