Tarcísio descarta privatizar linhas operadas pelo Metrô SP

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante entrega da estação Washington Luís, da Linha 17 (Ouro) do MetrôJoão Valério/Governo do Estado SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (30) que não pretende mais conceder à iniciativa privada as linhas atualmente operadas pelo Metrô e que avalia ampliar a participação da empresa pública na gestão do sistema metroviário.

A declaração marca uma mudança em relação aos planos defendidos anteriormente pelo governo estadual, que estudava ampliar as concessões no transporte sobre trilhos.

Durante a inauguração da estação Washington Luís, da Linha 17-Ouro, Tarcísio afirmou que reviu sua posição após acompanhar o desempenho do Metrô. Segundo ele, a concessão não deve ser um objetivo por si só e a prioridade é garantir um serviço de qualidade para a população.

O governador disse que o Metrô tem apresentado bons resultados e, por isso, sua tendência é manter sob administração da estatal as linhas que já opera atualmente. Ele acrescentou que está disposto a rever decisões sempre que entender que isso representa uma alternativa mais eficiente para o transporte público.

Hoje, o Metrô administra as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata. Já as linhas 4-Amarela e 5-Lilás são operadas pela ViaMobilidade, enquanto a Linha 6-Laranja será administrada pela Linha Uni, concessionária da espanhola Acciona, quando entrar em operação comercial. As linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda também estão sob concessão à iniciativa privada.

Outro ponto citado pelo governador foi a necessidade de evitar uma concentração excessiva da operação nas mãos de poucas empresas. Atualmente, a ViaMobilidade é responsável por quatro linhas do sistema metroferroviário paulista.

A declaração representa uma mudança de rumo em relação ao discurso adotado pelo governo nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, a gestão estadual chegou a defender a concessão da Linha 1-Azul, projeto que acabou não avançando.

Linha 17 pode continuar sob gestão pública

Embora o contrato atual preveja que a ViaMobilidade assuma a operação da Linha 17-Ouro quando começar a fase comercial, Tarcísio afirmou que o governo negocia alternativas para manter o ramal sob responsabilidade do Metrô.

Segundo o governador, uma das possibilidades em estudo é promover um reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos da concessionária, o que permitiria que a empresa pública continue operando a linha enquanto novos investimentos sejam realizados em outros ramais administrados pela ViaMobilidade.

De acordo com Tarcísio, a proposta ainda está em análise e depende de negociações entre o governo estadual e a concessionária.

Estação Washington Luís é inaugurada após 12 anos de atraso

Prometida inicialmente para ficar pronta antes da Copa do Mundo de 2014, a Linha 17-Ouro acumulou sucessivos atrasos, alterações no projeto e interrupções nas obras ao longo da última década. Nesta terça-feira (30), o governo de São Paulo inaugurou a estação Washington Luís, a segunda parada em funcionamento do monotrilho.

Estação Washington Luís em São PauloGoverno de São Paulo

A estação começará a receber passageiros nesta quarta-feira (1º). Atualmente, a linha opera em caráter assistido, sem cobrança de tarifa, de segunda a sexta-feira. A partir de quinta-feira (2), o horário será ampliado, passando a funcionar das 9h às 16h. A previsão do governo estadual é que a operação comercial, com cobrança de passagem e funcionamento ampliado, tenha início em outubro.

Com 6,7 quilômetros de extensão, a Linha 17-Ouro liga o Aeroporto de Congonhas à estação Morumbi, da Linha 9-Esmeralda. O trajeto possui oito estações e a expectativa do governo paulista é transportar cerca de 100 mil passageiros por dia quando estiver em operação plena.

O Estado também prevê ampliar o ramal até Paraisópolis, a maior favela de São Paulo, com a construção de mais três estações. Segundo o governador, a licitação para essa expansão deverá ser publicada em julho.

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