
Vespa celebra 80 anos em Roma
AP Photo/Alessandra Tarantino
Mais de 10 mil vespas [modelo de moto tradicional na Itália] circularam com seu característico som de motor ao redor do Coliseu e pelo Fórum Romano no sábado (27), marcando o 80º aniversário da icônica scooter.
Entusiastas vieram de toda parte. A AP conversou com pessoas da Europa continental, do norte da Inglaterra, de São Francisco, da Gold Coast da Austrália, das Filipinas e de outros lugares. Os visitantes a bordo de Vespas convergiram para as ruas de paralelepípedos da Cidade Eterna para celebrar uma marca que eles também consideram atemporal. Nem que fosse por apenas um dia, Ferrari e Ducati foram esquecidas enquanto a pequena Vespa as deixava para trás na poeira.
“A paixão pela Vespa é pelo estilo italiano, pela liberdade, pelos anos 60”, disse Natalie Dunand, uma aposentada da França que também estava comemorando seu próprio aniversário de 61 anos. “Eu amo isso.”
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O veículo de duas rodas que arranca sorrisos
Mundialmente famosas pelo filme “A Princesa e o Plebeu” (“Roman Holiday”) em 1953, quando Gregory Peck deu a Audrey Hepburn uma carona romântica pelo centro de Roma, as Vespas desde então apareceram em outros filmes, incluindo “O Talentoso Mr. Ripley” (“The Talented Mr. Ripley”) e, mais recentemente, na animação “Luca”.
Com linhas curvas que evocam uma era passada, além da capacidade de arrancar sorrisos dos espectadores, a Vespa — que significa “vespa” em italiano — está para o transporte de duas rodas assim como o Fusca da Volkswagen está para os carros.
Sua invenção foi um pouco por acaso, enquanto a Itália se reconstruía dos escombros após a Segunda Guerra Mundial. A Piaggio, uma grande fabricante de aeronaves que viu sua fábrica em Pontedera destruída por bombardeios, teve que mudar de rumo. Reduzindo consideravelmente o ritmo, a Piaggio começou a produzir scooters em massa.
Vespa celebra 80 anos em Roma
AP Photo/Alessandra Tarantino
As mulheres estavam entre as clientes-alvo iniciais, de acordo com Davide Zanolini, vice-presidente executivo de marketing da Piaggio, já que podiam pilotá-las usando saias longas e sem mostrar as pernas. Isso se reflete no design da Vespa.
“A forma, a elegância. Essa atitude muito charmosa da Vespa é muito mais de uma mulher do que de um homem”, disse Zanolini.
Aquele pequeno veículo de duas rodas ajudou a impulsionar a economia da Itália e, logo, as scooters estavam por toda parte.
Um artigo da AP de 1950 dizia que as Vespas haviam se tornado tão predominantes que o seu “barulho intermitente de escapamento” fazia o centro de Roma parecer a Indy 500.
“Provavelmente não existe uma scooter mais barulhenta em todo o mundo”, dizia o texto. “Diz-se que as scooters que cruzam ruidosamente por Roma impressionam os americanos fascinados por motores tanto quanto a Basílica de São Pedro ou o Coliseu. A scooter ensina rapidamente os visitantes a olharem para quatro direções de uma só vez nos cruzamentos das ruas.”
Uma visão do passado
Vespa celebra 80 anos em Roma
AP Photo/Alessandra Tarantino
Cenas como essas voltaram a ser comuns desde que os aficionados por Vespa começaram a chegar na quinta-feira, inundando as ruas por toda a cidade, com grupos de viagem marcando presença com camisetas combinando.
O estacionamento do lado de fora do Estádio dos Mármores de Roma, na quinta-feira, tinha fileiras e mais fileiras de Vespas de todos os modelos das últimas oito décadas. Era como um encontro de motociclistas — só que adorável. Algumas Vespas apresentavam flores e bichos de pelúcia.
O cão terrier Westie de Dunand viajava atrás dela, com o pelo tosado curto para aguentar o calor. Um homem de Tóquio, com sua filha de 8 anos na garupa, trocou a bandeira do clube de sua cidade natal com um italiano. Outros trocaram adesivos. E o logotipo da Vespa tatuado na panturrilha esquerda robusta de um alemão aparecia ao lado de quatro palavras em letra cursiva floreada: “La Dolce Vita” — A Doce Vida.
Os aficionados falaram sobre como a marca desperta a nostalgia de uma certa época, mesmo entre aqueles que não estavam vivos naqueles tempos. Muitos também observaram que trocaram motocicletas maiores por Vespas mais ágeis e manejáveis porque são mais leves e automáticas, com o acelerador na manopla.
“Você sobe, gira e vai. Moleza. Fácil”, disse Andrew Walton, um motorista de caminhão de 59 anos que comprou sua primeira Vespa há quase 20 anos e nunca olhou para trás. Ele tinha acabado de passar oito dias pilotando desde Newcastle, primeiro pegando uma balsa para Roterdã, depois seguindo o Rio Reno pela Alemanha até a “Estrada Romântica” da Áustria e, finalmente, descendo pela costa da Itália.
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Vespa celebra 80 anos em Roma
AP Photo/Alessandra Tarantino
Assim que o prefeito de Roma cortou a fita no Estádio dos Mármores, os visitantes entraram cantando, gritando e acenando bandeiras. Muitos foram direto para a loja de presentes, onde podiam arrematar de tudo, desde jaquetas e bonés da Vespa até cobertores da Vespa, garrafas de água da Vespa e guarda-chuvas da Vespa. Mas a maioria dos primeiros a chegar estava de olho no capacete de edição limitada, com “80 Anos de um Ícone” estampado em sua lateral.
Uma retrospectiva de fotos mostrava Vespas em cenas clássicas — casais fazendo piquenique em um campo florido, escapadas à beira-mar com biquínis e bola de praia, viagens de carro sob o sol do Mediterrâneo — além de outras que não se poderia imaginar, como o explorador Soren Nielsen chegando ao Círculo Polar Ártico em uma Vespa em 1963.
Havia também Vespas impecáveis da coleção da Piaggio exibidas como modelos posando para serem admiradas, atraindo a atenção geralmente direcionada para as estátuas de mármore próximas com físicos idealizados.
A empresa já vendeu cerca de 20 milhões de Vespas em todo o mundo desde 1946 e hoje vende em 110 países, disse Zanolini. Nos EUA, elas são populares na Flórida e na Califórnia e estão ganhando força em alguns outros lugares, como Austin. Mas ainda é um produto de nicho na América, disse ele.
Burke Sandman, cuja família é dona de uma concessionária de carros de 108 anos em Indiana, disse à AP em Roma que comprou sua primeira Vespa há cerca de duas décadas — cativado por seu sidecar. Ele rapidamente percebeu que não havia revendedores por perto e entrou em contato com a Vespa para entrar no negócio. Desde então, ele já comercializou cerca de 1.000 delas pelos EUA, garantindo 15 para si mesmo.
“Ninguém nunca diz nada de ruim sobre uma Vespa. Sabe, é uma loucura”, disse Sandman dentro da Vespa Village. “Todos que trocam outras marcas por uma Vespa nunca mais voltam. Há algo especial nela. E todo mundo gosta de coisas italianas. Recebo muitas pessoas que voltam da Europa e pegam essa mania.”
