
Baleias e golfinhos são vistos na Baía de Guanabara, no RJ
Moradores e frequentadores da Baía de Guanabara foram surpreendidos, nos últimos dias, por visitantes ilustres: golfinhos e baleias. Os animais foram avistados em diferentes pontos da região, rendendo registros que rapidamente se espalharam e encantaram as redes sociais.
Segundo o professor José Lailson, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), os avistamentos estão relacionados à temporada de migração das baleias no Hemisfério Sul.
“A gente agora tá no inverno, e essa época do ano é exatamente a época da migração das grandes baleias aqui no hemisfério sul. Parte dessas baleias fazem uma migração lá de zonas subpolares e polares – zonas próximas à Antártica, ou a própria Antártica – e vem para a costa brasileira para reprodução.”
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Durante esse deslocamento, diversas espécies passam pela costa do Rio de Janeiro. A mais comum é a baleia-jubarte, mas também podem ser observadas baleias-francas e baleia-de-minke. Os golfinhos também utilizam a região costeira do estado, especialmente em busca de alimento.
Nos últimos dias, diversos registros mostraram grupos de golfinhos dentro e fora da Baía de Guanabara. Entre eles, o golfinho-nariz-de-garrafa, espécie que costuma frequentar a entrada da baía e áreas próximas à Ponte Rio-Niterói.
Segundo o pesquisador, a presença desses animais não representa uma mudança de comportamento.
“Ele fica sempre nessa zona anterior à Ponte Rio Niterói, então, é comum que ele seja avistado em Niterói, Botafogo, Flamengo. São golfinhos bem grandões, eles passam de 200 kg, podem chegar a 2,80 m, ou até um pouquinho mais que isso. E entram na Baía de Guanabara, basicamente, à procura de alimento. De pequenos peixes.”
Golfinhos e baleias encantam moradores com aparições na Baía de Guanabara
Reprodução
Permanência de Jubarte na Baía
O caso que mais chamou a atenção dos especialistas foi o de uma baleia-jubarte juvenil que permanece há dias circulando pela Baía de Guanabara.
De acordo com Lailson, embora existam registros históricos de baleias na região, a permanência prolongada do animal é incomum. Durante o período colonial, a entrada desses mamíferos marinhos era frequente, mas os registros se tornaram raros ao longo do século XX.
A espécie mais associada historicamente à Baía era a baleia-franca. Desta vez, porém, trata-se de uma jubarte jovem, que tem sido observada principalmente na região próxima à sua entrada.
“A única coisa diferente mesmo é essa baleia ter entrado na Baía de Guanabara estar ficando dentro da Baía de Guanabara.”
Segundo o pesquisador, o animal aparenta estar saudável e ativo, apesar dos riscos que a permanência na área pode representar devido ao intenso tráfego de embarcações.
“Então ela está rodando aqui dentro, é um fato é inusitado permanecer tanto tempo, acaba também sendo um um pouco de risco. Aumentando um pouco de risco com interação com embarcações, colisão com embarcações, coisas do tipo. A gente fez um acompanhamento, mas ela tá bem arredia e nadando com muita força. Não parece ser um é um animal debilitado.”
Sem indícios de mudança na rota migratória
Apesar da repercussão causada pelos avistamentos, o professor afirma que não há evidências de alterações nas rotas migratórias dos mamíferos marinhos que passam pelo litoral do estado.
Segundo ele, a população de baleias-jubarte que chega ao Brasil se alimenta em regiões subantárticas, próximas às ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, antes de migrar para águas mais quentes para reprodução.
“Então assim, não tem nenhuma anomalia, nenhuma diferença no trajeto desses animais.”
O especialista acrescenta que, por ser um exemplar juvenil, a baleia observada na Baía de Guanabara pode eventualmente tentar se alimentar durante a viagem, comportamento menos comum entre os adultos.
Mesmo assim, a avaliação dos pesquisadores é de que o animal apresenta comportamento compatível com seu ciclo migratório e não demonstra sinais aparentes de debilidade.
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