
O júri dos policiais militares acusados de participação no assassinato do empresário e delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), Vinícius Gritzbach, e do motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio Novais foi remarcado para fevereiro de 2027.
Inicialmente previsto para ocorrer entre os dias 22 e 26 de junho deste ano, o julgamento foi anulado logo no primeiro dia após a defesa dos réus abandonar o plenário durante uma discussão com o promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes. A nova sessão foi marcada para os dias 22, 23, 24, 25 e 26 de fevereiro de 2027.
Na decisão, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo determinou a manutenção da prisão preventiva dos três acusados, o soldado Ruan Silva Rodrigues, o cabo Dênis Antônio Martins e o tenente Fernando Genauro da Silva, até a realização do novo júri.
Segundo o magistrado, a medida busca evitar possíveis interferências na colaboração de testemunhas e sobreviventes do atentado.
De acordo com as investigações, os três policiais teriam participado diretamente da execução do crime. O cabo Dênis Martins e o soldado Ruan Rodrigues foram denunciados pelo Ministério Público por utilizarem fuzis no assassinato de Gritzbach. Já o tenente Fernando Genauro é acusado de transportar os executores até o local do crime e auxiliá-los na fuga.
Além das mortes de Gritzbach e de Celso Novais, ocorridas em 8 de novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, os réus também respondem por duas tentativas de homicídio contra vítimas que ficaram feridas durante o ataque.
Júri anulado

O julgamento foi interrompido após um desentendimento entre a defesa e o promotor Rodrigo Merli Antunes durante o depoimento do capitão Vinícius Gomes de Campos Cajuela, da Corregedoria da Polícia Militar.
A discussão começou quando o promotor mencionou um episódio em que um dos advogados de defesa teria sido vítima de um suposto atentado em Sorocaba, no interior de São Paulo. Os defensores alegaram que o assunto não tinha relação com o processo e contestaram a fala.
Com os ânimos exaltados, os advogados acusaram Merli de atacar a advocacia criminal. Em um dos momentos mais tensos, chamaram o promotor de “fujão”. Ele respondeu:
“Quem vai embora é o senhor”.
Na sequência, um dos advogados afirmou que Merli seria covarde porque não teria coragem de abandonar o julgamento. O promotor rebateu:
Diante da troca de acusações, o juiz suspendeu a sessão por cinco minutos. Quando os trabalhos foram retomados, a defesa deixou o plenário e o magistrado anunciou a dissolução do Conselho de Sentença.
“Houve abandono do plenário por parte da defesa dos réus após desentendimento com o promotor, e por isso, dissolução do conselho de sentença”, informou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em nota.
Tensão já havia começado antes
O clima de confronto entre acusação e defesa já havia surgido anteriormente, durante o depoimento do perito criminal responsável pelo caso.
Na ocasião, o advogado Renan Pacheco Canto ameaçou abandonar a defesa após o promotor afirmar que ele “defendia bandido e matador de aluguel”.
Renan chegou a se dirigir à porta do plenário e indicou que deixaria a sessão caso o promotor não fosse repreendido. Diante do episódio, o juiz determinou que Merli evitasse circular próximo aos advogados durante os questionamentos às testemunhas.
