Câmara cobra explicações da prefeitura após morte de adolescente que esperou 18 horas em UPA; veja o que se sabe


Câmara de Sorocaba cobra explicações sobre morte de adolescente de 14 anos
A Câmara Municipal de Sorocaba (SP) enviou um requerimento à prefeitura para esclarecer dúvidas sobre o caso do adolescente de 14 anos que morreu após 18 horas de espera em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. O prazo para resposta é de 15 dias.
Riquelme Gabriel de Almeida Santos morreu no sábado (27). A Polícia Civil e a Secretaria da Saúde de Sorocaba investigam a morte do menino, que foi sepultado no domingo (28).
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O pedido foi feito pelo vereador Fausto Peres (Podemos) durante a sessão desta terça-feira (30). O requerimento questiona o motivo da demora no diagnóstico do menino, além do funcionamento do atendimento médico e da integração entre as unidades de saúde de Sorocaba.
Riquelme morreu após passar por três unidades de saúde e ter esperado 18 horas por uma transferência em Sorocaba (SP), segundo família
Arquivo pessoal
O pai do adolescente afirma que o filho passou por três unidades de saúde e que esperou, pelo menos, 18 horas por uma transferência. Segundo ele, o jovem estava sangrando e agonizando, mas foi tratado como se estivesse com gripe.
Confira abaixo o que se sabe sobre o caso:
Quem era o adolescente?
Quando e como ele começou a passar mal?
Por quais unidades de saúde ele passou?
Por que o adolescente aguardava transferência?
O que diz a família?
O que dizem os órgãos oficiais e a gestão da saúde?
O que ainda precisa ser esclarecido?
Quem era o adolescente?
O adolescente Riquelme Gabriel de Almeida Santos tinha 14 anos e era estudante. Ao g1, o pai dele, Deyvisson Camini, o descreveu como um menino cheio de sonhos.
Quando e como ele começou a passar mal?
O menino passou mal no dia 23 de junho, enquanto estava em casa. Ele apresentava indisposição e sintomas que a família considerou semelhantes à dengue.
Por quais unidades de saúde ele passou?
O jovem deu entrada, consecutivamente, nas seguintes unidades:
PA do Laranjeiras (primeiro atendimento);
UPA Éden (segundo atendimento);
UPA do Éden (terceiro atendimento — quando o quadro se agravou e o jovem morreu).
Segundo o pai de Riquelme, no PA Laranjeiras ele foi diagnosticado com cristais na urina e a família foi orientada a procurar um pediatra na UPA do Éden. No segundo atendimento, ele fez um exame de sangue e foi liberado para voltar para casa no mesmo dia.
Na quinta-feira (25), ele teve uma piora e não conseguia se levantar ou se mover. Ele foi socorrido, segundo a família, sangrando e agonizando, mas o quadro foi tratado como uma gripe.
UPA Éden, gerida pela Santa Casa de Sorocaba
Google Maps/Reprodução
Por que o adolescente aguardava transferência?
A família ainda informou que o quadro de saúde de Riquelme era grave e que ele precisaria ser internado em uma UTI.
“Correram, colocaram ele na emergência, pediram pra levar pro isolamento e falaram que ele ia ter que aguardar uma vaga de UTI. Já estava começando inchar a perna, pé, braço, peito, barriga, tudo inchando, o pescoço tava inchado, e ninguém deu atenção, ninguém ligou pra aquilo. Tava cheio de mancha no corpo e sintomas de dengue mesmo”, disse o pai em entrevista à TV TEM.
O que diz a família?
Em suas redes sociais, Deyvisson Camini desabafou e afirmou que o filho sangrava pelo nariz e pela boca, mas que os médicos trataram o quadro como se fosse uma gripe.
“Negligenciaram totalmente a saúde do meu filho, meu menino [estava] soltando sangue pelo nariz e pela boca e eles tratando como gripe. Vocês mataram meu filho. Espero que seja feita justiça, pois meu filho não merecia isso, não merecia ficar 18 horas em cima de uma maca, sofrendo de dor”, escreveu o pai.
“Eu peguei ele no colo, sentei com ele na maca, ele me pediu pra passear com ele, mas não dava por causa dos aparelhos grudados e eu falei que, na hora que tirasse os aparelhos, a gente passearia. Ele olhou pra mim e falou: ‘tá bom pai’, virou a cabecinha e desfaleceu no meu colo”, acrescentou Deyvisson Camini em entrevista à TV TEM.
A família registrou um boletim de ocorrência por negligência médica e suspeita que o adolescente tenha tido dengue hemorrágica devido aos sintomas apresentados.
Pai de jovem que morreu em UPA de Sorocaba denuncia negligência
O que dizem os órgãos oficiais e a gestão da saúde?
A UPA do Éden, gerida pela Santa Casa de Sorocaba, informou em nota que o adolescente buscou atendimento médico nos dias 24 e 25 de junho. A instituição alegou que, diante da piora no quadro clínico, solicitou com urgência uma vaga de transferência hospitalar via sistema Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde).
A administração da UPA defendeu que ofereceu a assistência médica necessária enquanto o jovem esperava a internação, mas que o paciente “evoluiu rapidamente para óbito”
Diante do desfecho inesperado e da falta de um diagnóstico definitivo, o corpo foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO). A Santa Casa informou que também abriu uma apuração interna para avaliar as condutas.
A Secretaria Municipal da Saúde (SES) declarou que todos os protocolos foram seguidos e que aguarda o laudo do SVO para confirmar a real causa da morte. Em nota, a prefeitura acrescentou que, de acordo com o último boletim epidemiológico municipal, Sorocaba não tem registros de casos ou de mortes sob investigação por dengue em 2026
O que ainda precisa ser esclarecido?
A causa da morte ainda não foi apontada pelo SVO. O motivo da demora na transferência também não foi esclarecido, nem se houve falha no atendimento.
A suspeita de dengue deve ser confirmada após a divulgação do laudo.
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