
Hangest-sur-Somme, uma pequena vila de 780 habitantes no norte da França, usa desde fevereiro de 2013 uma superplanta asiática, chamada miscanto-gigante, como combustível para aquecer seus prédios.
O miscanto substituiu o óleo combustível e diminuiu os gastos com aquecimento em até 16 mil euros por ano, cerca de R$ 94 mil de economia.
Com origem no leste asiático, o Miscanthus giganteus é uma gramínea usada há muitos anos na cobertura de telhados e na medicina tradicional. Nos últimos anos, a planta passou a chamar a atenção de agricultores franceses por precisar de poucos cuidados, de pouco adubo e crescer rápido, chegando a cinco centímetros por dia.
Enquanto cresce, o miscanto suga gás carbônico da atmosfera, que contribui para o aquecimento global, o que ajuda a compensar as emissões quando a planta é queimada. O plantio ainda ajuda a diminuir a quantidade de nitrato no solo.
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Como funciona o sistema
A ideia de usar a planta surgiu depois que representantes da prefeitura conheceram uma instalação semelhante no castelo de Omiécourt. Em seguida, a cidade comprou cinco hectares de terras localizados a cerca de dois quilômetros da caldeira. Três hectares receberam o plantio de miscanthus em 2012 e os dois restantes foram cultivados em 2014.
O agricultor Philippe Collin, que na época criava gado na propriedade da família, ficou responsável pelo primeiro plantio de 25 hectares da planta como forma de diversificar sua produção. Depois da colheita, o miscanto é armazenado em um galpão de cinco mil metros quadrados construído com madeira de faia, árvore típica da região.
A antiga caldeira, que era movida a óleo, foi guardada de reserva e é acionada apenas em caso de falha no equipamento principal. Para garantir o funcionamento, uma empresa especializada confere se o combustível cumpre os requisitos técnicos.
Economia para a cidade
Antes do uso do miscanto, a vila gastava 20 mil litros de óleo combustível por ano, o que chegava a um gasto anual de 20 mil euros, o equivalente a R$ 120 mil.
Agora, a cidade queima 60 toneladas da planta por ano para produzir 100 kW de energia térmica. Com isso, o custo anual com aquecimento caiu para 4.300 euros, cerca de R$ 25,9 mil. A economia por ano chega a 16 mil euros, o equivalente a R$ 96,4 mil.
A novidade passou a receber visitantes interessados em adotar sistemas parecidos de aquecimento. Segundo o projeto, a iniciativa também é usada para conscientizar os moradores sobre a preservação ambiental e criar novas oportunidades para os agricultores da região.
