
Protagonista de filme LGBT+, jovem de Barra Bonita revela ter sofrido ataques gordofóbicos
Há 12 anos, o filme “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” estreou nos cinemas brasileiros e se tornou uma referência de obra nacional focada na adolescência LGBTQIA+.
Após o sucesso de crítica e público, o longa de Daniel Ribeiro ganhou uma adaptação em histórias em quadrinhos (HQs), em 2026. Também neste ano, outra obra com a temática chegou às telonas no mês de junho: “Quinze Dias”, produção cinematográfica que aborda o relacionamento de dois jovens gays na escola.
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Natural de Barra Bonita (SP), Miguel Lallo, um dos protagonistas da trama, contou ao g1 como foi crescer sendo um garoto gay no interior, falou também sobre a paixão pela carreira de ator e revelou ter sofridos ataques gordofóbicos na divulgação do trailer e também por ter emagrecido após as filmagens.
“Eu não via outros meninos gays. Eu não conversava sobre isso. Então, eu não tinha um lugar para ir. Todas as minhas referências sempre foram de fora da cidade”, revela.
Em ‘Quinze Dias’, Miguel Lallo (à esquerda) e Diego Lira (à direita) interpretam Felipe e Caio
Manequim Filmes
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O artista conta que entendeu a sua orientação sexual a partir de produções voltadas para o público queer, como os trabalhos de Paulo Gustavo e o filme “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”. “Foi a minha maior inspiração de vida”, revela.
Nascido e criado no interior de São Paulo, Miguel conta que foi que a carreira de ator começou no teatro, no Grupo Teatral Expressões. Segundo ele, a escola particular em que estudou se tornou a responsável pelo seu desenvolvimento no audiovisual.
“Foi lá que começou a minha vontade. Se não fosse o teatro da Barra, eu não estaria onde eu estou hoje.”
Miguel Lallo iniciou a carreira de ator no Grupo Teatral Expressões, em Barra Bonita (SP)
Arquivo pessoal
Ataques nas redes sociais
Durante a divulgação do trailer, os atores foram atacados com comentários de haters nas redes sociais.
Segundo Miguel, eram mensagens de ódio sobre o peso do personagem dele e discursos homofóbicos, vindos inclusive de pessoas da comunidade LGBTQIAPN+, antes mesmo de o filme “Quinze Dias” estrear nos cinemas.
“Quando eu via as fotos das pessoas que estavam me xingando, eram pessoas iguais a mim e eram gordas também. É o oprimido que quer oprimir agora”, recorda.
Além disso, após o término das gravações do longa-metragem, o intérprete recebeu mensagens de ódio por ter emagrecido.
Na época, teorias a respeito do uso de canetas emagrecedoras ou da não aceitação do próprio corpo surgiram para justificar a mudança do jovem, de 20 anos.
“No começo, foi um susto, porque eu fui, por 19 anos, uma pessoa gorda na minha vida. Então, eu sabia que era difícil. Ainda mais quando eu me mudei para São Paulo. Eu percebi que ser gordo era um problema, porque eu não sentia isso no interior”, desabafa.
Miguel Lallo sofreu ataques após emagrecimento
Reprodução/Instagram/@miguellallo
De acordo com o protagonista, a recepção é bem diferente quando encontra fãs nas viagens de divulgação da história. Fora o carinho que recebeu, ele ainda explicou que a transformação visual aconteceu devido ao seu trabalho como ator.
“Depois que acabou ‘Quinze Dias’, eu emagreci para um personagem. Então, meu trabalho pediu para que eu emagrecesse. E eu continuei o meu emagrecimento também para estabilizar problemas de saúde”, destaca.
Produção LGBTQIAPN+ aborda bullying, diversidade e primeiro amor entre adolescentes
Manequim Filmes
Filme não chegou aos cinemas da região
Sucesso do livro de Vitor Martins, “Quinze Dias” conta a história de Felipe (Miguel Lallo), um adolescente acima do peso que sofre bullying na escola. Durante as férias de julho, ele descobre que irá hospedar o vizinho Caio (Diego Lira), seu amor de infância, por 15 dias.
A estreia do filme ocorreu no dia 17 de junho, em diversos lugares do país. No entanto, em cidades da região, como Bauru (SP) e Jaú (SP), a trama LGBTQIA+ não recebeu espaço na programação dos cinemas.
Sobre isso, o protagonista lamentou: “Isso é muito triste enquanto protagonista do filme, mas, enquanto menino gay, se eu ainda estivesse morando no interior, esse filme não chegaria em mim”.
“Me entristece muito a minha família, da minha cidade, não ter o direito de me ver.”
Sucesso literário escrito por Vitor Martins virou produção cinematográfica em 2026
Divulgação
Sonho de retornar ao interior de SP
Embora tenha viajado pelo país para a divulgação do filme, Miguel confessa que tem a vontade de levar uma obra teatral para Barra Bonita.
Ele conta que o desejo tem relação com o pai, que morreu em dezembro, e tinha o sonho de ver o filho no palco da cidade natal.
“Eu quase cheguei a levar uma peça para lá uma época. Mas, por conta da agenda, acabou não batendo. Eu tenho muita vontade de fazer uma peça. Até porque era um desejo muito grande do meu pai. Ele sempre quis me ver fazendo teatro e ir lá.”
Embora tenha viajado pelo país para a divulgação do filme, Miguel confessa que tem vontade de levar uma obra teatral para Barra Bonita (SP)
Arquivo pessoal
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*Colaborou sob supervisão de Mariana Bonora
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