
Matheus Gonçalves dos Santos possui condenação anterior por lesão corporal no âmbito doméstico contra a mesma vítima.
CNJ
A Justiça de Mato Grosso decretou a prisão preventiva de Matheus Gonçalves dos Santos, de 33 anos, suspeito de matar a companheira, Gleici Fátima Machado Ritter, de 37 anos, em Guarantã do Norte, a 725 km de Cuiabá. O caso aconteceu nesta terça-feira (23) e é investigado como feminicídio pela Polícia Civil. Segundo a decisão, o investigado fugiu para o Paraguai levando o filho do casal, que está em situação de vulnerabilidade.
De acordo com o processo, a prisão foi decretada após a fuga do suspeito, que teria deixado o local do crime portando uma arma de fogo. Durante a fuga, ele levou o filho menor sem documentos pessoais.
Diante da saída para outro país, o juiz Guilherme Carlos Kotovicz determinou a comunicação à Polícia Federal para inclusão do mandado de prisão em sistemas de cooperação internacional e na Difusão Vermelha da Interpol.
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Na decisão, o magistrado destacou que a criança foi levada em contexto de risco, sem documentação e em meio a uma situação de violência e fuga internacional.
A Justiça também levou em conta o histórico do suspeito. Ele já possui condenação anterior por lesão corporal no âmbito doméstico contra a mesma vítima e responde a outra ação penal na Comarca de Cláudia (MT). Para o Judiciário, esse histórico reforça o risco de reincidência e a insuficiência de medidas cautelares alternativas.
A prisão preventiva foi decretada para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal, já que a fuga indica tentativa de evitar a atuação da Justiça.
Agora no g1
Entenda o caso
Gleici Fátima Machado Ritter, 37 anos, foi assassinada a tiros dentro de casa
Reprodução
Gleici Fátima Machado Ritter, 37 anos, foi assassinada a tiros dentro de casa. A Polícia Civil informou que foi acionada por vizinhos da vítima e que, no local, os policiais encontraram Gleici já sem vida, com ferimento de perfuração na região da cabeça compatível com disparo de arma de fogo. Próximo ao corpo da vítima, os policiais encontraram um cartucho de espingarda.
O Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero informou que, no ano passado, Gleici pediu a retirada de uma medida protetiva que tinha contra o marido devido ao histórico de violência.
Testemunhas contaram aos policiais que a vítima mantinha um relacionamento com o suspeito e que o casal discutia frequentemente, revelando um histórico de violência. De acordo com o Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero:
Em 2023, ocorreram as primeiras denúncias contra o suspeito, quando Gleici procurou as autoridades para relatar episódios de violência doméstica.
Em 2024, novas intervenções policiais ocorreram por crimes como lesão corporal, injúria e posse irregular de arma de fogo, todos envolvendo o mesmo casal.
Já em julho de 2025, o suspeito foi preso em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica, após a vítima acionar as forças de segurança. Na ocasião, foram concedidas medidas protetivas de urgência em favor de Gleici.
Meses depois, a vítima solicitou a revogação da medida, o que resultou na liberdade do suspeito.
Segundo a chefe do Gabinete, Mariell Antonini, a violência doméstica costuma seguir um ciclo que tende a se agravar ao longo do tempo.
“É importante que toda mulher compreenda que o rompimento do ciclo da violência nem sempre é um processo simples. Muitas vezes, existem obstáculos relacionados à dependência afetiva, dependência econômica, medo, preconceito e outros fatores que dificultam a tomada de decisão. Por isso, é fundamental buscar apoio, acreditar na rede de proteção e no sistema de Justiça”, disse em nota.
🚨Como pedir ajuda?
Interface do aplicativo ‘SOS Mulher MT’
Reprodução
O aplicativo ‘SOS Mulher MT’ é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva.
O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis.
Nos outros municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para as outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e também acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências.
O que é a Lei Maria da Penha
A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de criar mecanismos para prevenir e impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo a Lei, a violência doméstica contra a mulher envolve qualquer ação baseada no gênero, ou seja, a mulher sofrer algum tipo de violência apenas pelo fato de ser mulher.
O Instituto Maria da Penha aponta que essa violência pode ser dos seguintes tipos:
Violência física: qualquer ação que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher. Exemplos: espancamentos, estrangulamento, cortes, sacudidas, entre outros
Violência psicológica: qualquer ação que cause dano emocional e diminuição de autoestima; prejudique e perturbe o desenvolvimento da mulher ou tente degradar e controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. Exemplos: ameaça, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, entre outros
Violência sexual: qualquer ação que obrigue a vítima a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada. Exemplos: estupro, impedir uso de contraceptivos, forçar prostituição, entre outros
Violência patrimonial: qualquer ação que configure retenção ou destruição de objetos, instrumentos de trabalho, documentos, bens e valores da vítima. Exemplos: controle do dinheiro, destruição de documentos, estelionato, deixar de pagar pensão alimentícia, entre outros
Violência moral: qualquer ação que configure calúnia, difamação e injúria. Exemplos: acusar a mulher de traição, expor a vida íntima, desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir, entre outros
O que é medida protetiva?
As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam proteger pessoas que estejam em situação de risco, perigo ou vulnerabilidade. São dois tipos: as voltadas para o agressor, para impedir que ele se aproxime da vítima; e as voltadas para a vítima, para garantir a sua segurança e a proteção dos seus bens e da sua família.
Quem pode solicitar?
Qualquer mulher que esteja passando por uma situação de violência doméstica e familiar, independente do tipo de ameaça, lesão ou omissão.
Como solicitar medida protetiva?
A solicitação da medida protetiva pode ser feita em delegacias, Ministérios Públicos ou na Defensoria Pública. A mulher não precisa estar acompanhada de um advogado para fazer o pedido.
